
O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, liderou as eleições parlamentares realizadas na terça-feira (27), mas seu bloco político não conquistou a maioria necessária para formar um novo governo.
Apesar do resultado, Netanyahu permanecerá no cargo de primeiro-ministro durante as negociações para a formação de uma nova coalizão, até que um novo governo seja constituído.
Com a contagem dos votos concluída nesta quinta-feira (29), o bloco de Netanyahu ficou com 53 das 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. Já os partidos de oposição liderados por Gadi Eisenkot conquistaram 48 cadeiras, enquanto as legendas árabes somaram 19.
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Bloco de Netanyahu conquista 53 das 120 cadeiras do Parlamento israelense, mas fica sem maioria. (Fonte: Times of Israel)
Os números foram divulgados após o encerramento da contagem dos votos pela Comissão Eleitoral Central de Israel, incluindo os chamados envelopes duplos, utilizados principalmente por militares e outros eleitores autorizados a votar fora de suas seções habituais.
Embora a contagem tenha sido concluída, os resultados ainda passarão por verificações adicionais. A oficialização está prevista para quarta-feira, 4 de novembro.
Para garantir maioria absoluta no Knesset, uma coalizão precisa reunir pelo menos 61 parlamentares. Com 53 cadeiras, Netanyahu ficou oito abaixo desse número.
O resultado deixa em aberto a formação do próximo governo israelense, que dependerá das negociações entre os partidos.
Partidos religiosos e ultraortodoxos continuam exercendo influência
O Likud, partido de Netanyahu, conquistou 27 cadeiras, permanecendo como a maior legenda do Parlamento israelense. O Yashar, liderado por Gadi Eisenkot, ficou em segundo lugar, com 21 parlamentares.
Entre os aliados de Netanyahu, os partidos religiosos e ultraortodoxos continuam exercendo influência na composição do bloco governista.
O Shas, representante principalmente de judeus ultraortodoxos de origem sefardita, conquistou seis cadeiras, enquanto o Judaísmo Unido da Torá, ligado a setores ultraortodoxos predominantemente asquenazes, obteve sete.
Outros aliados incluem o Otzma Yehudit (Poder Judaico), liderado por Itamar Ben-Gvir, com sete cadeiras, e a aliança Sionismo Religioso/Zehut, associada a Bezalel Smotrich, com seis.
Durante a etapa final da apuração, o Likud ganhou uma cadeira em relação às projeções anteriores, enquanto o Shas perdeu uma. A alteração, entretanto, não modificou o total de parlamentares do bloco de Netanyahu.
O desempenho dessas legendas será importante nas negociações para a formação do governo, especialmente diante de divergências sobre o serviço militar obrigatório para judeus ultraortodoxos e outras questões relacionadas à religião e ao Estado.
Partidos árabes conquistam 19 cadeiras
Os partidos árabes alcançaram juntos 19 cadeiras, ampliando sua representação no Parlamento israelense.
A Lista Conjunta conquistou 11 parlamentares, enquanto o Ra'am, liderado por Mansour Abbas, ficou com oito.
O resultado coloca essas legendas no centro das discussões sobre a possibilidade de formação de uma coalizão alternativa à de Netanyahu.
Yair Golan, líder dos Democratas, defendeu a participação do Ra'am em um futuro governo e admitiu a possibilidade de apoio externo da Lista Conjunta.
Entretanto, outros líderes da oposição manifestaram resistência a alianças com partidos árabes, o que dificulta a construção de uma maioria parlamentar.
Netanyahu, por sua vez, já se posicionou contra a formação de um governo dependente dessas legendas.
Até a conclusão da contagem, não havia sido anunciado um acordo de coalizão.
Como funcionam as eleições em Israel
Diferentemente do Brasil, onde os eleitores escolhem diretamente o presidente da República, Israel adota um sistema parlamentarista.
A população vota em listas partidárias para preencher as 120 cadeiras do Knesset, o Parlamento israelense. Seus integrantes são chamados de deputados ou membros do Knesset (MKs, na sigla em inglês).
O país possui um Parlamento unicameral, ou seja, não há Senado. A distribuição das cadeiras segue o sistema de representação proporcional, com uma cláusula de barreira de 3,25% dos votos válidos.
Após a oficialização dos resultados, o presidente de Israel, Isaac Herzog, consulta os partidos e escolhe o parlamentar que considera ter melhores condições de formar um governo.
O escolhido deverá negociar alianças para conquistar o apoio parlamentar necessário. Por isso, o partido mais votado não garante automaticamente o cargo de primeiro-ministro.
O processo pode levar semanas e, caso não seja possível formar uma coalizão, Israel poderá enfrentar um novo impasse político.
Formação do governo será próximo desafio
A eleição ocorreu em um cenário de intensas disputas políticas e debates sobre segurança nacional, economia e as consequências dos ataques terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, além das guerras que envolveram Israel nos últimos anos.
As primeiras pesquisas de boca de urna, divulgadas pelos canais israelenses Kan 11, Canal 12 e Canal 13 na noite de terça-feira, já indicavam dificuldades para que os principais blocos alcançassem a maioria parlamentar.
O presidente Isaac Herzog pediu aos líderes políticos disposição para o diálogo, a fim de evitar a realização de novas eleições.
Entre as possibilidades discutidas está a formação de um governo de unidade nacional, que reuniria partidos de diferentes campos políticos. Entretanto, divergências entre Netanyahu, Eisenkot e outras lideranças dificultam essa alternativa.
Com a contagem encerrada, as atenções se voltam agora às negociações para a formação do próximo governo.
Até que uma nova administração seja constituída, Netanyahu permanece no cargo de primeiro-ministro.
A definição dependerá da capacidade dos partidos de construir alianças e assegurar apoio suficiente no Knesset.
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