Atravessando o deserto

A mensagem central de Deuteronômio 8 é lembrar as aflições vividas no deserto para manter um coração humilde diante de Deus.

Fonte: Guiame, Getúlio CidadeAtualizado: quarta-feira, 5 de agosto de 2026 às 17:53
(Imagem ilustrativa gerada por IA)
(Imagem ilustrativa gerada por IA)

O capítulo 8 de Deuteronômio é um dos que melhor resumem o que foi a peregrinação de Israel pelo Sinai. Ele contém a mensagem central do livro que é se lembrar de todas as aflições e dores vividas no deserto para manter um coração humilhado diante de Deus. “E te lembrarás de todo o caminho, pelo qual o Senhor teu Deus te guiou no deserto estes quarenta anos, para te humilhar, e te provar, para saber o que estava no teu coração, se guardarias os seus mandamentos, ou não” (Deuteronômio 8:2).

Moisés mostra a Israel que todo o sofrimento tinha um propósito divino, mas somente agora está sendo revelado. Em contrapartida, Deus não deixou faltar nada e supriu todas as necessidades do povo, além de prover proteção. Em nossa caminhada terrena, o mesmo acontece. Ficamos frustrados com expectativas não correspondidas e murmuramos ou desistimos, sem perceber que estamos sendo testados diariamente. “Sabes, pois, no teu coração que, como um homem castiga a seu filho, assim te castiga o Senhor teu Deus” (Deuteronômio 8:5).

Discernindo a disciplina

Aqui jaz talvez a maior dificuldade da vida cristã: enxergar situações que consistem em disciplina de Deus para nos corrigir. Embora não seja motivo de alegria, ser corrigido por Deus é sinal de amor e, mais que isso, um privilégio exclusivo apenas para os filhos.

“Para não suceder que […] se ensoberbeça o teu coração e te esqueças do Senhor teu Deus, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão; que te guiou por aquele grande e terrível deserto de serpentes abrasadoras, de escorpiões, de terra árida e sem água, onde fez jorrar para ti água da pedra dos rochedos; que no deserto te sustentou com maná que teus pais não conheceram, a fim de te humilhar e provar para, no fim, te fazer bem” (Deuteronômio 8:12-16).

Moisés mostra ao povo que Deus os humilhara com o propósito de prová-los e ensiná-los, tendo por fim o claro objetivo de lhes fazer o bem. Deus não é nenhum carrasco que se diverte infligindo sofrimento ao homem. Seu objetivo final é sempre nos fazer o bem, mesmo em meio ao sofrimento que Ele usa para alcançá-lo, por mais paradoxal que isso pareça.

Um lugar especial

Por outro lado, não é tão fácil manter esse mesmo coração humilhado quando se tem uma vida próspera em todos os níveis. A tentação de bater no peito e se achar autossuficiente é grande. E aí reside o perigo; um passo em falso e a queda é inevitável. O alerta de Moisés vale para todas as eras e todos os homens. Lembrar de onde viemos e o que Deus fez por nós deve ser um exercício constante, pois nos ajuda a manter a postura correta de humildade.

O deserto certamente não é um lugar confortável para se estar, muito menos para se habitar. Entretanto, aquele deserto que Israel atravessou era especial. E o que o tornou assim foi a inegável presença de Deus junto a seu povo. O que torna nosso deserto pessoal especial é a presença de Deus junto a nós. É justamente esse apelo da presença e da fidelidade de Deus que Moisés faz a Israel para não se esquecer, a fim de que não “se ensoberbeça o teu coração”.

Israel saiu do deserto melhor do que quando entrou. As disciplinas impostas por Deus não foram simples e o tratamento foi severo. Contudo, em cada uma delas, via-se o zelo do Senhor por corrigir e endireitar um povo de “dura cerviz”, a fim de prepará-lo para conquistar a Terra Prometida. Conosco não será diferente.

“Na verdade, nenhuma correção parece no momento ser motivo de gozo, mas de tristeza. Contudo, depois produz um fruto pacífico de justiça nos que por ela têm sido exercitados” (Hebreus 12:11).

Para saber mais, acesse https://www.aoliveiranatural.com.br/2021/08/07/licoes-de-quarenta-anos-no-deserto/

 

Getúlio Cidade é escritor, tradutor e hebraísta, autor de A Oliveira Natural: As Raízes Judaicas do Cristianismo e do blog www.aoliveiranatural.com.br.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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