Complexo de 1.300 anos é descoberto perto de cidade bíblica ligada a Jonas e Pedro

Estrutura com ruas, lojas, armazéns e instalações industriais foi encontrada em Israel, próxima à antiga rota que ligava Jope a Jerusalém.

Fonte: Guiame, com informações da Fox NewsAtualizado: segunda-feira, 31 de agosto de 2026 às 13:50
Arqueólogos descobriram um amplo complexo industrial e comercial durante escavações em Ramat Gan. (Foto: Autoridade de Antiguidades de Israel)
Arqueólogos descobriram um amplo complexo industrial e comercial durante escavações em Ramat Gan. (Foto: Autoridade de Antiguidades de Israel)

Arqueólogos descobriram um amplo complexo comercial e industrial de aproximadamente 1.300 anos em Ramat Gan, próximo a Tel Aviv, em Israel.

O sítio está localizado nas proximidades de uma antiga rota que conectava importantes cidades da região, incluindo Jope – atual Jaffa –, mencionada diversas vezes na Bíblia.

A descoberta foi anunciada pela Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA, na sigla em inglês) e ocorreu durante escavações realizadas antes da construção de um novo terminal de ônibus.

Região ligada a relatos bíblicos

A descoberta ganha interesse especial por sua proximidade com Jaffa, conhecida na Bíblia como Jope, uma antiga cidade portuária relacionada a importantes acontecimentos do Antigo e do Novo Testamento.

Foi em Jope que o profeta Jonas embarcou em um navio com destino a Társis enquanto tentava fugir da missão que Deus lhe havia dado de pregar em Nínive.

“Jonas, porém, fugiu da presença do Senhor, dirigindo-se para Társis. Desceu à cidade de Jope, onde encontrou um navio que se destinava àquele porto”, relata Jonas 1:3.

Séculos depois, a mesma cidade aparece no livro de Atos.

Pedro estava hospedado em Jope, na casa de Simão, o curtidor, quando recebeu a visão que antecedeu seu encontro com o centurião romano Cornélio.

“Pedro subiu ao terraço para orar. Era por volta do meio-dia”, registra Atos 10:9.

Antes disso, Pedro também havia sido chamado a Jope após a morte de Tabita, também conhecida como Dorcas. Conforme Atos 9, o apóstolo orou por ela, e a mulher voltou à vida.

Planejamento de engenharia

Segundo os pesquisadores, o complexo foi construído entre os séculos 7º e 8º d.C., durante os períodos omíada e abássida, e ficava próximo a uma importante estrada que ligava Jaffa, Ramla e Jerusalém.

Os diretores da escavação, Yoav Arbel e Lior Rauchberger, afirmaram que as descobertas “superaram todas as expectativas”.

Diretores da escavação disseram que a descoberta “superou todas as expectativas”, ao revelar um complexo antigo organizado e cuidadosamente planejado. (Foto: Autoridade de Antiguidades de Israel)

Os arqueólogos encontraram um complexo cuidadosamente planejado, formado por ruas retas que se cruzavam.

“A escavação revelou um complexo organizado e planejado, com ruas retas que se cruzavam”, disseram Yoav Arbel e Lior Rauchberger, de acordo com a IAA.

Ao longo delas havia diversas construções que teriam funcionado como lojas e armazéns, além de instalações industriais revestidas de gesso e fornos para produção de cerâmica:

“Ao longo dessas ruas, havia uma série de cômodos que serviam como lojas ou armazéns, instalações industriais rebocadas, fornos de cerâmica e muito mais.”

De acordo com os especialistas, a organização do local indica que sua construção provavelmente envolveu planejamento de engenharia e conhecimento das autoridades regionais da época, que podem até ter participado da iniciativa ou de seu financiamento.

A localização também teria favorecido o desenvolvimento do complexo. Além de estar perto da importante rota comercial, a região possuía terras agrícolas férteis e fontes de água disponíveis.

Objetos revelam cotidiano dos antigos moradores

Além das estruturas arquitetônicas, os pesquisadores encontraram grande quantidade de artefatos.

“Em conjunto, essas descobertas proporcionam um reflexo vívido da cultura, do comércio e da economia do período”, afirmou a organização.

Entre os achados estão utensílios de bronze usados à mesa e objetos para cosméticos, cabeças de picaretas de ferro, uma foice, pregos, dezenas de moedas e numerosos fragmentos de recipientes de cerâmica e vidro, tanto produzidos localmente quanto importados.

“Juntos, esses achados fornecem um reflexo vívido da cultura, do comércio e da economia do período”, informou a Autoridade de Antiguidades de Israel.

Numerosos artefatos no local, incluindo objetos de bronze, ferramentas de ferro, moedas, cerâmica e fragmentos de vidro foram encontrados. (Foto: Autoridade de Antiguidades de Israel)

Na época em que o complexo funcionava, diferentes comunidades viviam na região, incluindo muçulmanos, cristãos, judeus e samaritanos. Até o momento, porém, os arqueólogos não conseguiram determinar a qual comunidade pertenciam os habitantes do local.

O centro comercial e industrial teria permanecido em atividade por aproximadamente 150 anos antes de ser abandonado por razões ainda desconhecidas.

A região voltou a ser ocupada no século 10, quando foram construídas residências e novas instalações de produção.

Os pesquisadores também encontraram numerosos tabuns, tradicionais fornos de barro utilizados para assar alimentos.

“Foram construídos edifícios residenciais e instalações de produção, e numerosos tabuns – fornos de barro para assar – ​​foram instalados.”

No final do século 11, pouco antes da chegada dos cruzados à região, o local foi novamente abandonado e, segundo os pesquisadores, nunca mais voltou a ser habitado.

Embora o complexo recém-descoberto seja de um período muito posterior aos acontecimentos bíblicos envolvendo Jonas e Pedro, sua localização próxima à antiga rota entre Jope e Jerusalém acrescenta novas informações sobre a ocupação e a atividade econômica de uma região marcada por milhares de anos de história.

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