A morte de Jesus, lembrada por cristãos na Sexta-feira Santa em todo o mundo, tem sido estudada por especialistas há décadas para entender o sofrimento de Cristo pela visão médica.
No início dos anos 2000, o médico legista americano Frederick Thomas Zugibe, professor da Universidade de Columbia, fez um experimento com voluntários para descobrir os efeitos que uma crucificação teria sobre o corpo humano.
Os voluntários – todos na faixa etária dos 30 anos – foram amarrados em uma cruz de madeira e tiveram suas reações monitoradas com eletrocardiograma, medição de pulsação e aferição de pressão sanguínea.
O médico concluiu que os pregos cravados nas mãos e nos pés de Jesus tinham 12,5 centímetros de comprimento e causaram dores insuportáveis e constantes porque atingiram nervos importantes do corpo.
Através dos seus experimentos, Frederick chegou a três hipóteses da causa da morte de Jesus: asfixia, ataque cardíaco e choque hemorrágico. Essas são as hipóteses mais aceitas pelos especialistas até hoje.
Do ponto de vista médico, a crucificação é uma das formas de execução mais dolorosas e letais. O médico cristão Domingos Mantelli explicou que era muito difícil respirar para o crucificado.
“Na cruz, o corpo de Jesus ficou suspenso pelos braços, com os pulsos fixados com pregos, e os pés também. Isso resultava em ombros sendo puxados para cima e para fora, tórax ficando em uma posição de inspiração parcial constante (com dificuldade extrema para expirar, ou seja, soltar o ar)”, descreveu ele, em postagem no Instagram.
“Para conseguir expirar e depois inspirar novamente, Ele precisava se apoiar nos pés pregados e fazer força com as pernas e puxar com os braços também pregados. Esse esforço causava dor excruciante e exaustão rápida”.
Com o passar do tempo, a respiração se tornava cada vez mais difícil. Quando o condenado não conseguia mais sustentar o peso do corpo, ocorria a asfixia progressiva. “Levando à hipoxia (falta de oxigênio) e, por fim, à morte”, observou o médico.
Para Domingos, as causas médicas da morte de Cristo “envolveu uma combinação de fatores, como choque hipovolêmico devido a perda excessiva de sangue, associado a uma asfixia por exaustão, uma vez que o peso do corpo suspenso dificultava a respiração, levando também à falência cardíaca”.
Gerardo Ferrara, historiador especializado em Oriente Médio da Pontifícia Universidade da Santa Cruz, explicou que a crucificação podia durar horas.
“A morte era lenta, muito lenta, e acompanhada por um sofrimento terrível. A vítima podia ficar pendurada por horas, senão dias, sacudida por espasmos de dor, náuseas e a impossibilidade de respirar corretamente, já que o sangue nem sequer podia fluir para os membros que estavam tensos a ponto de exaustão”, afirmou.
Alguns estudiosos também sugerem que Jesus pode ter morrido de tamponamento cardíaco ou ruptura do miocárdio.
“O que explicaria o relato em João 19:34, onde, ao ser perfurado com uma lança, saiu ‘sangue e água’, o que pode indicar acúmulo de líquido no pericárdio (derrame pericárdico) e no pulmão (derrame pleural)”, acrescentou Domingos.
Tortura e humilhação
Segundo historiadores, a morte na cruz era uma forma de execução usada pelo Império Romano para torturar e humilhar condenados, e servia de exemplo da repressão do Estado.
Os sentenciados eram crucificados nus e ficavam suspensos sob um sol escaldante, diante de uma multidão, com o objetivo de causar dor intensa e vergonha.
"A crucificação era a pena de morte usada pelos romanos desde o ano 217 a.C. para escravos e todos aqueles que não eram cidadãos do Império. Era uma tortura tão cruel e humilhante que não era reservada a um cidadão romano. Era precedida pelo açoite, infligido com vários instrumentos, conforme a origem e a proveniência social dos condenados”, comentou Gerardo Ferrara.
Segundo Ferrara, se o condenado fosse considerado parte da “escória” da sociedade e fosse de classe baixa, a tortura era mais intensa.
O historiador acredita que o chicote usado para espancar Jesus foi o azorrague, um instrumento de tortura com bolas de metal com pontas feitas de osso, capaz de rasgar a pele e arrancar pedaços de carne.
"Justamente por ele ser um 'criminoso' de baixa classe social e de origem não nobre, no caso um judeu de pequena província oriental do império", comentou Ferrara.
O açoitamento com esse tipo de chicote causava tremores, desmaios, hemorragias intensas, danos no fígado e no baço e acúmulo de sangue e líquidos nos pulmões, de acordo com o médico Frederick Thomas Zugibe.
Sofrimento espiritual
Para o arqueólogo Rodrigo Silva, além do sofrimento físico e psicológico, Jesus também enfrentou o sofrimento espiritual.
Ao clamar “Deus meu, por que me abandonaste?”, Cristo revela a intensa angústia da separação entre o Filho e o Pai naquele momento.
“Mas sabe o que mais impressiona nisso tudo? É que ele passou por todo esse sofrimento por amor por mim e por você. Consegue imaginar o tamanho desse amor? Mas a boa notícia é que vivo Ele está!”, refletiu Domingos.
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