Após 40 anos, Marcha pela Vida volta às ruas da Noruega com forte presença de jovens

Luteranos, pentecostais, evangélicos e católicos marcharam juntos em prol dos nascituros com forte presença jovem pelas ruas chuvosas de Oslo.

Fonte: Guiame, com informações do EWTN News Atualizado: terça-feira, 16 de junho de 2026 às 13:40
Jovens exibem mensagens em defesa da vida durante a Marcha pela Vida, realizada em Oslo, na Noruega. (Foto: Instagram/@velg.livet)
Jovens exibem mensagens em defesa da vida durante a Marcha pela Vida, realizada em Oslo, na Noruega. (Foto: Instagram/@velg.livet)

Embora carregue uma forte herança cristã, a Noruega passou por uma secularização tão profunda que a defesa pública do nascituro desapareceu do debate por quatro décadas.

Agora, após esse longo período sem uma Marcha pela Vida no país nórdico, cerca de 1.000 apoiadores da causa pró-vida enfrentaram chuva e vento para se reunir em Oslo, no sábado (13), reafirmando publicamente a defesa da vida desde a concepção.

 
 
 
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A concentração começou às 11h, na Praça 7 de Junho, onde os participantes se reuniram antes de seguir pelas ruas de Oslo cantando hinos cristãos. Mesmo sob chuva e vento, a marcha avançou até o centro da capital.

O ato foi encerrado por volta das 12h30, em frente ao Parlamento norueguês, onde representantes das áreas médica, social, religiosa e política discursaram em defesa da dignidade e da proteção da vida humana.

No encerramento, a multidão se uniu para cantar “Navnet Jesus” (“O Nome de Jesus”), considerado um dos hinos cristãos mais queridos da Noruega.

Faixas com mensagens como “Uma voz para os sem voz”, “Escolha a vida” e “650.000 desde 1978” – referência ao número de abortos realizados no país desde a liberalização da legislação – reforçaram a mensagem central da marcha: toda criança tem direito à vida.

Interesse dos jovens

A marcha foi organizada pela Velg Livet, entidade pró-vida que destacou, em seu perfil no Instagram, o protagonismo dos jovens na mobilização:

“Ontem, cerca de 1.000 pessoas caminharam para as crianças sem voz. Um memorial para todas as crianças que perdem a vida para o aborto, e uma marcha de esperança para a nova geração ser uma geração que escolhe a vida.”

 
 
 
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A diretora, Cecilie Marie Røinås, afirmou à EWTN News que a iniciativa surgiu tanto do crescente interesse dos jovens noruegueses pela causa quanto da necessidade de responder às recentes ampliações da legislação do aborto no país.

“Como já se passaram cerca de 40 anos desde a última grande Marcha pela Vida na Noruega, sentimos que era hora de um novo testemunho público”, declarou.

Segundo ela, as mudanças recentes na legislação reforçam a importância de manter o debate aberto.

“Com as recentes expansões das leis de aborto, é importante continuar sendo uma voz em defesa dos nascituros e não agir como se a discussão estivesse encerrada.”

A forte presença de jovens na organização, muitos deles com pouco mais de 20 anos, foi, para Røinås, um dos aspectos mais marcantes da marcha.

“O envolvimento de tantos jovens mostra que a questão do aborto está longe de ser uma causa perdida”, afirmou. “Há muita gente da nossa geração disposta a defender a vida dos nascituros.”

Para Røinås, o êxito da mobilização não deve ser avaliado apenas pela quantidade de presentes, mas pelo alcance de sua mensagem.

“Nossa oração é que as pessoas experimentem o amor de Deus”, disse. “A mudança real começa no coração das pessoas.”

Unidade entre os cristãos

Luteranos, pentecostais, evangélicos e católicos marcharam juntos, demonstrando unidade pela causa pró-vida.

A Igreja Católica esteve presente na marcha por meio de fiéis de diversas paróquias e da participação de Ragnhild Helena Aadland Høen, responsável pelas relações públicas da Conferência Episcopal Católica da Noruega.

Høen traçou um contraste imediato com a última manifestação semelhante, em 1986, marcada por grandes contraprotestos, alguns deles violentos. “Desta vez, nos permitiram caminhar em paz”, disse ela à EWTN News.

Para Høen, o aspecto mais marcante da marcha não foi o tamanho do público, mas a unidade que ela revelou.

“Católicos, luteranos, pentecostais e evangélicos estavam lado a lado”, afirmou, descrevendo essa cooperação interdenominacional como “um dos sinais mais promissores na Noruega hoje”.

Ela também destacou a participação do líder de louvor americano Phil King, cujo discurso enfatizou a unidade entre os cristãos.

“O impossível não é impossível com Jesus”, afirmou ele.

Høen fez questão de apresentar a marcha não como um ponto culminante, mas como um começo.

“Tenho a nítida sensação de que Deus está reunindo seu povo na Noruega”, afirmou.

“Para mim, pareceu o início de um novo capítulo” – um capítulo no qual, acredita ela, tanto a unidade cristã quanto o movimento pró‑vida continuarão a crescer.

“Saí de lá com uma forte sensação de expectativa e alegria”, acrescentou.

Cultura pró‑vida

O bispo Fredrik Hansen, de Oslo, que não pôde comparecer por compromissos pastorais, descreveu a marcha como um sinal de mudança mais ampla na sociedade norueguesa.

“A Marcha pela Vida em Oslo atesta o crescente interesse e engajamento na defesa da vida e da dignidade humana no país”, afirmou, expressando a esperança de que o evento se torne anual e ajude a fortalecer a cooperação entre as organizações pró‑vida da Noruega.

Questionado se via a marcha como um ativismo político saudável ou como um testemunho cristão genuíno, Hansen respondeu que ela cumpria ambos os papéis.

“A marcha testemunha à sociedade norueguesa a sacralidade da vida e a necessidade de enfrentar as muitas ameaças que pesam sobre ela”, disse ele.

“Ao fazer isso, envia uma mensagem firme aos nossos políticos e à mídia de que muitos noruegueses estão profundamente comprometidos com uma cultura pró‑vida e querem que suas vozes sejam ouvidas.”

Hansen também destacou o que descreveu como sinais discretos, porém reais, de renovação religiosa em um país mais conhecido por seu laicismo.

“O interesse pelo cristianismo está aumentando, sobretudo entre os jovens. O movimento pró‑vida e um engajamento social mais amplo vêm crescendo tanto na Igreja Católica quanto em outras comunidades cristãs, e o debate público sobre temas de vida e fé está se tornando cada vez mais comum.”

Ele concluiu com um apelo cristãos de outros países: “Lembrem‑se da Noruega em suas orações.”

 

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