Cristãs sofrem estupros em massa na Nigéria, denuncia especialista em perseguição

Nina Shea alertou para os casos de mulheres cristãs que são sequestradas por extremistas Fulani, mantidas em cativeiro em floresta e abusadas, no estado de Kaduna.

Fonte: Guiame, com informações de Truth NigeriaAtualizado: sexta-feira, 25 de setembro de 2026 às 15:33
Imagem ilustrativa. (Foto: Reprodução/YouTube/Portas Abertas).
Imagem ilustrativa. (Foto: Reprodução/YouTube/Portas Abertas).

Conteúdo sensível: esta matéria contém relatos de violência sexual.

Uma das principais especialistas dos Estados Unidos em perseguição classificou os frequentes abusos sexuais contra mulheres cristãs na Nigéria como estupros sistemáticos.

Nina Shea fez um alerta para os casos de cristãs que são sequestradas por extremistas islâmicos Fulani, mantidas em cativeiro na floresta de Rijana e abusadas, em áreas rurais do estado de Kaduna.

"O estupro sistemático tem sido, desde tempos imemoriais, uma tática brutal de guerra primitiva", declarou a defensora da liberdade religiosa, em entrevista ao jornal nigeriano Truth Nigeria.

E observou: “Deixadas indefesas diante de repetidos ataques de estupro, as mulheres sofrem traumas profundos, os homens se sentem desmoralizados e derrotados, e vila após vila, a comunidade da igreja é destruída".

Shea criticou a falta de ação das autoridades locais para proteger as cristãs. "Na Nigéria, é mais um exemplo de uma guerra Fulani atingindo comunidades cristãs indefesas enquanto seu governo fica passivamente observando. O governo até nega às vítimas qualquer meio significativo de legítima defesa, apesar do ataque implacável", afirmou.

A especialista, que é diretora do Centro para a Liberdade Religiosa do Hudson Institute, pediu que o governo americano pressione a Nigéria a fim de proteger os cristãos perseguidos.

"Estupro, até mesmo estupro em massa e sistemático, foi fácil de ignorar pelos homens que governam em Abuja (capital da Nigéria), e os homens pagaram milhões para fazer lobby em favor destes últimos em Washington. A administração Trump deve se manter firme contra essa e outras abominações", defendeu.

Sobreviventes

Segundo o Truth Nigeria, cristãs que sobreviveram a ataques relataram que foram raptadas por terroristas perto de suas fazendas e levadas para acampamentos ao redor da floresta de Rijana e estupradas repetidamente – em alguns casos, durante horas – antes de serem libertadas.

Ruth Maigari, uma agricultora cristã de 30 anos, foi uma das vítimas. No dia 23 de junho deste ano, dois homens armados a sequestraram, enquanto seu marido comprava fertilizante.

"Eles me forçaram a entrar em uma motocicleta. O que estava atrás ficava me tocando e me cutucando com o cano da arma dele”, disse ela.

Os extremistas levaram Ruth para um acampamento e, dentro de uma cabana, ordenaram que ela se despisse.

"Eles se revezaram para me estuprar por mais de duas horas, uma após a outra. Eu desmaiei. Depois me acordaram e continuaram”, lembrou.

Na manhã do dia seguinte, os raptores a libertaram e lhe deram cerca de dois dólares.

Discriminação e rejeição

Mairo Daniel, um morador local, afirmou que a violência sexual contra mulheres cristãs é generalizada, mas que muitas vítimas permaneceram em silêncio para não sofrer discriminação e rejeição.

"Algumas podem enfrentar divórcio se os maridos descobrirem que foram estupradas por terroristas em cativeiro", explicou ele.

De acordo com Ali Ado Alipiri, presidente do Campo de Deslocados Internos de Kajuru em Kaduna, os extremistas usam o estupro como uma forma de dominar comunidades inteiras.

"Fulanis vêm sequestrando e agredindo sexualmente mulheres desde 2016. Foi quando começamos a ouvir sobre esses casos”, falou.

Alipiri ainda denunciou que as autoridades do estado de Kaduna sabem dos estupros sistemáticos contra cristãs, porém não tomaram nenhuma medida.

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