
As sentenças de cinco cristãos, que somam mais de 70 anos de prisão por práticas religiosas do cristianismo – como orar, realizar batismos, celebrar a ceia e o Natal – foram mantidas por um tribunal de apelações do Irã.
Um pastor iraniano‑armênio, sua esposa e três fiéis foram condenados em outubro do ano passado, embora só tenham recebido a notificação das sentenças um mês depois.
Eles foram informados de que seus recursos haviam sido rejeitados, mesmo sem que qualquer audiência tivesse sido realizada.
Entre os cinco estão dois ex‑prisioneiros de consciência – pessoas detidas apenas por sua fé ou convicções, sem envolvimento em crimes – o pastor iraniano‑armênio Joseph Shahbazian e o convertido Nasser Navard Gol‑Tapeh, que foram novamente presos em fevereiro do ano passado após já terem cumprido seis anos por participarem de igrejas domésticas.
As outras três são mulheres: Lida, esposa de Joseph; Aida Najaflou, convertida ao cristianismo que fraturou a coluna no fim do ano passado após cair da beliche na prisão; e uma terceira cristã que não teve o nome divulgado.
Sentenças combinadas chegam a 71 anos
As primeiras informações eram de que os cinco cristãos haviam recebido penas superiores a 50 anos de prisão, mas, com a revelação de novos detalhes confirmam que suas sentenças combinadas chegam a pelo menos 71 anos.
Nasser, Joseph, Aida e a mulher não identificada receberam penas de 10 anos de prisão com base no Artigo 500 do Código Penal reformado, enquanto Lida foi condenada a oito anos.
Além disso, Aida, Lida e a mulher não identificada receberam mais cinco anos por uma segunda acusação de “reunião e conluio”, e Joseph recebeu uma pena adicional de seis anos.
Postagens em redes sociais
Aida recebeu ainda uma pena adicional de dois anos por acusações de “propaganda” ligadas a postagens nas redes sociais, enquanto permanece incerto se Nasser, que não recorreu da sentença, também recebeu alguma condenação extra.
Na prática, os cristãos devem cumprir 48 anos de prisão, já que, quando há múltiplas sentenças, apenas a pena mais severa é efetivamente executada.
Além das penas de prisão, os bens pessoais dos cristãos, incluindo Bíblias e outras publicações religiosas, foram confiscados pelo Estado para “pesquisa” do Ministério da Inteligência.
A medida repete o que ocorreu no ano passado, quando dois cristãos receberam 12 anos de prisão cada um após serem acusados de “contrabando” de Bíblias para o Irã.
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