
Getúlio Cidade é escritor, tradutor e hebraísta, autor do livro A Oliveira Natural: As Raízes Judaicas do Cristianismo e do blog de mesmo nome onde publica estudos bíblicos com ênfase na história, língua e cultura judaicas relacionadas ao cristianismo.

Estamos entre os dez dias que compreendem a Festa das Trombetas, também conhecida por Rosh Hashanah, ocorrida nos dias 12 e 13 de setembro, e o Dia da Expiação (Yom Kippur) que ocorre 21 de setembro. Estes são os Dias de Temor, um período de profundo pesar espiritual para Israel, em que as orações se multiplicam, os homens se humilham em pedidos de perdão (selichot) e clamam a Deus por misericórdia.
No último artigo, escrevi sobre o Princípio das Dores e a ameaça que paira sobre as nações de uma terceira guerra mundial. Esse foi o período aludido por Yeshua em seu sermão do fim dos tempos e aponta para um período ainda mais difícil e tenebroso que, na tradição, é conhecido por Dores de Parto do Messias, um termo recorrente na Tanach (Bíblia hebraica).
Os Dez Dias de Temor representam profeticamente esse período, pois as Festas do Outono, que começam em Rosh Hashanah, apontam para a chegada do Messias. São as Festas proféticas ligadas à abertura dos livros, da ressurreição dos mortos, da redenção de Israel, do julgamento de toda carne e da instauração da era messiânica sobre a Terra. Daí o temor com o juízo vindouro que, todos sabem, envolverá muito sofrimento. Esse tempo equivale à Grande Tribulação, conforme se referiu Yeshua naquele sermão.
O fechamento das portas
Yom Kippur contém uma atmosfera de peso pelo juízo iminente, tal qual em Rosh HaShanah. A diferença, porém, recai na irreversibilidade do juízo. A tradição diz que, em Rosh HaShanah, as portas do céu e os livros são abertos, quando se inicia o julgamento. Foi exatamente isso que João descreveu em seu arrebatamento no livro de Apocalipse.
Entre Rosh HaShanah e Yom Kippur, há dez dias, os últimos da Teshuvah (arrependimento) iniciada no mês de Elul, porém, mais intensos. São conhecidos como Dias de Temor, dada a gravidade do tempo que precede Yom Kippur. Esse período implica em grande reverência e temor a Deus, pois o juízo está à porta. E por ser um período ainda dentro da Teshuvah, o juízo não está selado. A inscrição no livro da vida pode ser alcançada por todos e esse é o propósito de se fazer Teshuvah. O ensino de Yeshua sobre o Reino de Deus se alinha perfeitamente a essa tradição.
Em Yom Kippur, as portas são fechadas e todos os homens estarão selados definitivamente para a vida eterna ou para a morte eterna. Yeshua se referiu a esse fechamento das portas em suas parábolas sobre o Reino de Deus, sempre com alusão à sua volta, como na Parábola das Dez Virgens. Isso não passou despercebido de sua plateia que era praticamente toda de judeus que conheciam muito bem sobre o Dia da Expiação e a cerimônia de fechamento das portas no Templo, ao final desse dia solene.
O remanescente salvo
Os dez Dias de Temor — correspondentes à Grande Tribulação — apontam para o período de maior sofrimento e perseguição do povo judeu, como dizem as Escrituras e o próprio Yeshua. O antissemitismo é o maior sinal disso e nunca foi tão elevado, como atualmente, desde a época da Segunda Guerra. Esse sentimento multiplicado é a atmosfera em que Israel se encontrará imediatamente antes da volta do Messias.
Entretanto, antes de seu retorno aos olhos de toda a Terra, sabemos que haverá dois eventos-chaves que marcarão a contagem regressiva: a falsa paz e a abominação desoladora. Independentemente disso e de já nos encontrarmos no Princípio das Dores, com guerras e rumores de guerras, estamos testemunhando as Escrituras se desdobrarem diante de nossos olhos.
A guerra vivida por Israel hoje nos diversos fronts, não apenas militar, mas no campo da (des)informação e propaganda antissemita, o impulsiona cada vez mais para o centro de um conflito mundial. Tem o potencial de atrair as maiores forças militares do mundo, tendo como foco a disputa por seu território e a perseguição implacável contra os judeus, exatamente como previram os profetas da antiguidade.
Esse será o contexto do fim dos dias; duas grandes e inéditas batalhas capazes de sacudir o mundo, com o epicentro em Jerusalém, ocorrendo simultaneamente em duas dimensões distintas, uma espiritual e outra física. Essa é a conexão entre Yom Kippur e os Dias de Temor que deflagará a volta do Messias para salvar o remanescente de Israel e estabelecer seu Reino milenar em Jerusalém. Bendito seja seu Nome!
Para saber mais, acesse https://www.aoliveiranatural.com.br/2025/10/01/yom-kippur-e-os-dias-de-temor/
Getúlio Cidade é escritor, tradutor e hebraísta, autor de A Oliveira Natural: As Raízes Judaicas do Cristianismo e do blog www.aoliveiranatural.com.br.
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Leia o artigo anterior: O perigo de uma guerra mundial e o Princípio das Dores
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