Jovem que sobreviveu após ter crânio esmagado na infância se torna evangelista no Congo

Após sobreviver a um massacre na infância que deixou 19 mortos, Muhindo passou a evangelizar adolescentes em sua aldeia no Congo.

Fonte: GuiameAtualizado: quarta-feira, 13 de maio de 2026 às 18:55
Muhindo na infância. (Foto: Reprodução/Facebook/Evgeniya Foster)
Muhindo na infância. (Foto: Reprodução/Facebook/Evgeniya Foster)

Um jovem que sobreviveu a um massacre brutal durante a infância e teve o crânio esmagado tem impactado adolescentes ao pregar o Evangelho na República Democrática do Congo.

A missionária Evgeniya Foster compartilhou a história de Muhindo nas redes sociais e inspirou milhares de pessoas ao testemunhar o poder transformador de Deus.

Evgeniya e seu marido, Don Foster, acolheram o menino após ele sofrer um grave traumatismo craniano durante um ataque que ocorreu em 14 de outubro de 2014, poucos dias depois da inauguração da primeira escola para crianças do povo Mbuti, em uma floresta.

“As crianças estavam radiantes de alegria. Naquela noite, rebeldes chegaram com facões e machados. Sem aviso prévio”, relembrou a missionária. 

Segundo ela, 19 moradores foram mortos durante o ataque. Além disso, o missionário enviado para viver na comunidade e sua esposa também foram assassinados. 

“Dois de seus quatro filhos estavam com eles na casa que construímos. As crianças sobreviveram apenas porque a mãe as escondeu debaixo da cama. Elas não escaparam de ver os corpos decapitados de seus pais”, disse Evgeniya.

Resposta de oração

Na manhã seguinte, um professor que caminhava em direção à escola encontrou um homem carregando o filho gravemente ferido nos braços. 

“O homem carregava seu filho sangrando, com o crânio esmagado. Inconsciente. Mal estava respirando. Era Muhindo. O amigo de Muhindo, que estava com ele naquela noite, não sobreviveu ao massacre”, relatou ela.

O professor levou o menino às pressas para um hospital. Segundo a missionária, Muhindo passou um mês em estado grave, ligado a aparelhos de suporte à vida: “Sua cabeça inchada do tamanho de uma bola de basquete”.

“Meu marido e eu oramos, mas não tivemos resposta. Oramos novamente, sem obter resposta. Certa noite, estávamos tão desolados com o silêncio que pegamos nossa motocicleta e fomos ao hospital”, acrescentou.

No local, o casal permaneceu em oração. Porém, Don decidiu fazer um ato de fé enquanto clamava a Deus pela vida do menino:

“Meu marido orou e disse: ‘Estou tão cansado. Assim como Jesus, quando aquela mulher o tocou e poder saiu dele, que Muhindo seja tocado por esse mesmo poder’”.

No dia seguinte, Muhindo recuperou a consciência e, após deixar o hospital, foi adotado pelos missionários.

“Ele se tornou o primeiro filho em nossa casa”, contou Evgeniya.

“Ele cresceu conosco. Um dia, durante uma aula bíblica, ele recebeu uma Palavra: que seria um Moisés para o seu povo. Anotei essa profecia e esperei”, acrescentou.

Chamado para evangelizar o seu povo

Doze após o massacre, Muhindo retornou para visitar os missionários e compartilhou uma notícia que emocionou o casal. 

"Comecei a reunir adolescentes da minha aldeia e a ensiná-los a Palavra de Deus", disse o jovem.

Evgeniya destacou que ninguém pediu que ele iniciasse um trabalho evangelístico: “É simplesmente o Espírito Santo continuando a obra que Ele começou há muito tempo”.

Embora ainda carregue marcas do trauma vivido na infância, Muhindo segue pregando o Evangelho em sua comunidade. 

“Muhindo ainda se encolhe ao ver um machado. Mas ele segue em frente, levando Luz à escuridão que quase o matou”, concluiu a missionária.

A missão no Congo

O casal faz parte da organização Love Your Neighbor Africa, fundada por Don Foster após ele ter sido vocacionado para servir populações vulneráveis na África. 

Depois de passar cinco anos trabalhando com a Iris Ministries — organização missionária cristã fundada pelos missionários Heidi Baker e Rolland Baker — em Boine, Moçambique, Don se mudou em 2011 para o nordeste da República Democrática do Congo para atuar entre grupos do povo Mbuti que haviam sido deslocados das florestas tropicais. 


Evgeniya e seu marido, Don Foster. (Foto: Reprodução/Facebook/Evgeniya Foster)

Desde então, o casal desenvolve ações missionárias, projetos educacionais e apoio humanitário às comunidades da região. 

Conforme o site da organização, com expectativa de vida de apenas 29 anos, os Mbuti enfrentam extrema pobreza, dificuldade de acesso à saúde e educação, além de perseguição de outros grupos étnicos da região. 

“Os Mbuti são verdadeiramente algumas das pessoas mais pobres e desfavorecidas deste planeta, e de fato, as mais marginalizadas”, informou o ministério.

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