94% dos pastores temem que IA interprete a Bíblia de forma errada, diz pesquisa

Estudo do Barna mostra que líderes aceitam o uso da inteligência artificial no estudo bíblico, mas defendem que ela não determine qual interpretação é correta.

Fonte: Guiame, com informações do BarnaAtualizado: quinta-feira, 27 de agosto de 2026 às 16:31
Pesquisa aponta que pastores defendem cautela no uso da IA para interpretar as Escrituras. (Foto: Unsplash / Nicholas Benaya)
Pesquisa aponta que pastores defendem cautela no uso da IA para interpretar as Escrituras. (Foto: Unsplash / Nicholas Benaya)

Uma pesquisa do Barna Group revelou que 94% dos pastores protestantes dos EUA estão preocupados com a possibilidade de a inteligência artificial interpretar a Bíblia de maneira equivocada.

O receio também aparece entre os cristãos praticantes, com 83%, e entre os adultos americanos em geral, com 74%.

Apesar da preocupação, os líderes não defendem que a IA seja excluída do estudo das Escrituras.

A maioria prefere que a tecnologia funcione como uma ferramenta de apoio, apresentando diferentes interpretações sem assumir o papel de definir qual delas é correta.

IA como ferramenta de apoio

Segundo o levantamento, 60% dos pastores afirmaram que a IA deveria apresentar as principais interpretações de uma passagem bíblica e explicar suas diferenças, sem apontar uma delas como definitiva.

Apenas 10% dos líderes disseram preferir que a tecnologia indique qual interpretação considera correta.

Entre os cristãos praticantes, 26% defenderam que a IA apresente diferentes perspectivas, enquanto outros 26% disseram que gostariam que ela apontasse a melhor interpretação.

Para Daniel Copeland, vice-presidente de pesquisa do Barna, os dados mostram que os pastores preferem usar a IA como instrumento de aprendizado, e não como uma autoridade espiritual.

“Essa abordagem aponta para o uso da IA como uma ferramenta para auxiliar o aprendizado, não para dizer a eles o que pensar”, afirmou.

Divergências teológicas

A pesquisa também mostrou que os pastores valorizam transparência quando a IA responde sobre temas controversos.

Cerca de 32% afirmaram que a tecnologia deveria citar explicitamente as divergências entre estudiosos e indicar as fontes envolvidas no debate.

Apenas 5% disseram que a IA deveria evitar completamente perguntas sobre passagens controversas, enquanto 9% acreditam que ela não deveria interpretar questões nas quais os próprios teólogos discordam.

Segundo Copeland, os resultados indicam que os líderes enxergam espaço para a tecnologia no estudo bíblico, desde que ela amplie a compreensão do usuário e não substitua o processo de interpretação.

Cristãos já usam IA

O levantamento integra a série Faith & AI, realizada pelo Barna em parceria com a Gloo.

Pesquisas anteriores do instituto mostraram que 44% dos cristãos praticantes usam inteligência artificial com frequência na vida pessoal, contra 31% dos adultos americanos em geral.

Cerca de um terço também afirmou ter recorrido à IA recentemente para questões espirituais ou relacionadas à Bíblia.

A pesquisa ouviu 1.514 adultos americanos, em novembro de 2025, e 442 pastores protestantes, em dezembro do mesmo ano.

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