A Inglaterra e o País de Gales registraram o maior número de abortos da história em 2023, com 277.970 procedimentos, segundo dados oficiais divulgados na última quinta-feira (15) pelo Departamento de Saúde e Assistência Social do Reino Unido. O total representa o nível mais alto desde a aprovação da Lei do Aborto, em 1967.
De acordo com os dados mais recentes, o número representa um aumento de 11% em relação a 2022 e confirma uma tendência de crescimento contínuo desde a legalização do aborto no país.
O aumento foi identificado em todas as faixas etárias entre 2022 e 2023, incluindo adolescentes. Entre menores de 18 anos, a taxa subiu de 6,4 abortos por mil mulheres em 2021 para 7,8 em 2023.
O índice mais elevado foi registrado entre mulheres de 20 a 24 anos, com 39,4 abortos por mil mulheres — um aumento constante nos últimos anos.
A maioria dos abortos ocorreu entre a 2ª e a 9ª semana de gestação, correspondendo a 89% dos casos (248.250 procedimentos). Ainda assim, quase 30 mil abortos foram realizados após a 9ª semana. Os abortos realizados a partir da 20ª semana permaneceram relativamente estáveis entre 1% e 2% do total.
Abortos por medicamentos lideram procedimentos em 2023
Em 2023, 87% dos abortos foram realizados por meio de medicamentos prescritos por médicos. No entanto, os abortos cirúrgicos, em que a gravidez é interrompida por meio de uma cirurgia, apresentaram crescimento tanto em 2022 quanto em 2023.
O método mais utilizado continuou sendo o aborto realizado em casa por meio de medicamentos, prática autorizada em março de 2020 durante a pandemia. Esse procedimento representou 72% dos casos, o equivalente a 200.745 abortos — cerca de 50 mil a mais do que no ano anterior.
A maior parte dos procedimentos foi realizada por clínicas privadas financiadas pelo Serviço Nacional de Saúde (NHS), que responderam por 81% do total. Já a proporção de abortos realizados diretamente em hospitais do NHS caiu de 19% em 2022 para 17% em 2023.
Críticas à transparência e ao atraso na divulgação dos dados
Dawn McAvoy, representante da campanha pró-vida Both Lives UK, afirmou que o relatório era aguardado há dois anos e que os números apresentados causam impacto.
"Esperamos dois anos por este relatório, e a dimensão do que ele revela é impressionante: 277.970 abortos, o que dá uma média de 762 abortos por dia: 32 por hora e um aborto a cada dois minutos", disse Dawn.
Ela destacou que, devido ao atraso na divulgação dos dados, “ainda existem lacunas importantes”, o que exige cautela na análise de informações sobre abortos relacionados a deficiências e complicações pós-aborto.
Segundo ela, esses aspectos podem estar sendo subnotificados, dificultando a compreensão dos reais impactos do aborto. Além disso, Dawn alertou para a falta de transparência, o futuro das políticas públicas e os possíveis impactos de longo prazo sobre mulheres, bebês e a sociedade.
Conforme a ativista, os motivos para um atraso tão prolongado na divulgação dos dados seguem sem explicação clara.
Por fim, ela observou que, durante os dois anos de espera, grupos pró-aborto avançaram com propostas de mudanças profundas na legislação, consideradas as mais significativas desde 1967.
