Relógio do Juízo Final chega ao ponto mais crítico, com IA entre os novos riscos

Riscos já conhecidos à existência humana, como armas nucleares e mudanças climáticas, aumentam com o impacto da inteligência artificial.

Fonte: Guiame, com informações da Time e Boletim dos Cientistas AtômicosAtualizado: quarta-feira, 28 de janeiro de 2026 às 12:58
Relógio do Fim do Mundo marca 85 segundos para a meia-noite. (Foto: Jamie Christiani/Bulletin of the Atomic Scientists)
Relógio do Fim do Mundo marca 85 segundos para a meia-noite. (Foto: Jamie Christiani/Bulletin of the Atomic Scientists)

Como acontece todo início de ano, o Boletim do Conselho de Ciência e Segurança dos Cientistas Atômicos (SASB), marcador que mede a probabilidade de uma catástrofe global, foi divulgado.

Segundo os cientistas atômicos, o Relógio do Juízo Final (Doomsday Clock, em inglês) marca 85 segundos para a meia-noite, o ponto mais próximo da “hora zero” já registrado na história da sua criação em 1947.

“Cada segundo conta, e estamos ficando sem tempo. É uma verdade difícil, mas esta é a nossa realidade”, disse Alexandra Bell, presidente e CEO do Boletim da Cientista Atômica, à Time.

Riscos já conhecidos à existência humana, como armas nucleares e mudanças climáticas, foram destacados pelos cientistas.

Esta é a terceira vez, em cinco anos, que o Relógio do Juízo Final é ajustado para mais perto da meia-noite.

Desde o início, o símbolo tem servido como um termômetro das ameaças existenciais feitas pela própria humanidade, com o “meia-noite” representando um evento catastrófico capaz de destruir grande parte – ou toda – a vida no planeta.

IA também é risco

Segundo o Boletim, uma série de fatores combinados elevou as preocupações dos cientistas ao ponto mais alto desde que o relógio foi criado.

Os cientistas destacaram o impacto da inteligência artificial e o modo como essa tecnologia tem sido utilizada para amplificar a desinformação.

Durante o anúncio, a jornalista e vencedora do Prêmio Nobel da Paz, Maria Ressa, afirmou que o mundo vive um “armagedom informativo”, impulsionado pelo avanço das redes sociais e da IA generativa, tecnologias que, segundo ela, não estão “ancoradas em fatos”.

“Os seres humanos foram mercantilizados por uma indústria predatória e extrativista”, disse ela.

Fatores de risco considerados:

Tensões nucleares globais: a possibilidade de conflito entre potências com arsenais nucleares e a incerteza sobre tratados de controle de armas alarmam os especialistas.

Mudanças climáticas: eventos climáticos extremos e a falta de avanço significativo no combate às emissões continuam sendo um dos principais riscos.

Tecnologias disruptivas: o avanço desregulado da inteligência artificial, preocupações com biotecnologia e outras tecnologias emergentes fazem parte da avaliação de risco, segundo o relógio.

A organização destacou ainda a fragilização das cooperações internacionais como um fator que exacerba essas ameaças e dificulta soluções multilaterais.

Histórico do Relógio

Quando foi lançado em 1947, o Relógio estava 7 minutos antes da meia-noite – um reflexo direto das tensões da Guerra Fria e da ameaça nuclear entre EUA e União Soviética.

Ao longo das décadas, seu ponteiro foi movido várias vezes, tanto para mais perto quanto para mais longe da meia-noite, de acordo com o contexto global.

Nos últimos anos, porém, o relógio tem marcado um movimento contínuo em direção à “zona de perigo”:

- 2020: 100 segundos antes da meia-noite

- 2023: 90 segundos

- 2025: 89 segundos

- 2026: 85 segundos – o mais crítico até hoje

Os cientistas que definem o Relógio deixam claro que ele não é uma previsão científica literal, mas uma chamada de alerta simbólica para líderes, formuladores de políticas e sociedade civil sobre os riscos que enfrentamos coletivamente e a necessidade urgente de ação coordenada.

Embora os problemas que o mundo enfrenta possam parecer esmagadores, Alexandra Bell disse que eles são feitos pelo homem e ainda são solucionáveis.

“Não há uma única solução elegante para qualquer um dos problemas que estamos enfrentando, mas esses problemas são solucionáveis”, disse ela.

“Toda vez que conseguimos voltar atrás nas mãos do relógio, tem sido porque temos cientistas e especialistas trabalhando para encontrar soluções, e o público estava exigindo ação.”

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