Geração Z e Millennials são os mais contrários ao aborto no Brasil, diz pesquisa

Segundo o PoderData, 70% dos brasileiros de 25 a 44 anos são contra a liberação do aborto.

Fonte: Guiame, com informações de Gazeta do PovoAtualizado: quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026 às 13:12
Imagem ilustrativa. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).
Imagem ilustrativa. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil).

Os jovens são os mais contrários a legalização do aborto no Brasil, segundo uma pesquisa do PoderData, divulgada neste mês.

Entre a Geração Z e Millennials, a faixa etária de 25 a 44 anos, 70% são contra a liberação do aborto.

Enquanto as pessoas com mais de 60 anos – os chamados Baby Boomers – são os que mais apoiam a legalização da interrupção da gravidez (25%).

No total, a maioria dos brasileiros (68%) afirma ser contra a legalização do aborto.

A tendência do Brasil acompanha a média mundial. Cerca de 53% dos Millennials e 55% da Geração Z são contra o aborto. Já 62% dos Baby Boomers são a favor, segundo a pesquisa Global Views on Abortion, da Ipsos.

Para a professora do Instituto de Biologia da Universidade de Brasília (UnB) Lenise Garcia, a geração Baby Boomer se deslumbrou com a liberação sexual nos anos 1960.

“Há um pouco desse falso conceito de liberdade, com a questão da pílula, com a liberação sexual, com querer romper com toda a tradição. É uma época em que o jovem, centrado na ideia de ‘eu decido a minha vida’, muitas vezes saía de casa quando fazia 18 anos, já queria sua independência”, comentou Lenise, que também é presidente do Movimento Nacional da Cidadania pela Vida – Brasil sem Aborto, à Gazeta do Povo.

As próximas gerações tiveram mais condições de refletir sobre esses temas e decidir por escolhas diferentes, de acordo com a professora.

“Até pelo efeito prático desse tipo de atitude [dos boomers], as gerações posteriores vão ficando mais centradas, vamos dizer assim. Então, até por vivenciar uma liberdade talvez mais tranquila, mais bem entendida, se abrem mais para os direitos humanos, para o direito do outro, de não ter essa perspectiva tão centrada em si, o que pode ter, sim, um efeito sobre como enxergam o aborto", afirmou.

Jovens conservadores

A tendência pró-vida entre os mais jovens segue a onda conservadora, com o crescimento de valores conservadores entre entre as novas gerações, apontado pelo relatório “Ipsos Global Trends” em janeiro.

O defensor púbico federal Danilo de Almeida Martins, integrante da Associação Nacional Pró-Vida e Pró-Família, avaliou que “as últimas gerações não se deixam seduzir pelas falácias do movimento abortista”.

“Como a característica principal da geração Z é a facilidade de acesso à informação, os clichês abortistas e suas hipocrisias não conseguem enganá-los. Por exemplo, basta um mínimo de autocrítica para perceber que ‘direitos sexuais reprodutivos’ deveriam se relacionar com a liberdade de escolha de parceiros e com a procriação, nunca com a matança deliberada de inocentes”, observou ele, em entrevista à Gazeta do Povo.

Milhões de bebês da Geração Z e Millennials abortados

Dados mostram que milhões de bebês da Geração Z e Millennials foram impedidos de nascer, nos Estados Unidos.

Conforme pesquisas do Instituto Guttmacher, 60 milhões de abortos foram feitos no país, entre 1973 e 2017.

Publicações americanas estimam que 24,5 milhões de bebês millennials foram abortados, entre 1981 e 1996. E quase um terço da geração Z (28%) foi impedida de nascer, entre 1997 e 2011 – o número equivale à população de Nova York, quarto estado mais populoso dos EUA.

O que diz a lei no Brasil

Atualmente, o aborto é permitido no Brasil apenas em casos específicos: quando a gravidez é resultado de estupro, quando há risco à vida da gestante e quando o feto é diagnosticado com anencefalia.

Fora dessas situações, a interrupção da gravidez é considerada crime pela legislação brasileira. A lei também não estabelece, de forma expressa, um limite máximo de semanas de gestação para a realização do procedimento nos casos em que ele é autorizado.

Discussão no STF

O tema também está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita uma ação que discute a descriminalização do aborto.

O processo foi pautado em setembro de 2023, quando a então relatora votou a favor da descriminalização da interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana.

O julgamento, no entanto, foi interrompido após um pedido de destaque e ficou paralisado por mais de dois anos. Em outubro de 2025, um novo voto acompanhou o entendimento da relatora, levando o placar a 2 a 0.

Pouco depois, o julgamento voltou a ser suspenso após novo pedido de destaque, e o caso segue sem conclusão.

Mais do Guiame

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições