Uma nova operadora de telefonia celular voltada ao público cristão nos EUA está chamando atenção por prometer um ambiente digital “centrado em Jesus”, com bloqueio de pornografia e de conteúdos ligados à pauta LGBT e identidade de gênero.
A empresa, chamada Radiant Mobile, foi criada pelo ex-agente de modelos Paul Fisher e deve operar como uma MVNO (operadora virtual), utilizando a infraestrutura da T-Mobile. O lançamento oficial ocorreu nesta semana nos EUA.
Segundo Fisher, a proposta é oferecer aos cristãos uma experiência digital considerada mais segura para famílias e crianças.
“Nós vamos criar – e acreditamos que temos todo o direito de fazer isso – um ambiente centrado em Jesus, livre de pornografia, livre de LGBT, livre de trans”, afirmou o fundador em entrevista reproduzida pela imprensa americana.
A tecnologia utilizada pela operadora é fornecida pela empresa israelense de cibersegurança Allot, responsável por classificar sites em mais de 100 categorias de conteúdo.
O sistema permite bloquear materiais pornográficos em nível de rede, impedindo o acesso mesmo sem aplicativos de controle parental instalados no aparelho.
Sexualidade
Além do bloqueio permanente de pornografia, a Radiant Mobile também ativou, por padrão, filtros para conteúdos relacionados a sexualidade e identidade de gênero.
De acordo com Fisher, o sistema pode até restringir páginas específicas dentro de grandes sites.
Como exemplo, ele citou uma seção da Universidade de Yale dedicada a temas LGBT. “Se virmos [conteúdo LGBT] consistentemente nas páginas principais de Yale University, vamos bloquear também”, declarou.
O diretor de operações da empresa, o pastor Chris Klimis, disse que a iniciativa nasceu da preocupação com o impacto da pornografia dentro das igrejas e nas famílias cristãs.
“Precisamos descobrir alguma forma de fechar a porta para o espaço digital. É isso que estamos tentando fazer”, afirmou.
Benefício a igrejas
Segundo a empresa, parte da assinatura mensal de US$ 29,99 poderá futuramente ser revertida para igrejas parceiras que indicarem usuários ao serviço.
A Radiant Mobile também pretende expandir o modelo para países com forte presença cristã, como México e Coreia do Sul.
A iniciativa, porém, já provoca debates sobre censura digital, liberdade de acesso à informação e os limites do controle de conteúdo em redes privadas de telefonia.
Especialistas em tecnologia ouvidos pela Republic World afirmam que sistemas de filtragem em larga escala podem gerar bloqueios considerados subjetivos ou excessivos.
