Um muçulmano foi preso no Paquistão acusado de ameaçar matar uma jovem cristã caso ela não aceitasse se converter ao islamismo e se casar com ele.
A polícia prendeu Rehman Irfan no domingo de Páscoa (5 de abril), após a família da jovem Laiba Javed, de 20 anos, procurar as autoridades.
Laiba estava na aldeia onde nasceu, perto da cidade de Harappa, no distrito de Sahiwal, visitando parentes para celebrar a Páscoa, quando recebeu um bilhete do muçulmano, no dia 2 de abril.
Segundo a família, Irfan exigiu que ela se convertesse ao islamismo e se casasse com ele até o dia 15 — caso contrário, seria morta.
“Irfan, que é um ex-colega de escola de Laiba, veio à nossa casa com dois cúmplices armados quando ela estava sozinha. Ele entregou a ela uma carta sob a mira de uma arma, afirmando que a amava e que faria qualquer coisa para se casar com ela depois de convertê-la”, disse Masih ao Morning Star News.
Imediatamente, Laiba avisou a família, que procurou a polícia. No início, os policiais pediram calma por causa das celebrações de Páscoa.
No entanto, a situação piorou no dia 5 de abril, quando um primo do suspeito interrompeu um evento cristão, levando a família a acionar as autoridades novamente. Desta vez, a polícia interviu e fez uma busca na residência do suspeito.
“A polícia foi prender o primo dele, mas também encontrou Irfan lá e o levou sob custódia”, contou Masih.
E continuou: “Ele foi indiciado por ameaças, mas tememos que ele possa ser solto sob fiança e continue nos assediando”.
‘Maior risco à segurança’
Apesar da intervenção da polícia, a família teme que ele seja solto e volte a perseguir a jovem. Então, por segurança, Laiba deixou a aldeia.
“Laiba trabalha em Lahore. A mãe dela faleceu há alguns anos e o pai trabalha como lavrador, explicou Masih.
Ejaz Alam Augustine, membro da Assembleia do Punjab e ex-ministro de Direitos Humanos e Assuntos das Minorias, informou que a falha na aplicação das leis tem incentivado ataques contra meninas de comunidades religiosas minoritárias.
Ele também criticou uma decisão judicial que permitiu o casamento de homens muçulmanos com mulheres da comunidade Ahl-e-Kitab (Povo do Livro), o que, segundo ele, aumentou a insegurança entre as minorias.
O tribunal decidiu que a lei islâmica permite que homens muçulmanos se casem com mulheres da comunidade Ahl-e-Kitab. Segundo ele, essa decisão aumentou a preocupação sobre a segurança das meninas das comunidades minoritárias.
“Essa sentença criou uma sensação de impunidade. Muitos agora acreditam que ela colocou a segurança das meninas cristãs em maior risco”, disse Augustine.
Conforme o Centro para a Justiça Social, com sede em Lahore, entre 2021 e 2025, pelo menos 512 casos de sequestro e conversão forçada foram registrados no país. A maioria das vítimas são adolescentes.
Meninas hindus representaram 69% dos casos (353), seguidas por meninas cristãs com 31% (160 casos), enquanto dois casos envolveram vítimas sikhs.
O Paquistão ficou novamente em 8º lugar na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, que avalia a perseguição enfrentada por cristãos em todo o mundo.
