
Uma cristã de 16 anos está lutando para anular o casamento que foi forçada a entrar por um muçulmano, no Paquistão.
Aneeqa Ishaq foi sequestrada e obrigada a se converter ao isamismo por um colega de trabalho, na cidade de Lahore.
A adolescente contou que começou a trabalhar em um restaurante para ajudar no sustento de sua família, que passa por dificuldades financeiras.
Após três meses trabalhando no local, um colega muçulmano, chamado Majid Ali, começou a pressioná-la para se casar com ele.
"Eu disse categoricamente que era cristã e que não me casaria fora da minha fé. Quando ele se recusou a parar, informei minha família sobre seu comportamento persistente, e eles imediatamente falaram para eu pedir demissão”, disse ela, ao Morning Star News.
A jovem saiu do restaurante em agosto de 2025. Mais tarde, Aneeqa conseguiu um novo emprego como professora em um jardim de infância.
"Somos uma família de quatro. Meu pai está desempregado, minha mãe trabalha em uma fábrica de roupas, e minha irmã mais velha não trabalha. Não tive escolha a não ser ganhar uma renda para ajudar a sustentar minha família”, explicou.
Em 4 de janeiro deste ano, a adolescente estava a caminho da igreja com sua irmã e uma prima, quando Ali a abordou de carro com outros dois homens, apontou uma arma para ela e a forçou a entrar no veículo.
"Antes que eu pudesse me recuperar do choque, eles cobriram meu rosto com um pano e eu perdi a consciência" lembrou.
Aneeqa foi levada para uma casa a cerca de 420 quilômetros de Lahore. “Ali e vários homens de barbas longas me cercaram. Quando perguntei por que me trouxeram para lá, um deles disse que eu estava tão longe de Lahore que meus pais nunca conseguiriam me encontrar. Eles me avisaram para obedecer às instruções deles ou minha família e eu sofreríamos as consequências”, afirmou.
Eles forçaram a adolescente cristã a se converter ao Islã, fazendo a declaração da fé islâmica. Em seguida, a levaram a um tribunal e a obrigaram a assinar papeis.
"Eles me obrigaram a colocar minha impressão digital e assinatura em documentos que eu não podia ler. Também fui obrigada a assinar uma declaração afirmando que me converti ao Islã e me casei com Ali por vontade própria”, relatou.
Cativeiro
Nos seis meses seguintes, Aneeqa foi mantida em cárcere privado e transferida para diferentes cativeiros.
"Ali costumava me bater sempre que eu implorava para ele me deixar voltar para minha família", denunciou ela.
Até que no início de julho, a cristã conseguiu pegar um celular e ligar para sua irmã. "Eu disse a ela que estava em Bahawalnagar, compartilhei minha localização no WhatsApp e implorei para que ela me resgatasse", lembrou.
Resgatada
Imediatamente, a família entrou em contato com o advogado cristão Zunaira Patrick. Com ajuda da polícia local, eles conseguiram resgatar Aneeqa.
Em um tribunal, a adolescente contou o que havia acontecido e o juiz permitiu que ela voltasse com a família para Lahore.
O advogado da adolescente informou que entrou com uma petição na Justiça para anular o casamento.
"A família está relutante em processar Ali criminalmente neste momento, o que é compreensível dado o trauma que sofreram. Eles mudaram de casa e até de número de telefone porque temem serem rastreados”, afirmou Patrick.
Ele enfatizou que o casamento e a conversão forçada "são graves violações dos direitos humanos que minam as garantias constitucionais de liberdade religiosa, liberdade pessoal e dignidade humana. Toda vítima merece proteção imparcial perante a lei, independentemente de fé ou origem”.
Aneeqa declarou que compartilhou sua história para ajudar a evitar que outras meninas sofressem o mesmo.
E aconselhou outras jovens cristãs no Paquistão: “Essas pessoas frequentemente atraem garotas com falsas promessas de amor e casamento. Se um homem não cristão se aproximar de você, informe sua família imediatamente. Quanto mais você tenta lidar com isso sozinha, mais encorajado o agressor se torna. A rejeição vira uma questão de ego e vingança por eles”.
Meninas cristãs violadas
O sequestro e o casamento forçado de meninas cristãs têm se tornado comuns no Paquistão. De acordo com a Portas Abertas, o Paquistão é o país com mais casos de casamentos forçados, com cerca de mil cristãos vítimas nos últimos dois anos.
As garotas cristãs raptadas por muçulmanos sofrem ameaças de que elas ou suas famílias serão mortas caso não declarem no tribunal que se converteram ao islã e se casaram por vontade própria.
No país, relações sexuais com meninas com menos de 16 anos é considerado legalmente como estupro, porém, na maioria dos casos uma certidão de conversão falsificada e uma certidão de casamento islâmica influenciam a polícia a não imputar punição aos sequestradores.
O Paquistão ficou novamente em 8º lugar na Lista Mundial de Vigilância 2026 da Portas Abertas, que avalia a perseguição enfrentada por cristãos em todo o mundo.
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