Série Mulher Cristã: Agnes Ozman e o legado feminino no pentecostalismo – Parte 2

Nesta última parte do artigo, veremos como a experiência pentecostal e a participação das mulheres ajudaram a expandir o movimento no início do século XX.

Fonte: Guiame, Caroline FontesAtualizado: quarta-feira, 11 de março de 2026 às 17:36
Agnes Ozman, aos 67 anos. (Foto: Medium)
Agnes Ozman, aos 67 anos. (Foto: Medium)

Podemos compreender, através da história e dos escritos de diversos autores, que não foi mera coincidência que uma mulher, Agnes Ozman, no início do século XX, estivesse entre as primeiras pessoas a experimentar esse mover do Espírito que marcou o início do movimento pentecostal. Segundo os relatos históricos, Ozman era aluna da escola bíblica dirigida por Charles Parham e, ao estudar as Escrituras e crer na promessa do batismo com o Espírito Santo, buscou essa experiência em oração. Durante uma vigília de oração, passou a falar em outras línguas, sendo considerada uma das primeiras manifestações desse mover no início do pentecostalismo moderno.

No contexto bíblico e ao longo da história, as mulheres sempre se colocaram à disposição de Deus para cumprir o seu propósito. Esse princípio não nasce na história moderna, mas encontra fundamento nas próprias Escrituras. A Bíblia apresenta exemplos marcantes, como Maria, agraciada por Deus para conceber Jesus, o Filho de Deus gerado pelo poder do Espírito Santo, e Isabel, que deu à luz João Batista, aquele que preparou o caminho do Senhor. Desde a profecia de Joel 2:28–29, já se anunciava que chegaria o tempo em que Deus derramaria o seu Espírito sobre toda a carne, declarando que filhos e filhas profetizariam e que servos e servas participariam desse derramamento.

Em Atos 1:14 está escrito: “Todos estes perseveravam unanimemente em oração e súplicas, com as mulheres…”. Quando o Espírito Santo foi derramado, a própria Escritura declara: “E todos foram cheios do Espírito Santo e começaram a falar em outras línguas, conforme o Espírito lhes concedia que falassem.” (Atos 2:4). Assim, desde o início da igreja, o agir do Espírito Santo alcançou também as mulheres que estavam ali esperando pela promessa.

O avivamento, ou mesmo o prenúncio de um avivamento, nasce de um profundo desejo e de uma expectativa por ver o Espírito Santo agir na vida das pessoas, culminando na evangelização do mundo. Esse desejo levou à abertura do Instituto Bíblico Bethel, nos arredores de Topeka, no Kansas. Foi ali que começou o avivamento pentecostal, na vigília da véspera de Ano Novo, de 1900 para 1901. Durante quase cinco anos, os pioneiros do movimento pentecostal foram discípulos diretos ou indiretos de Charles Parham.

Agnes Ozman (1870–1917) continuou naturalmente seu ministério de pregação e também divulgou o ensino bíblico de que o falar em línguas era a evidência bíblica do batismo com Espírito Santo. Como resultado desse avivamento, muitos homens e mulheres foram consagrados para ministrar nos Estados Unidos. A partir da primeira experiência vivida por Agnes Ozman, outras mulheres também se tornaram influentes no contexto da divulgação e do ensino pentecostal, entre elas Martha Wing Robinson, Marie Burgess Brown (1880–1971) e Mary Arthur. Essas mulheres receberam o batismo com o Espírito Santo nas reuniões conduzidas por Charles Parham em Zion e no Kansas, tornando-se participantes ativas na propagação dessa mensagem.

Um fato interessante é que os obreiros que ministravam com Parham eram tanto homens quanto mulheres. Eles trabalhavam juntos no ministério, sem considerar as mulheres como secundárias ou subordinadas. Nos registros da época, dois nomes femininos aparecem com frequência: Lucy Farrow e Mabel Smith. Ambas foram enviadas por Parham em resposta aos pedidos de William Seymour, que solicitava ajuda nos primeiros dias do avivamento da Rua Azusa.

Assim, desde o início do movimento pentecostal, homens e mulheres atuaram lado a lado na obra missionária e evangelística. Muitos desses obreiros e evangelistas, cheios do Espírito Santo, contribuíram para a expansão da mensagem pentecostal e para a formação das primeiras comunidades de fé que, mais tarde, ajudariam a estruturar o movimento que se consolidaria em 1914.

Da mesma forma, muitas mulheres também ocuparam, desde os primeiros anos, importantes funções de liderança, administração e ensino dentro do movimento da Fé Apostólica, que começou a se organizar institucionalmente no início do século XX. A participação dessas mulheres não apenas fortaleceu a expansão do avivamento, mas também contribuiu para a formação e a representação geográfica do movimento pentecostal em diferentes regiões.

Referência Bibliográfica

ALMEIDA, Rute Salviano. Vozes Femininas nos Avivamentos: Europa e Estados Unidos: séculos 18, 19 e início do século 20. Viçosa: Ultimato, 2020.

FONTES, Ediudson. Experiência: um fator importante da epistemologia pentecostal. In: SANTOS, Paulo Cesar dos (org.). Teologia pentecostal e seus fundamentos: vários autores. 1. ed. Juiz de Fora (MG): Fé Cristã, 2024. p. 145-169.

HYATT, Susan C. Mujeres llenas del Espíritu. In: SYNAN, Vinson (org.). El siglo del Espíritu Santo: cien años de renuevo pentecostal y carismático. Buenos Aires: PNL, 2005. p. 281-317. Tradução de Virginia López G.

 

Caroline Fontes é Bacharel em Teologia, com pós-graduação em Ciência da Religião; formada em Pedagogia pela UERJ e pós-graduada em Neuropsicopedagogia pela FAMEESP. Reside no Rio de Janeiro, é casada com o Pr. Ediudson Fontes e mãe de Calebe Fontes. É mestranda em Ciências da Religião na UMESP e idealizadora do projeto Enraizadas em Cristo — clube de leitura e devocional.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Série Mulher Cristã: Agnes Ozman, experiência pentecostal e evidência bíblica – Parte 1

 

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