A oração na perspectiva pentecostal – Parte 3

Fé, perseverança e submissão à soberania de Deus revelam a maturidade da oração na espiritualidade pentecostal.

Fonte: Guiame, Ediudson FontesAtualizado: terça-feira, 29 de setembro de 2026 às 16:29
(Imagem ilustrativa gerada por IA)
(Imagem ilustrativa gerada por IA)

Em continuidade à segunda parte deste artigo, leia aqui, e concluindo a série sobre o tema “A oração na perspectiva pentecostal”, aprofundo agora os pontos essenciais que ampliam a discussão iniciada anteriormente.

 

Entre a fé e a soberania de Deus

Também é necessário reconhecer que não existe uma única forma de espiritualidade dentro do amplo universo pentecostal e carismático contemporâneo. Estudos recentes mostram diferentes compreensões acerca da oração, especialmente quando são consideradas as diversas expressões pentecostais e neopentecostais.

Algumas correntes dão maior ênfase à confissão, ao decreto e à expectativa de resultados concretos. Outras enfatizam a súplica, a dependência, a perseverança e a submissão à soberania divina. Essas diferenças exigem cuidado para que não tratemos todo o pentecostalismo como uma realidade uniforme.

Nesse ponto encontra-se um importante desafio teológico. Fé não significa negar o sofrimento, assim como submissão à soberania de Deus não significa abandonar a expectativa de sua intervenção.

Podemos pedir cura e continuar confiando quando ela não acontece como esperávamos. Podemos pedir uma porta aberta e continuar servindo quando ela permanece fechada. Podemos clamar por uma mudança e, enquanto ela não chega, permitir que Deus produza mudanças em nós. A oração pentecostal encontra sua maturidade justamente quando expectativa e submissão caminham juntas.

 

Uma espiritualidade que permanece atual

Vivemos em uma época marcada pela velocidade. Recebemos informações constantemente, acumulamos compromissos e somos pressionados por respostas imediatas. Nesse ambiente, existe o risco de transportarmos para a vida espiritual a mesma lógica da urgência.

A oração oferece outro caminho.

Ela nos ensina a permanecer diante de Deus. Ensina-nos a falar, mas também a esperar. Ensina-nos a pedir, mas também a agradecer. Ensina-nos a desejar respostas, mas também a confiar quando ainda não conseguimos enxergá-las.

Para o pentecostalismo, essa oração continua acompanhada da expectativa de que o Espírito Santo está presente e atuante na Igreja. A mesma fé que impulsiona o crente a clamar também deve conduzi-lo ao discernimento, à obediência e à perseverança.

Por isso, a oração pentecostal não deve ser reduzida a barulho, emoção, fórmulas ou técnicas espirituais. Sua essência é mais profunda: trata-se de uma vida de comunhão com Deus, sustentada pela fé, orientada pelas Escrituras e vivificada pela ação do Espírito Santo.

Oramos porque dependemos de Deus. Perseveramos porque confiamos nele. Intercedemos porque fazemos parte de uma comunidade. E esperamos porque cremos que Deus continua agindo. A oração, assim compreendida, não é apenas algo que o cristão pratica. Ela se torna parte da maneira como ele vive sua fé.

 

Referências bibliográficas:

ASSEMBLEIA DE DEUS. Declaração de fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

BUERTEY, Joseph Ignatius Teye. Revisiting Pentecostal Spiritualities with Reference to African Traditional Religious Practices and Pentecostal Theologies of Prayer in Ghana. Dissertation (PhD) — Stellenbosch University.

FÉLIX-JÄGER, Steven. Renewal Worship: A Theology of Pentecostal Doxology. Downers Grove, IL: IVP Academic, 2022.

KIM, Dongsoo. Lukan Pentecostal Theology of Prayer: Is Persistent Prayer Not Biblical? Asian Journal of Pentecostal Studies, v. 7, n. 2.

LAND, Steven J. Pentecostal Spirituality: A Passion for the Kingdom. Cleveland: CPT Press, 2010.

PERSPECTIVAS pentecostais e neopentecostais sobre a oração na contemporaneidade. Paralellus, 2025.

 

Ediudson Fontes (@ediudsonfontes) é pastor auxiliar da Assembleia de Deus Cidade Santa (RJ), teólogo, pós-graduado em Ciências da Religião e mestrando em Teologia Sistemático-Pastoral pela PUC-Rio. Escritor, professor de Teologia, casado com Caroline Fontes e pai de Calebe Fontes.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: A oração na perspectiva pentecostal – Parte 2

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