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Israel

Escavação em Israel com arqueólogos do Brasil revela inscrição de 3.200 anos que cita Baal

Achado em Láquis, com participação do Museu de Arqueologia Bíblica da Unasp, reforça importância de Israel na evolução do alfabeto semítico.

Fonte: GuiameAtualizado: quarta-feira, 13 de maio de 2026 às 12:59
Vista aérea de Tel Láquis durante as escavações de 2025, em Israel, onde a inscrição foi encontrada. (Foto: E. Aladjem/S. Halevi)
Vista aérea de Tel Láquis durante as escavações de 2025, em Israel, onde a inscrição foi encontrada. (Foto: E. Aladjem/S. Halevi)

Durante a sétima temporada de escavações no sítio arqueológico de Láquis, em Israel, pesquisadores descobriram uma inscrição parcialmente preservada que pode ampliar a compreensão sobre a origem e a evolução do alfabeto semítico antigo.

A publicação do artefato ocorreu neste ano, após as escavações realizadas em 2025 por uma equipe internacional de arqueólogos.

Entre os participantes esteve a equipe do MAB UNASP (Museu de Arqueologia Bíblica do Centro Universitário Adventista de São Paulo), um equipamento cultural museológico sem fins lucrativos, comunitário e filantrópico, que atuou em parceria com a Hebrew University of Jerusalem.

A expedição também contou com a colaboração de especialistas, pesquisadores e voluntários da Seoul Jangsin University e do Universidade Adventista de São Paulo.

Idade do Bronze

O achado foi localizado em uma vala de descarte na Área FF, no topo do monte de Láquis, e pertence ao chamado Nível VI – último assentamento da Idade do Bronze antes da destruição da cidade, em meados do século XII a.C.

A inscrição foi feita com tinta avermelhada no rebordo de um jarro de cerâmica, acima de uma decoração geométrica formada por triângulos ou losangos.

Imagens multiespectrais do fragmento de cerâmica sob luz de 590 nanômetros. (Foto: S. Halevi)

Apesar de o fragmento apresentar danos laterais e horizontais, os pesquisadores conseguiram identificar o nome “Bʻlšlṭ”, que pode ser traduzido como “Baal governa” ou “Baal é vitorioso”, possivelmente indicando o proprietário do vaso.

Segundo os arqueólogos, a descoberta reforça a importância de Láquis para o estudo das inscrições da Idade do Bronze.

Evolução da epigrafia

A escrita foi produzida da direita para a esquerda com o uso de uma espécie de “caneta” e representa um estágio avançado de padronização do alfabeto cananeu linear – precursor das escritas israelita, fenícia e aramaica desenvolvidas séculos depois.

Os pesquisadores afirmam ainda que o artefato antecede em cerca de um século os registros anteriormente considerados os mais antigos da região.

Vista aérea da Área FF, em Tel Láquis, mostrando os quadrantes da escavação e o local onde o artefato foi encontrado. (Foto: E. Aladjem)

O fato de a peça ter sido produzida em uma oficina local no sul da Palestina também desafia teorias de que o desenvolvimento do alfabeto teria ocorrido exclusivamente na Fenícia.

Outro aspecto considerado relevante pelos especialistas é a variação na espessura dos traços da escrita, indicando domínio técnico e um estilo que já apresenta características observadas posteriormente nas escritas semíticas.

Para os estudiosos, a descoberta oferece uma nova perspectiva sobre a evolução da epigrafia – área que estuda inscrições antigas gravadas em materiais como pedra, cerâmica e metal – no Oriente Médio antigo e pode contribuir para futuras pesquisas sobre as origens do alfabeto.

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