Um cristão, de 61 anos, morreu na prisão enquanto aguardava julgamento por uma falsa acusação de blasfêmia, no Paquistão.
Após quase um ano na penitenciária, Amir Peter morreu em 1º de julho por não receber cuidados médicos adequados, segundo o Morning Star News.
Ele foi preso em 19 de julho de 2025 depois que um lojista muçulmano, Sanor Ali, o acusou de blasfemar contra o profeta Maomé – prática considera crime passível de pena de morte no Paquistão.
Tudo começou quando Amir reclamou do preço alto no supermercado do muçulmano. Durante o desentendimento, Sanor agrediu o cristão verbalmente e fisicamente, em Lahore, na província de Punjab.
Segundo a organização Christians' True Spirit (CTS), que defendeu Amir no caso, o cristão negou ter feito qualquer comentário ofensivo sobre o Islã ou o profeta Maomé.
"Ele também disse que a polícia o espancou enquanto ele estava sob custódia e o pressionou a confessar um crime que não cometeu, mas ele se recusou", relatou Katherine Sapna, diretora executiva da CTS.
"O denunciante [Sanor] não identificou um único comentário que pudesse ser desrespeito ao profeta Maomé. Essa disputa poderia ter sido resolvida pela polícia sem acusações criminais, mas, em vez disso, eles supostamente torturaram um homem inocente e o prenderam”, acrescentou.
Estado de saúde agravado
Amir Peter foi transferido da Prisão Distrital de Lahore para o Instituto de Saúde Mental de Punjab (PIMH) após seu estado de saúde mental e física se agravar durante a custódia.
"Ele vinha sofrendo de demência avançada, e sua saúde continuou a piorar durante toda a detenção", disse Katherine.
Então, um grupo de médicos do PIMH determinou que Amir não estava mentalmente apto para ser julgado.
Com base nessa avaliação, os advogados do CTS apresentaram um pedido de fiança por motivos médicos na Justiça. Porém, antes de conseguir a libertação, o cristão faleceu.
"Em uma audiência em 29 de junho, o juiz ordenou que o médico do PIMH que examinou Peter aparecesse como testemunha no tribunal na próxima audiência", afirmou Katherine.
"É de partir o coração que, apesar de todos os nossos esforços, ele tenha ido estar com o Senhor antes que pudéssemos garantir sua liberdade dessa falsa acusação”, lamentou.
A diretora denunciou que o cristão não recebeu os cuidados de saúde que necessitava enquanto estava preso.
“Este incidente mais uma vez destaca as consequências devastadoras do uso indevido das leis de blasfêmia do Paquistão. Os responsáveis devem ser responsabilizados para que tais injustiças não se repitam”, defendeu ela.
Perseguição no Paquistão
Os cristãos paquistaneses fazem parte de um grupo minoritário alvo de perseguição de islâmicos, autoridades e comunidades.
As leis de blasfêmia do Paquistão são frequentemente usadas para atacar os seguidores de Cristo, que são vítimas de agressão e linchamentos.
“Ser acusado de blasfêmia é algo extremamente sério no Paquistão e tem consequências que mudam a vida da pessoa envolvida e de sua família. Pedimos que as investigações sejam conduzidas de forma rigorosa por agentes experientes e que todas as evidências sejam cuidadosamente examinadas”, declarou um porta-voz da Portas Abertas Internacional.
O Paquistão, cuja população é 96% muçulmana, ficou em 8º lugar na Lista Mundial da Perseguição 2026 da Portas Abertas, dos lugares mais difíceis para ser cristão.
