Antissemitismo: José Genoino sugere boicote a ‘empresas de judeus’

A declaração do ex-parlamentar petista sugere boicote a “empresas de judeus” e “empresas vinculadas ao estado de Israel".

Fonte: Guiame, com informações do UOLAtualizado: segunda-feira, 22 de janeiro de 2024 às 12:38
José Genoíno, ex-presidente nacional do PT. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
José Genoíno, ex-presidente nacional do PT. (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

O ex-deputado federal José Genoino (PT-SP) disse, em uma transmissão ao vivo no sábado (20), que concorda com a "ideia de boicote" a " determinadas empresas de judeus" e a "empresas vinculadas ao estado de Israel".

Genoino discutia a possibilidade de boicote à rede de lojas Magazine Luiza devido ao apoio da empresária Luiza Trajano a um abaixo-assinado que solicitava que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desistisse de apoiar uma ação da África do Sul contra Israel sob a acusação de genocídio.

Em resposta à declaração do ex-parlamentar petista, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) repudiou "veementemente" a fala e a classificou como antissemita.

"O boicote a judeus foi uma das primeiras medidas adotadas pelo regime nazista contra a comunidade judaica alemã, que culminou no Holocausto", destacou a entidade.

"A Conib mais uma vez apela às lideranças políticas brasileiras que atuem com moderação e equilíbrio diante do trágico conflito no Oriente Médio pois suas falas extremadas e em desacordo com a tradição da política externa brasileira podem importar as tensões daquela região ao nosso país".

A Federação Israelita do Estado de São Paulo também se pronunciou: "O antissemitismo merece total reprovação. Esperamos, mais uma vez, a retratação e principalmente o repúdio das pessoas de bem que defendem os valores da paz e da democracia."

Defesa do boicote

As declarações de Genoino aconteceram durante uma transmissão ao vivo no canal DCM TV, no YouTube. Um dos comentaristas manifestou sua decepção com Luiza Trajano, que endossou um abaixo-assinado solicitando que Lula reconsiderasse seu apoio à África do Sul na acusação de genocídio contra Israel.

O manifesto, assinado por mais de 17 mil pessoas, argumenta que a acusação sul-africana é infundada e pede uma abordagem "justa e equilibrada" por parte do governo brasileiro.

Outro participante, o Prof. Viaro relata que há comentários nas redes sociais de pessoas que deixariam de comprar na Magazine Luiza. Genoino, em resposta, comenta que acha "interessante" a ideia de boicote a certas empresas.

"Acho interessante essa ideia da rejeição, essa ideia do boicote por motivos políticos que ferem interesses econômicos, é uma forma interessante. Inclusive tem esse boicote em relação a determinadas empresas de judeus", disse.

E continuou: “Há, por exemplo, boicote a empresas vinculadas ao Estado de Israel. Inclusive, acho que o Brasil deveria cortar as relações comerciais, na área da segurança e na área militar com o Estado de Israel."

Acusação contra Israel

A África do Sul apresentou a denúncia em 29 de dezembro de 2023, abordando alegadas violações da Convenção sobre a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio no conflito na Faixa de Gaza.

O caso foi levado à Corte Internacional de Haia com argumentação de que falas de autoridades israelenses comprovariam a intenção de cometer genocídio, como por exemplo, quando o ministro da Defesa, Yoav Gallant, chamou palestinos de "animais humanos".

Israel nega de forma categórica a acusação e argumenta que a ofensiva na Faixa de Gaza foi uma resposta ao ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro, que produziram 1.200 mortes em solo israelense, além de 240 pessoas levadas reféns pelos terroristas para Gaza.

O governo brasileiro decidiu apoiar a denúncia contra Israel na Corte Internacional de Justiça (CIJ) apresentada pela África do Sul, que alega genocídio israelense contra o povo palestino na Faixa de Gaza.

 

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