
Apesar da perseguição religiosa severa, o cristianismo continua crescendo no Irã, onde abandonar o islamismo pode ser considerado crime grave e, em alguns casos, punido com a morte.
Em entrevista à Fox News, líderes cristãos iranianos relataram como a fé em Jesus tem se espalhado no país – que enfrenta neste momento uma guerra com a coalizão EUA-Israel –, mesmo sob grande risco ara suas vidas.
A presidente e CEO da organização Transform Iran, Lana Silk, contou que sua família enfrentou perseguição ainda quando ela era criança.
Ela relembrou que, aos oito anos, pregava o Evangelho da varanda de casa, até que sua mãe a advertiu sobre o perigo.
“Você não pode compartilhar o Evangelho dessa forma no Irã. Isso é punível com a morte”, disse a mãe.
Silk também relatou que estudantes eram obrigados nas escolas a entoar slogans políticos como “morte à América” e “morte a Israel”.
Pastor assassinado
Ela conta que desde muito nova – com cinco ou seis anos de idade – já sentia que aquilo era errado.
“Eu me lembro de tentar me esconder atrás de outra menina para que não percebessem que eu não estava dizendo aquilo. Lembro desses momentos tentando encontrar um caminho, porque é complicado para crianças”, lembrou.
Outro momento marcante para ela foi o assassinato de seu pastor no Irã por causa de sua fé cristã. A notícia chegou no mesmo dia em que ela seria batizada.
“Meu pai recebeu a ligação do Irã pouco antes do meu batismo. Não sei como ele conseguiu se controlar durante a cerimônia”, contou.
“Eu estava nos fundos me trocando quando minha prima entrou correndo, chorando e repetindo: ‘Eles o mataram’. Eu não tinha contexto algum. Demorei um pouco para entender do que ela estava falando”, lembrou.
“Naquele momento o Senhor falou comigo, dizendo: ‘Quero que você se lembre deste momento. Com o tipo de chamado que está sobre a sua vida, é esse tipo de fé que está envolvida. Não estou necessariamente chamando você ao martírio, mas esta é uma fé de tudo ou nada – e eu quero tudo’”, relatou.
‘Morrendo por Jesus’
Na mesma entrevista, o pastor iraniano Hormoz Shariat, fundador do ministério Iran Alive, destacou que a igreja clandestina no Irã tem demonstrado uma fé extraordinária.
Segundo ele, muitos convertidos são ex-muçulmanos que passaram por profundas transformações espirituais.
“Os crentes no Irã estão cheios do Espírito Santo. Eles são corajosos. Eles estão lá fora... Eles não se importam se morrerem por Jesus”, afirmou Shariat.
“Muitos estão vivendo por Jesus e alguns estão morrendo por Ele - e eles não se importam”.
O líder cristão, que dirige uma igreja nos EUA com uma grande população iraniana, acrescentou que a experiência de deixar o islamismo para seguir Cristo faz com que muitos valorizem ainda mais a fé.
“Quando você sai das trevas para a luz, você valoriza a luz”, declarou. “Eles amam Jesus. Eles apreciam a luz e acreditam que o Irã será uma nação cristã.”
“Quando digo isso, algumas pessoas perguntam: ‘Você está louco? Como pode dizer isso?’ E eu respondo: roubei essa ideia. ‘De onde você roubou?’ Eu a tirei de Jeremias 49:38, onde o Senhor promete estabelecer o seu trono em Elão – que fica dentro do território do atual Irã.”
Segundo estimativas citadas na entrevista, pode haver até um milhão de cristãos no Irã vivendo na clandestinidade, se reunindo principalmente em igrejas domésticas para evitar a repressão do regime.
Para Shariat, apesar da perseguição, a fé cristã continua se expandindo no país.
Ele acredita que muitos iranianos estão encontrando esperança no Evangelho e afirmou que a transformação espiritual do povo pode mudar o futuro da nação.
Sonhos sobrenaturais
Lana contou ainda que seus pais tiveram um sonho espiritual, dado por Deus, para deixar o Irã:
“Foi um chamado direto para deixar o Irã, sem nenhuma explicação adicional naquele momento, justamente em uma época em que a igreja estava sendo perseguida. Muitos líderes estavam saindo, mas ao mesmo tempo víamos um crescente interesse pelo Evangelho e havia entusiasmo em servir”.
Ela disse que no início eles resistiram, estavam confusos, não entenderam aquele sonho.
“Às vezes Deus nos chama e você não entende por quê. Não faz sentido em termos humanos. Eles lutaram com essa decisão por várias semanas, até que Deus usou o sonho do pastor principal para confirmar o chamado. Foi um ato de obediência sair, com o coração ainda voltado para o Irã”, relatou.
Depois o Senhor revelou o plano completo, ela contou:
“Esta igreja está prestes a ser levada para a clandestinidade. Vocês serão necessários para fornecer recursos, fortalecer e encorajar essa igreja e ajudar a desenvolver o que se tornará uma igreja vibrante, porém muito perseguida.”
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