Número de brasileiros contra liberação do aborto atinge nível mais alto e chega a 68%

Resultado indica que o Brasil segue majoritariamente conservador sobre o tema, mesmo com o avanço do debate no STF.

Fonte: Guiame, com informações de Poder 360Atualizado: segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026 às 15:49
9ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida e Contra o Aborto. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
9ª Marcha Nacional da Cidadania pela Vida e Contra o Aborto. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

Uma pesquisa do PoderData divulgada neste domingo (1º) mostra que a maioria dos brasileiros é contrária à liberação do aborto no país.

Segundo o levantamento, 68% dos brasileiros afirmam ser contra a legalização do aborto. O índice representa uma alta de 2 pontos percentuais em um ano e alcança o maior patamar desde janeiro de 2021, quando a pergunta passou a integrar a série histórica da pesquisa.

Os que se declaram favoráveis à liberação do aborto somam 22%. O percentual oscilou 1 ponto em relação a janeiro de 2025, variação considerada dentro da margem de erro. Outros 10% dos entrevistados disseram não saber responder.

Os dados indicam que o Brasil mantém uma posição majoritariamente conservadora sobre o tema, mesmo com a intensificação da pauta pró-aborto na mídia e o avanço das discussões no STF.

O levantamento também traz dados estratificados por perfil social e regional.

Entre os que se dizem favoráveis à liberação do aborto, os percentuais são mais altos entre:

- idosos, com 25%;
- moradores da região Norte, com 27%;
- pessoas com ensino fundamental, com 26%.

Já entre os que se declaram contrários ao aborto, os índices são mais elevados:

- na região Sul, onde 74% rejeitam a liberação;
- entre os que têm renda superior a cinco salários mínimos, grupo no qual 72% se posicionam contra.

A pesquisa também cruzou as respostas sobre o aborto com a declaração de voto no segundo turno da eleição presidencial de 2022.

O resultado mostra que a rejeição ao aborto é maioria tanto entre eleitores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto entre os do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Entre os eleitores de Lula, 65% afirmam ser contra a liberação do aborto, enquanto 27% se dizem favoráveis. Já entre os eleitores de Bolsonaro, 73% rejeitam o procedimento e 16% declaram apoio à legalização.

Os números indicam que a oposição ao aborto atravessa diferentes campos ideológicos e eleitorais.

O que diz a lei no Brasil

Atualmente, o aborto é permitido no Brasil apenas em casos específicos: quando a gravidez é resultado de estupro, quando há risco à vida da gestante e quando o feto é diagnosticado com anencefalia.

Fora dessas situações, a interrupção da gravidez é considerada crime pela legislação brasileira. A lei também não estabelece, de forma expressa, um limite máximo de semanas de gestação para a realização do procedimento nos casos em que ele é autorizado.

A pesquisa foi realizada entre os dias 24 e 26 de janeiro de 2026. Ao todo, foram entrevistadas 2.500 pessoas com 16 anos ou mais, em 111 municípios, distribuídos pelas 27 unidades da Federação.

As entrevistas foram feitas por telefone, tanto em linhas fixas quanto em celulares, por meio de um sistema automatizado de respostas, no qual o entrevistado ouve perguntas gravadas e responde pelo teclado do aparelho.

A margem de erro é de 2 pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Para alcançar uma amostra representativa da população brasileira, o PoderData realiza dezenas de milhares de ligações. Em muitos casos, são necessárias mais de 100 mil chamadas até encontrar entrevistados que correspondam proporcionalmente aos recortes de sexo, idade, renda, escolaridade e localização geográfica.

Discussão no STF

O tema também está em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramita uma ação que discute a descriminalização do aborto.

O processo foi pautado em setembro de 2023, quando a então relatora votou a favor da descriminalização da interrupção voluntária da gravidez até a 12ª semana.

O julgamento, no entanto, foi interrompido após um pedido de destaque e ficou paralisado por mais de dois anos. Em outubro de 2025, um novo voto acompanhou o entendimento da relatora, levando o placar a 2 a 0.

Pouco depois, o julgamento voltou a ser suspenso após novo pedido de destaque, e o caso segue sem conclusão.

A pesquisa foi realizada com recursos próprios do PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo.

Os dados passaram por ponderação estatística para corrigir eventuais desproporcionalidades nas variáveis de sexo, idade, grau de instrução, região e renda. Os resultados foram arredondados para facilitar a leitura, o que pode gerar pequenas diferenças na soma dos percentuais.

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