Da Inquisição ao antissemitismo: O alerta que vem da Espanha

A Espanha escolheu se posicionar contra Israel, reforçando sua ruptura diplomática e aproximando-se de países que apoiam o radicalismo islâmico.

Fonte: Guiame, Silas AnastácioAtualizado: sexta-feira, 24 de julho de 2026 às 13:14
(Captura de tela/israel_em_portugues)
(Captura de tela/israel_em_portugues)

Na tradicional corrida de touros realizada neste mês de julho de 2026, durante o chupinazo que abre as festas de San Fermín, uma multidão ergueu uma faixa com os dizeres ‘Destroy Israel’. A cena, que parece saída de um filme de terror, é infelizmente real. Hoje, ser judeu na Espanha exige cautela redobrada.

O episódio não ocorreu isoladamente. Poucos meses antes, em 10 de março de 2026, a Espanha havia retirado permanentemente sua embaixadora em Israel, aprofundando um impasse diplomático motivado pela oposição espanhola aos ataques israelenses e norte-americanos contra o Irã.

A medida marcou mais um capítulo da deterioração das relações bilaterais, tensas desde que Israel lançou sua ofensiva contra a Faixa de Gaza em outubro de 2023.

Perseguição religiosa em escala global

Paralelamente, o mundo presencia uma das maiores perseguições de cristãos da história. Segundo a organização Open Doors, cerca de 388 milhões de cristãos sofrem altos níveis de perseguição e discriminação por sua fé.

Países com perseguição extrema contra cristãos: 

Coreia do Norte, Somália, Iêmen, Sudão, Eritreia, Síria, Nigéria, Paquistão, Líbia, Irã, Afeganistão, Índia, Arábia Saudita, Mianmar e Mali.

Países com perseguição severa contra cristãos: 

Burkina Faso, China, Iraque, Maldivas, Argélia, Mauritânia, República Centro-Africana, Marrocos, Cuba, Uzbequistão, Níger, Tajiquistão, Laos, República Democrática do Congo, México, Tunísia, Nicarágua, Bangladesh, Butão, Turcomenistão, Etiópia, Camarões, Omã, Moçambique, Quirguistão, Turquia, Egito, Comores, Catar, Cazaquistão, Nepal, Colômbia, Chade, Jordânia e Brunei.

Grande parte desses países são de maioria islâmica, incluindo o Irã, que figura na lista de perseguição extrema.

O papel do Irã e o financiamento ao Hamas

De acordo com a Open Doors, o Irã tem cerca de 90,4 milhões de habitantes, dos quais apenas 800 mil são cristãos — menos de 1% da população. O Departamento de Estado dos EUA estimou em 2021 que o país destina aproximadamente US$ 100 milhões por ano ao Hamas e a outros grupos extremistas. O Irã é apontado como um dos principais financiadores do Hamas e, em diversas ocasiões, ameaçou destruir o Estado de Israel.

Tempos sombrios e ecos da Inquisição

Vivemos tempos sombrios na diplomacia mundial. Países ocidentais de tradição judaico-cristã têm optado por se alinhar a regimes autoritários e radicais religiosos, repetindo cenários do passado. A Espanha, historicamente marcada pela Inquisição, perseguiu judeus e também cristãos considerados hereges.

Segundo a revista judaica brasileira Morashá, métodos de tortura como a cremalheira, a roda, o pêndulo e a tortura d’água eram usados para forçar confissões. Milhares ficaram aleijados ou enlouqueceram, e os bens dos acusados eram confiscados. Muitos foram queimados vivos em praças públicas, num dos períodos mais cruéis da história espanhola.

O ataque de 7 de outubro

Em 7 de outubro de 2023, o Hamas lançou um ataque coordenado contra Israel, por terra, ar e mar. Aproximadamente 1.200 pessoas foram mortas, incluindo homens, mulheres, crianças e idosos. Comunidades inteiras foram invadidas, casas incendiadas e famílias assassinadas. Relatos confirmam estupros, mutilações e execuções sumárias. Bebês foram decapitados ou queimados vivos.

Apesar disso, a Espanha escolheu se posicionar contra Israel, reforçando sua ruptura diplomática e aproximando-se de países que apoiam o radicalismo islâmico.

Corpos de 40 bebês e crianças teriam sido encontrados em comunidade atacada pelo Hamas (Jovem Pan News em Português)

 

 

Silas Anastácio (@silasas15) é referência na promoção das relações Brasil-Israel. Escritor, palestrante e articulador, fortalece o diálogo entre lideranças, defende a liberdade religiosa e combate o antissemitismo, conectando universos cultural, diplomático e social.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: “Israel é o único país do Oriente Médio onde cristãos estão crescendo”, diz bispo

 

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