A oração na perspectiva pentecostal – Parte 1

A oração pentecostal une comunhão com Deus, atuação do Espírito Santo, discernimento bíblico e perseverança mesmo diante da demora.

Fonte: Guiame, Ediudson FontesAtualizado: terça-feira, 1 de setembro de 2026 às 16:56
(Imagem ilustrativa gerada por IA)
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Entre os muitos elementos que marcam a fé cristã, a oração ocupa lugar central na espiritualidade pentecostal. Mais do que um dever religioso ou um rito devocional, ela é compreendida como encontro com Deus, expressão da fé e espaço de comunhão no qual o crente se abre à atuação do Espírito Santo. Orar, nessa perspectiva, envolve adoração, súplica, gratidão, intercessão, escuta e discernimento.

Essa compreensão ajuda a explicar a presença marcante da oração na história e na prática das igrejas pentecostais. Cultos de oração, vigílias, círculos de oração, intercessões coletivas e momentos de clamor fazem parte da experiência de muitas comunidades. A oração não aparece, portanto, como elemento periférico da espiritualidade, mas como uma de suas expressões fundamentais. Steven Félix-Jäger (2022), ao refletir sobre a adoração pentecostal, destaca justamente a importância da experiência comunitária e da atuação do Espírito na vida de culto da igreja.

Oração como relacionamento com Deus

Na perspectiva pentecostal, orar não significa apenas apresentar pedidos a Deus. A oração está relacionada à comunhão, à dependência e ao desenvolvimento de uma vida de intimidade com o Senhor. É possível pedir, interceder e clamar, mas a oração também compreende adoração, gratidão, entrega e disposição para ouvir e obedecer.

Nesse sentido, a espiritualidade pentecostal procura integrar aquilo que se crê com aquilo que se experimenta. Steven J. Land, em sua conhecida reflexão sobre a espiritualidade pentecostal, compreende essa espiritualidade a partir de uma integração entre crenças, práticas e afetos. Assim, a experiência religiosa não deve ser vista simplesmente como oposição à reflexão teológica. Antes, doutrina, experiência e vida cristã encontram-se relacionadas na formação da espiritualidade pentecostal.

Isso significa que a oração alcança a pessoa em sua integralidade. O crente não apenas formula intelectualmente aquilo que acredita acerca de Deus, mas expressa sua fé diante dele. Há palavras, silêncio, lágrimas, alegria, esperança, clamor e expectativa. Essa dimensão experiencial tornou-se uma das características mais reconhecidas da espiritualidade pentecostal.

A oração e a ação do Espírito Santo

Outro elemento fundamental é a convicção de que o Espírito Santo continua atuando na vida da Igreja. Por isso, a oração pentecostal está profundamente relacionada à pneumatologia. O Espírito fortalece, consola, conduz, desperta o crente para a intercessão e capacita a comunidade cristã para sua vida e missão.

A própria Declaração de Fé das Assembleias de Deus afirma a atualidade da atuação do Espírito Santo e dos dons espirituais na Igreja (ASSEMBLEIA DE DEUS, 2017). Essa compreensão ajuda a explicar por que a oração, no ambiente pentecostal, frequentemente está associada à expectativa da ação divina.

Contudo, expectativa não significa ausência de discernimento. Uma espiritualidade pentecostal teologicamente responsável não pode transformar experiência pessoal em autoridade superior às Escrituras. A experiência deve ser discernida à luz da Palavra de Deus. O fervor espiritual, portanto, não precisa ser colocado em oposição à reflexão bíblica e teológica.

Essa relação entre experiência e discernimento é importante especialmente porque o pentecostalismo sempre valorizou a possibilidade de uma experiência viva com Deus. O desafio não consiste em eliminar essa dimensão experiencial, mas em compreendê-la dentro dos limites e princípios da fé cristã.

 

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Na próxima parte, vamos aprofundar outros aspectos da oração na espiritualidade pentecostal. Acompanhe “A oração na perspectiva pentecostal – Parte 2”, no dia 15/09, no Guiame.

 

Referências bibliográficas

ASSEMBLEIA DE DEUS. Declaração de fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.

BUERTEY, Joseph Ignatius Teye. Revisiting Pentecostal Spiritualities with Reference to African Traditional Religious Practices and Pentecostal Theologies of Prayer in Ghana. Dissertation (PhD) — Stellenbosch University.

FÉLIX-JÄGER, Steven. Renewal Worship: A Theology of Pentecostal Doxology. Downers Grove, IL: IVP Academic, 2022.

KIM, Dongsoo. Lukan Pentecostal Theology of Prayer: Is Persistent Prayer Not Biblical? Asian Journal of Pentecostal Studies, v. 7, n. 2.

LAND, Steven J. Pentecostal Spirituality: A Passion for the Kingdom. Cleveland: CPT Press, 2010.

PERSPECTIVAS pentecostais e neopentecostais sobre a oração na contemporaneidade. Paralellus, 2025.

 

Ediudson Fontes (@ediudsonfontes) é pastor auxiliar da Assembleia de Deus Cidade Santa (RJ), teólogo, pós-graduado em Ciências da Religião e mestrando em Teologia Sistemático-Pastoral pela PUC-Rio. Escritor, professor de Teologia, casado com Caroline Fontes e pai de Calebe Fontes.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Frederico Matschulat e sua experiência com o Espírito Santo – Parte 2

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