Após 700 dias preso por se recusar a usar pronomes ‘trans’, professor irlandês é libertado

Enoch Burke foi libertado e voltou a afirmar que foi punido por permanecer fiel às suas convicções cristãs sobre identidade de gênero.

Fonte: Guiame, com informações do Christian PostAtualizado: quarta-feira, 8 de julho de 2026 às 14:57
Enoch Burke deixa a prisão após decisão do Tribunal Superior de Dublin. (Captura de tela/X/EnochBurke)
Enoch Burke deixa a prisão após decisão do Tribunal Superior de Dublin. (Captura de tela/X/EnochBurke)

O professor irlandês Enoch Burke foi solto da prisão por determinação do Tribunal Superior de Dublin, encerrando mais um capítulo de uma prolongada disputa judicial que ganhou atenção mundial.

O juiz Brian Cregan afirmou que estava libertando Burke porque o processo do Painel de Recurso Disciplinar (DAP), responsável por analisar o recurso do professor contra sua demissão, havia sido concluído.

Ao deixar a prisão, Burke contestou a imparcialidade do processo disciplinar que analisou seu recurso contra a demissão.

Segundo ele, integrantes do Painel de Recurso Disciplinar possuíam vínculos com a Igreja da Irlanda, denominação à qual a Wilson's Hospital School é ligada institucionalmente.

Para o professor, isso comprometeria a independência do julgamento e configuraria um conflito de interesses, contrariando o princípio jurídico segundo o qual ninguém deve atuar como juiz em uma causa envolvendo interesses da instituição à qual está vinculado.

Por esse motivo, Burke classificou o procedimento como uma “farsa”, uma “fraude” e um “escândalo”.

700 dias detido

Burke, evangélico e ex-professor da Wilson’s Hospital School, no condado de Westmeath, passou quase dois anos detido por se recusar a usar pronomes de gênero que considerava incorretos, postura que acabou resultando em sua suspensão e na proibição de retornar ao cargo como educador.

Ele foi afastado em agosto de 2022 após entrar em conflito com a direção da escola sobre a adoção de uma política que exigia que os funcionários usassem pronomes alinhados à identidade de gênero declarada por alunos que optassem por se identificar com o sexo oposto. Burke rejeitou a medida por motivos de consciência.

A disputa ganhou força quando Burke continuou a voltar às instalações da escola, mesmo após ter sido suspenso e apesar das ordens judiciais que posteriormente lhe proibiram o acesso ao local.

Desde então, Burke tem sido repetidamente encarcerado por desacato ao tribunal, devido a sucessivas violações das ordens judiciais impostas ao longo do processo.

Liberdade religiosa e de consciência

O impasse jurídico tem sido acompanhado de perto na Irlanda, mas as opiniões permanecem divididas.

Para seus apoiadores, Burke é um defensor dos princípios da liberdade religiosa e de consciência, alguém que foi punido por se opor ao que consideram uma ideologia de gênero prejudicial.

Já seus críticos, incluindo alguns cristãos, veem suas atitudes como desrespeitosas e até “anticristãs”.

Argumentam que sua suspensão e suas prisões decorreram de seu comportamento e da violação deliberada de ordens judiciais, não de suas crenças. Seus apoiadores, por outro lado, sustentam que ele jamais deveria ter sido preso.

Ao determinar sua libertação, o Supremo Tribunal observou que o cenário jurídico havia mudado de forma significativa após Burke perder o recurso contra a decisão que confirmou sua demissão por má conduta grave.

Segundo o juiz, esse desfecho alterou o contexto no qual a manutenção de sua prisão precisava ser analisada. Ainda assim, o tribunal manteve críticas firmes à conduta de Burke ao longo de todo o processo.

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