
Há mais de 20 anos, a pastora Camila Valverde passou pelo episódio mais aterrorizante de sua vida, em São Paulo.
Vindo de uma família desestruturada, Camila e seus quatro irmãos tiveram contato com um Evangelho deturpado na infância. Seu padrasto se denominava missionário e pastor, porém era violento e abusivo com a família.
“Ele surrava muito a gente. Cada vez que a gente fazia uma coisa errada de criança, os quatro tinha que abaixar as calças e ele descascava uma vara, ele friamente ficava avisando que ia ser 20 varadas para cada um”, contou a pastora, em participação no Podcast Vida Real Com Vanessa Cavalcante.
Na adolescência, Camila começou a trabalhar como secretária júnior no escritório de advocacia do avô.
“Eu trabalhava o dia todo no escritório e à noite eu estudava. Eu saia dali, ia pra escola, pegava o ônibus e ia lá pro Sesc Interlagos”, disse ela.
Certo dia, Camila estava voltando para casa à noite e foi raptada por um homem ao descer do ônibus.
“Fui abordada por um homem com uma arma, que já me jogou dentro de um carro. E aí, nesse dia, eu fui estuprada. Com 14 para 15 anos, eu fui violentada a noite toda. Eu apanhei, fui estuprada, roubada. Ele me levou para dentro de um mato, dentro do carro. Ninguém passava ali naquele lugar para me socorrer”, lembrou.
“Ele ficava contando antes o que ia acontecer: ‘Eu vou te estuprar, eu vou te matar, eu vou jogar o seu corpo aqui, ninguém vai achar. Era certeza absoluta que eu ia morrer”.
“Eu clamei com todo meu ser”
Sem saída e em completo desespero, a adolescente começou a clamar a Deus por socorro. “Eu clamei com todo o meu ser na minha mente por um livramento. Eu falava: ‘Deus da minha mãe, se você é real, se você existe, por favor, não me deixe morrer, me livre’”, afirmou.
Logo após orar, quando o dia estava quase amanhecendo, surgiu um homem no meio do mato e começou a se aproximar do carro, onde Camila estava com o criminoso.
“E aí ele falou: ‘Finge que você é minha namorada, me abraça. Se você fizer qualquer gracinha, eu te mato. Eu vou ter que matar o cara e você’”, relatou a pastora.
“Eu me mantive ali sem me mexer, mas clamando a Deus. E aí ele teve que sair dali. Ele fechou o carro, saiu e aí no meio do caminho falou: ‘Você tem alguma coisa que não está deixando eu te matar? Eu não consigo te matar’”.
O criminoso deixou Camila em uma rua desconhecida e mandou ela ir embora sem olhar para trás.
“Desci nua, com a minha roupa na mão, com o sapato na outra mão. Ele ficou com minha carteira, a bolsa. E eu desci em linha reta, imaginando assim: ‘Será que eu vou levar um tiro nas costas? Vou morrer agora’”, disse.
“De repente escuto a porta do carro batendo e o carro indo embora. E o carro foi ficando cada vez mais longe até sumir o barulho. Quando o barulho sumiu, eu olhei para trás, não tinha mais nada. Daí eu comecei a gritar, pedir socorro. Eu sei que foi Deus que me livrou da morte nesse dia”, declarou Camila.
A adolescente foi socorrida pelo avô e acolhida por familiares. Ela foi à delegacia denunciar o crime e passou por corpo de delito. Mais tarde, o criminoso foi preso e condenado à 17 anos de prisão.
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Lidando com o trauma
Segundo Camila, ela viveu um segundo terror nos anos seguintes ao ter que lidar com o trauma emocional.
“Eu queria parar de trabalhar, queria ficar em casa, não queria mais viver. A minha vida não tinha mais sentido, meu coração estava muito despedaçado. Eu lembro que eu tomava Rivotril para dormir”, lembrou.
Camila aceitou Jesus e superou a dor emocional com ajuda da fé e da terapia em um longo processo. “Faço terapia há mais de 15 anos e assim como várias pessoas na Bíblia, Deus ressignificou toda dor em força. Eu sou a prova viva de que Deus cura as emoções”, testemunhou.
Hoje, com 41 anos, ela é casada, tem filhos e serve como pastora e professora de teologia.
“A minha psicóloga fala que eu sou um milagre, que era para eu odiar pastor, era para eu odiar homem, odiar a Bíblia, porque meu padrasto obrigava a gente ler a Bíblia. E no fim eu me tornei uma uma pessoa que ensina a Bíblia”, declarou.
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