Criação de bebês com DNA modificado provoca debate sobre riscos e limites da ciência

Pesquisa reacende debate sobre ética, doenças hereditárias e os limites da manipulação genética humana.

Fonte: Guiame, com informações do Wall Street Journal e NatureAtualizado: terça-feira, 9 de junho de 2026 às 14:05
A divulgação da pesquisa provocou reações divididas na comunidade científica. (Foto: Janko Ferlič / Unsplash)
A divulgação da pesquisa provocou reações divididas na comunidade científica. (Foto: Janko Ferlič / Unsplash)

Pesquisadores anunciaram um avanço importante na edição genética de embriões humanos ao utilizarem uma técnica conhecida como “edição de base” (base editing) para corrigir mutações associadas a doenças hereditárias.

O estudo, liderado pelo cientista Dieter Egli, da Universidade Columbia, nos EUA, foi publicado no servidor de pré‑prints bioRxiv em 1º de junho.

A pesquisa vem sendo apontada como um dos avanços mais significativos já alcançados no campo da engenharia genética reprodutiva.

Diferentemente das primeiras versões da tecnologia CRISPR, que atuam como uma espécie de tesoura molecular capaz de cortar o DNA, a edição de base permite modificar letras específicas do código genético sem provocar quebras na molécula.

Segundo os pesquisadores, essa abordagem reduz de forma significativa o risco de alterações indesejadas e aumenta a precisão das modificações genéticas realizadas.

Doenças hereditárias

Os cientistas testaram a técnica em embriões humanos gerados para pesquisa, com o objetivo de corrigir mutações ligadas a doenças cardíacas hereditárias e distúrbios sanguíneos.

Embora os resultados tenham sido considerados promissores, o experimento ainda apresentou limitações importantes.

Cerca de 80% dos embriões analisados desenvolveram um fenômeno conhecido como “mosaicismo”, no qual parte das células recebe a correção genética e outra parte permanece inalterada.

Isso significa que a tecnologia ainda está longe de ser considerada segura para aplicação clínica.

Reações

A divulgação da pesquisa provocou reações divididas na comunidade científica.

Muitos especialistas veem o estudo como um avanço relevante na tentativa de prevenir doenças genéticas graves antes mesmo do nascimento.

 
 
 
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Outros, porém, expressaram preocupação e alertam para os riscos éticos envolvidos.

Hank Greely, um especialista em ética biomédica da Universidade de Stanford, na Califórnia, teme que indivíduos abastados possam se inspirar no estudo como ponto de partida para editar embriões.

“Você poderia montar um laboratório [de fertilização in vitro] e um laboratório de testes genéticos por provavelmente alguns milhões de dólares e começar a fazer isso”, diz Greely. “E um resultado pode ser crianças realmente doentes.”

Bioeticistas também temem que a mesma tecnologia utilizada para combater enfermidades possa, no futuro, abrir caminho para a seleção de características desejadas, como inteligência, altura ou desempenho físico, alimentando discussões sobre os chamados “bebês projetados”.

Edição genética

O tema ganhou notoriedade mundial em 2018, quando o pesquisador chinês He Jiankui anunciou o nascimento dos primeiros bebês geneticamente modificados da história.

O caso gerou forte condenação internacional e levou diversos países a reforçarem regulamentações sobre a edição genética hereditária.

Atualmente, a prática é proibida ou severamente restrita em grande parte do mundo, incluindo os Estados Unidos, onde recursos federais não podem ser utilizados para pesquisas que envolvam a criação de embriões humanos para esse tipo de experimento.

Embora os pesquisadores enfatizem que não existe qualquer perspectiva imediata de nascimento de crianças geneticamente editadas a partir desse método, o avanço demonstra o rápido desenvolvimento das biotecnologias capazes de modificar o patrimônio genético humano.

Para muitos especialistas, a questão já não é apenas científica, mas também moral e filosófica: até que ponto a humanidade deve interferir no código da vida?

Visão bíblica

Para a teologia, interferências como essas podem, além de questões éticas, significar querer agir na área divina, uma vez que, de acordo com a Bíblia, é Deus quem dá a vida e a toma, conforme 1 Samuel 2:6.

Citando Isaías 38, que conta a história de Ezequias que recebeu uma sentença de morte de Deus, o pastor Cláudio Modesto deixa claro que até para dar mais tempo de vida a alguém é preciso que isso seja feito por Deus. 

“Temos claro aqui que é Deus quem tem o poder da vida e da morte, inclusive de dar mais anos de vida a alguém, como fez com Ezequias que após chorar recebeu 15 anos para colocar sua casa em ordem”, citou.

Ou seja, por mais que a Ciência se multiplique nos últimos dias e as descobertas promovam qualidade de vida às pessoas, sempre haverá limites impostos por Deus. 

“Deus é quem dá limites e não tem como ter uma cura para a morte. O homem não tem o controle sobre a vida e nunca terá porque a palavra final vem do Senhor”, concluiu o colunista.

 

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