Caroline Fontes

Caroline Fontes

Ela é do Rio, bacharel em Teologia com pós- Ciência da Religião, formada em Pedagogia – UERJ, pós-graduação em Neuropsicopedagogia – FAMEESP. Igreja Assembleia de Deus.

Série Mulher Cristã: Agnes Ozman, experiência pentecostal e evidência bíblica – Parte 1

A primeira parte deste artigo, dedicada ao testemunho de Agnes Ozman, nos encoraja e nos desafia a nos enchermos do Espírito Santo, com uma fé ousada fundamentada nas Escrituras.

Fonte: Guiame, Caroline FontesAtualizado: quarta-feira, 4 de março de 2026 às 16:02
Agnes Ozman, aos 67 anos. (Foto: Medium)
Agnes Ozman, aos 67 anos. (Foto: Medium)

No início do século 20, a sociedade ainda estava debatendo sobre a questão do lugar legítimo da mulher. Na história pentecostal moderna, desde o primeiro dia, em 1º de janeiro de 1901, as mulheres não encontram apenas um lugar, mas se destacam com frequência de forma decisiva no crescimento e desdobramento do movimento pentecostal.

Os historiadores pentecostais afirmam que o início do movimento pentecostal moderno ocorreu no primeiro dia do século 20, quando uma mulher, Agnes Ozman, uma humilde pregadora da santidade de trinta anos de idade, cujo batismo no Espírito Santo, acompanhado pelo dom de línguas (glossolalia), tornou-se um marco fundamental na história da igreja (HYATT, 2005, p. 281).

Segundo J. Roswell Flower, secretário fundador das Assembleias de Deus, a experiência de Ozman “iniciou o movimento pentecostal do século XX”. A razão pela qual lhe é reconhecida essa honra é que ela foi a primeira pessoa na história a receber o batismo no Espírito Santo esperando que o dom de línguas fosse a “evidência bíblica” da experiência. Muitas pessoas antes de Agnes Ozman disseram ter sido batizadas no Espírito Santo, e muitas outras falaram em línguas, mas esta foi a primeira vez que ambas as coisas ocorreram juntas ((HYATT, 2005, p. 281, tradução nossa).

Susan C. Hyatt afirma: “Muitas pessoas antes de Agnes Ozman afirmaram ter sido batizadas no Espírito Santo, e muitas outras falaram em línguas, mas esta foi a primeira vez que ambas as coisas ocorreram conjuntamente” (HYATT, 2005, p. 281, tradução nossa). 

O teólogo e pr. Ediudson Fontes diz que “a experiência do Espírito Santo constitui fator essencial da epistemologia pentecostal, pois articula revelação bíblica e vivência comunitária, conferindo caráter dinâmico ao conhecimento teológico” (FONTES, 2024, p.150).

A Experiência...

A assembleia ocorreu na Escola Bíblica Betel, em Topeka, Kansas, dirigida por Charles Fox Parham. No final de 1900, Parham solicitou que seus alunos estudassem o livro de Atos dos Apóstolos com o objetivo de responder a uma pergunta central: qual é a evidência bíblica do batismo no Espírito Santo?

Após o estudo das narrativas de Atos 2: 10-19, os alunos concluíram que a evidência inicial do batismo no Espírito Santo era o falar em outras línguas.

Na noite de 31 de dezembro de 1900 para 1º de janeiro de 1901, durante uma vigília de oração, Agnes Ozman pediu que Parham impusesse as mãos sobre ela para que recebesse o batismo no Espírito Santo. Segundo os relatos do grupo, ela passou a falar em outras línguas, experiência que posteriormente foi identificada como glossolalia. Alguns registros associam o momento à leitura de João 7:37-39, texto que fala sobre rios de água viva.

Nos dias seguintes, outros alunos também relataram a mesma experiência, e pouco depois o próprio Parham afirmou ter recebido manifestação semelhante.

Esse episódio é frequentemente considerado o marco inicial do pentecostalismo clássico moderno, antecedendo o avivamento da Rua Azusa (1906), liderado por William J. Seymour. A partir desse acontecimento consolidou-se a doutrina pentecostal da evidência inicial do batismo no Espírito Santo como sendo o falar em línguas.

Além disso, muitos estudiosos reconhecem o papel pioneiro de Ozman como simbólico de um século em que mulheres passariam a exercer ministérios de forma mais visível e significativa na história da igreja. Nesse sentido, ela representa a transição entre as pregadoras do século XIX e as ministras pentecostais que se destacariam amplamente no século XX.

Algo semelhante ocorreu no Brasil, no início da formação das Assembleias de Deus em Belém do Pará, sob a liderança dos missionários suecos Gunnar Vingren e Daniel Berg. A primeira pessoa a relatar a experiência do batismo no Espírito Santo com glossolalia no contexto brasileiro foi Celina Albuquerque, reforçando novamente o protagonismo feminino nos primórdios do movimento pentecostal.

O papel primordial de Agnes Ozman prenunciava um século em que as mulheres iriam ministrar de maneiras nunca antes vistas na história da igreja. Nesse sentido, ela foi a ponte entre uma longa lista de mulheres pregadoras que a precederam no século XIX e uma lista ainda maior de mulheres ministras pentecostais que iriam surpreender o mundo no século XX (HYATT, 2005, p. 282, tradução nossa).

A primeira parte deste artigo nos encoraja e nos desafia a nos enchermos do Espírito Santo, com uma fé ousada nas Escrituras. Assim como Agnes Ozman creu de corpo e mente, ela obteve essa experiência, que é uma promessa viva para os filhos e filhas de Deus.

Referência bibliográfica:

ALMEIDA, Rute Salviano. Vozes Femininas nos Avivamentos: Europa e Estados Unidos: séculos 18, 19 e início do século 20. Viçosa, Ultimato, 2020.

FONTES, Ediudson. Experiência: um fator importante da epistemologia pentecostal. In: SANTOS, Paulo Cesar dos (org.). Teologia pentecostal e seus fundamentos: vários autores. 1. ed. Juiz de Fora (MG): Fé Cristã, 2024. p. 145-169.

HYATT, Susan C. Mujeres llenas del Espíritu. In: SYNAN, Vinson (org.). El siglo del Espíritu Santo: cien años de renuevo pentecostal y carismático. Buenos Aires: PNL, 2005. p. 281-317. Tradução de Virginia López G.

 

Caroline Fontes é Bacharel em Teologia, com pós-graduação em Ciência da Religião; formada em Pedagogia pela UERJ e pós-graduada em Neuropsicopedagogia pela FAMEESP. Reside no Rio de Janeiro, é casada com o Pr. Ediudson Fontes e mãe de Calebe Fontes. É mestranda em Ciências da Religião na UMESP e idealizadora do projeto Enraizadas em Cristo — clube de leitura e devocional.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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