
O Índice Global de Perseguição de 2026, produzido pela International Christian Concern (ICC), revela situações profundamente malignas enfrentadas por cristãos em várias partes do mundo, relatou Shawn Wright, presidente da organização.
Wright apontou que a maior surpresa no relatório é, sem dúvida, a Nigéria.
“Na Nigéria, em particular, o aumento da perseguição é de uma magnitude incompreensível”, afirmou.
“Antes de 2024, falávamos em cerca de 500 ou 600 pessoas mortas ao longo de um ano; apenas no último ano, esse número ultrapassou 2.500 – e continua crescendo rapidamente.”
Wright acrescentou: “A Nigéria responde por quase 90% de toda a perseguição que conseguimos monitorar no mundo.”
Segundo ele, militantes fulani são responsáveis por mais de 40% dos ataques, enquanto outros grupos extremistas de orientação muçulmana também contribuem para a violência.
Comunidades inteiras têm sido expulsas, dispersas e devastadas. Crianças, em especial, acabam presas no fogo cruzado dessas tragédias.
“Estive há apenas dois meses em dois desses campos administrados pelo governo nigeriano, onde fui pessoalmente verificar a situação”, relatou Wright.
“Esses campos ficam a pouco mais de um quilômetro do local onde essas famílias viviam… e muitas das crianças que encontrei estavam órfãs, porque seus pais foram mortos nos ataques.”
Vidas destruídas
Os números alarmantes revelam uma realidade ainda mais dolorosa: vidas estão sendo profundamente afetadas e, em muitos casos, destruídas pela perseguição.
“Por trás de cada número há uma pessoa real: um marido, uma esposa, um pastor, uma criança que decidiu permanecer fiel a Cristo mesmo diante de perseguições avassaladoras”, afirmou.
“O índice não é apenas um relatório sobre perseguição. É um chamado para que a igreja global se una em solidariedade aos nossos irmãos e irmãs que sofrem por sua fé, porque cada estatística representa alguém que escolheu Jesus em vez da segurança.”
Shawn Wright, presidente da International Christian Concern (ICC). (Captura de tela/CBN News)
Wright destacou que os cristãos não deveriam se espantar com o avanço da perseguição, dizendo acreditar que o Novo Testamento trata desse tema de forma bastante direta.
Segundo ele, o próprio Jesus advertiu seus seguidores de que enfrentariam oposição por causa de sua decisão de segui‑lo.
“Hebreus 13:3 é muito claro ao afirmar que devemos nos lembrar daqueles que estão presos por causa de sua fé, como se estivéssemos acorrentados com eles”, disse ele.
Governo cúmplice
Wright afirmou que, em muitos casos, o próprio governo acaba sendo cúmplice desses episódios de violência simplesmente por fechar os olhos diante do que ocorre.
Ele também mencionou outras regiões que chamaram a atenção, incluindo partes da América do Sul e países como China e Índia, onde o índice identificou níveis de perseguição que estão crescendo ou permanecem alarmantes.
Perseguição na China
Ao contrário da Nigéria, a perseguição na China assume contornos muito distintos.
O Partido Comunista Chinês (PCC) reprime crenças religiosas e restringe a atuação de cristãos e outras minorias, utilizando tecnologia para ampliar o controle e facilitar a perseguição.
“A China, por exemplo, emprega controle estatal, vigilância constante, pressão sobre as igrejas e até o fechamento delas”, explicou Wright ao descrever o cenário.
“Mas o principal instrumento usado pelo país é a vigilância eletrônica – tecnologia que eles também vendem e fornecem a outros governos, como Irã, Paquistão, Índia e diversas nações do Sudeste e do Leste Asiático. Isso oferece a esses governos uma forma mais eficiente de rastrear grupos considerados dissidentes, permitindo monitorar cristãos de maneira particularmente rigorosa.”
Lei anticonversão na Índia
Enquanto isso, a Índia apresenta mais um exemplo trágico desse padrão de perseguição, com o nacionalismo hindu impulsionando grande parte do problema, segundo Wright.
Ele afirma que o governo, na prática, “proibiu a evangelização” por meio de regras e regulamentos que restringem a atuação de organizações e grupos cristãs.
“Eles também têm leis anticonversão… que miram estrategicamente os cristãos, proibindo-os de compartilhar sua fé, ponto final”, disse Wright.
“E até mesmo a forma como essas leis foram redigidas em 13 estados levanta dúvidas sobre a possibilidade de compartilhar a fé com outros cristãos.”
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