
Um cristão de 33 anos morreu na última quinta-feira (7) após ser submetido a trabalho forçado em um sistema de esgoto no Paquistão.
Shabbir Masih foi forçado por supervisores da Autoridade de Água e Saneamento (WASA) a entrar em um cano de esgoto com cerca de 7,6 metros de profundidade. O local tinha água contaminada e gases tóxicos.
Segundo o International Christian Concern (ICC), a esposa de Masih informou que ele sabia do perigo e chegou a se recusar a descer ao esgoto por três dias seguidos. Mesmo assim, na noite anterior à sua morte, funcionários da WASA foram até a casa do cristão e o levaram à força.
“Ele sabia que era uma armadilha mortal. Ele estava muito preocupado nos últimos três dias e me contou que estavam o ameaçando para entrar naquele esgoto”, disse a viúva.
A empresa negou responsabilidade pelo caso
Masih entrou no esgoto com outro trabalhador cristão, chamado Sanwal. Os dois desceram em meio a cerca de 1,5 metro de água contaminada.
Devido à exposição aos gases tóxicos, Masih morreu no local e Sanwal ficou gravemente doente. Ele foi levado ao hospital, mas recebeu alta no dia seguinte.
Conforme a família, o corpo de Masih foi retirado do esgoto e deixado na estrada. A empresa orientou os familiares a levarem o corpo, alegando que não era responsabilidade deles lidar com a situação.
A viúva está exigindo justiça e afirma que Masih foi obrigado a fazer o serviço contra sua vontade. Já a WASA nega responsabilidade e diz que ele atuava como terceirizado.
O trabalho forçado no país
Masih não é o primeiro cristão a morrer como vítima de trabalho forçado no Paquistão. Pastores e missionários que atuam no país já vêm denunciando diversos casos e buscando maneiras de ajudar aqueles que vivem nessa situação.
Conforme o ICC, a comunidade cristã, que vive abaixo da linha da pobreza, constitui uma grande parte dessa força de trabalho do país. Embora os cristãos representem menos de 2% da população do Paquistão, eles ocupam 80% dos empregos de saneamento.
Esses trabalhadores muitas vezes não recebem equipamentos de proteção nem treinamento adequado. Muitos são enviados para esgotos profundos sem qualquer medida de segurança e, caso se recusem, são ameaçados de perder o emprego.
Em muitos casos, esses trabalhadores não recusam serviços perigosos, mesmo sabendo que isso pode lhes custar a vida, porque a maioria deles são os únicos provedores de suas famílias. Contudo, os cristãos são deliberadamente designados para os trabalhos mais perigosos e indesejáveis.
De acordo com o Centro para a Justiça Legal (CLJ), entre 2011 e 2023 pelo menos 40 cristãos morreram trabalhando em bueiros e sistemas de esgoto no país.
O sistema de saneamento no Paquistão ainda depende muito de trabalho manual, e que muitos trabalhadores são contratados de forma temporária ou terceirizada, o que reduz a responsabilidade dos órgãos públicos em casos de acidentes ou mortes.
O Paquistão ficou novamente em 8º lugar na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, que avalia a perseguição enfrentada por cristãos em todo o mundo.
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