Eleições 2026: O que os cristãos devem considerar na hora de votar?

Pastores e líderes ressaltam a importância de avaliar candidatos com sabedoria, oração e à luz das Escrituras.

Fonte: Guiame Atualizado: sexta-feira, 25 de setembro de 2026 às 14:00
Eleitores irão às urnas no dia 4 de outubro para o primeiro turno das Eleições 2026. (Foto: Luiz Roberto/TSE)
Eleitores irão às urnas no dia 4 de outubro para o primeiro turno das Eleições 2026. (Foto: Luiz Roberto/TSE)

No próximo dia 4 de outubro, mais de 158,7 milhões de brasileiros estarão aptos a ir às urnas para o primeiro turno das Eleições 2026. O eleitor fará seis escolhas: deputado federal, deputado estadual, dois senadores, governador e presidente da República.

A poucos dias da votação, pastores e líderes têm usado as redes sociais para refletir sobre o momento político do país e orientar os cristãos sobre princípios que, segundo eles, devem ser considerados na hora do voto.

Entre os temas abordados estão a responsabilidade do cristão nas eleições, a avaliação das propostas à luz da Bíblia, o cuidado para não transformar políticos em representantes absolutos da fé cristã e a importância da oração pela nação.

‘A fé também tem que definir como eu voto’

O pastor Filipe Duque Estrada, conhecido como pastor Lipão, afirmou que o cristão não deve colocar sua identidade em correntes políticas ou partidos, mas também não deve usar a fé como justificativa para se afastar das decisões que envolvem a sociedade.

“Eu não sou nem de esquerda, nem de direita. Eu sou de Jesus. Eles me fazem lembrar a igreja de Corinto, que dizia: ‘Eu sou de Apolo, eu sou de Paulo’, e alguns diziam, inclusive: ‘Eu sou de Cristo’.”

Segundo o líder da Igreja Onda Dura, embora a Bíblia não apresente uma orientação partidária, ela oferece princípios que podem nortear as escolhas políticas dos cristãos.

“É verdade que a Bíblia não entrega uma visão partidária. Jesus não cabe em nenhum partido. Nenhum político representa completamente Jesus. Mas a Bíblia nos entrega uma cosmovisão.”

O pastor citou, entre esses princípios, a dignidade da vida, a liberdade, a justiça, o trabalho e o cuidado com os vulneráveis.

“Portanto, a fé não pode apenas definir como eu oro; ela também tem que definir como eu voto. O cristão não deve entregar sua consciência a um partido, mas também não pode fingir que todas as ideias políticas são moralmente iguais.”

E concluiu: “Deus não vai te dar o número de um candidato, mas Ele te dá princípios para você poder definir o seu voto.”

Caráter, competência e cosmovisão cristã

O pastor Teo Hayashi, líder da Zion Church, também falou sobre os critérios que considera importantes para a escolha de candidatos.

“Para a escolha de candidato, estou olhando três questões: primeiro, você tem que olhar o caráter; segundo, a competência; e, terceiro, o alinhamento incondicional à cosmovisão cristã.”

Em sua publicação, Hayashi chegou a apresentar suas escolhas pessoais para diferentes cargos. Ao orientar os cristãos, porém, ressaltou que pode haver divergências entre os eleitores e defendeu que cada um avalie seu voto de acordo com suas convicções e os princípios bíblicos.

“Talvez você venha a discordar de um ou de outro, ou até concordar com todos. Desde que você esteja votando de acordo com a Palavra de Deus e com aquilo que os princípios da Palavra instruem, eu também estou aí junto contigo.”

Para o pastor, a participação nas eleições também faz parte dessa responsabilidade.

“Não votar não é nenhuma opção para o cristão, especialmente no contexto do momento que o país está vivendo.”

‘Não tem desespero’

Já o pastor Douglas Gonçalves, fundador do JesusCopy, destacou a necessidade de o cristão votar com sabedoria, oração e reflexão, sem tratar o resultado eleitoral como se estivesse acima da soberania de Deus.

“Nós precisamos votar. ‘Meu Deus, se não entrar o fulano, acabou o mundo.’ Tem alguém que está no trono, governando todas as coisas, que põe e tira governantes. Ele está no trono.”

Douglas orientou os cristãos a refletirem sobre suas escolhas à luz das Escrituras.

“[Precisamos exercer] uma posição de sabedoria, orar sobre isso, interceder, pensar, raciocinar, olhar para as Escrituras e perguntar qual seria a melhor decisão. E ir, de forma muito responsável, e votar.”

E enfatizou: “Não tem desespero. ... Tem alguém que é dono de todas as nações.”

 
 
 
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Na mesma conversa, o pastor Fábio Coelho chamou a atenção para outro aspecto da relação entre Igreja e política: o conteúdo dos púlpitos.

Ao comentar a crítica do apresentador Rogério Vilela, do podcast Inteligência Ltda., sobre pastores indicarem candidatos nas igrejas, Fábio afirmou que a principal missão pastoral é o discipulado e que o Evangelho deve permanecer no centro da pregação.

“Um pastor, ou um grupo de pastores, tem uma função, que é discipular as ovelhas de Jesus. E qual é a mensagem central dos púlpitos da igreja evangélica? O nome já diz: igreja evangélica ou igreja cristã. É o Evangelho.”

“Então, o Evangelho precisa ser a mensagem central do púlpito”, acrescentou.

‘Compete a nós governar pela oração’

A pregadora Valnice Milhomens, por sua vez, destacou a oração como responsabilidade da Igreja diante do cenário nacional.

“Nós, como Igreja de Cristo nesta nação, profetas, temos que nos levantar, porque compete a nós governar pela oração.”

Ao abordar os Três Poderes, Valnice relacionou a autoridade exercida por governantes e instituições à soberania de Deus.

“Yahweh é o nosso juiz. [...] Ele é o supremo juiz, e toda justiça Dele procede. Todo juiz da Terra deveria julgar de acordo com o supremo juiz e a Sua reta justiça.”

Sobre o Legislativo, declarou: “Yahweh, o Deus soberano, é o legislador supremo”. Segundo ela, as leis “federais, estaduais e municipais” devem ser de acordo com os princípios estabelecidos por Deus.

Por fim, ao falar sobre o Executivo, afirmou:

“Yahweh é o nosso Rei. [...] Ele é o Rei dos reis, Ele é o Senhor dos senhores. Todo rei, todo presidente, todo primeiro-ministro, não importa qual seja o sistema de governo, deve se sujeitar Àquele que tem autoridade suprema.”

E concluiu: “Todo governo deve se alinhar ao supremo Rei, Senhor do Universo.”

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