Na galeria dos pastores da Assembleia de Deus do Estado de Sergipe encontraremos uma mulher baiana, Florência Silva Pereira, fundadora e dirigente de igrejas Assembleias de Deus na Bahia e em Sergipe. Na sua juventude, ela desejava ser salva e rogou a Deus que não a deixasse morrer sem salvação.
Ela nasceu em 13 de maio de 1916, em Feira de Santana (BA). Onde residia, não havia crentes em sua região. Nesse período, Deus mostrou-lhe, em visão, um quadro em chamas, com diversas pessoas envoltas nessas chamas. Essa visão a atemorizou ainda mais. Desde então, passou a pensar mais seriamente em como se encontrar com Jesus.
Sendo assim, mudou-se para perto de alguns crentes, que lhe falaram de Jesus. Ela, porém, nada conseguia entender. Eles a orientaram a pedir uma revelação, e essa lhe foi concedida. Florência recebeu a salvação e logo começou a realizar algumas atividades em benefício de outros que se encontravam perdidos no pecado. Foi batizada nas águas em 16 de agosto de 1942, ela também foi zeladora da Assembleia de Deus em Salvador.
Algum tempo depois, o missionário Aldor Pettersson enviou-a para visitar diversas cidades como colportora*. Em 1943, foi-lhe entregue a responsabilidade da Assembleia de Deus de Alagoinhas. Após ganhar muitas pessoas para Cristo em Alagoinhas e construir um templo, em 1950 chegou a Sergipe, a convite do pastor Euclides Arlindo Silva, que, logo depois, a enviou para dirigir o campo da Assembleia de Deus de Carmópolis, à frente do qual abriu igrejas nas cidades de Maroim, Rosário, Laranjeiras e Santa Rosa de Lima.
O seu retrato no Dicionário do Movimento Pentecostal, de Isael de Araújo, mostra uma mulher jovem, de pele negra e de humilde aparência. Ela dirigiu, na década de 1950, um campo com seis igrejas. A pastora Florência é o retrato de muitas mulheres pentecostais que, ao receberem a graça de Cristo, são capacitadas para servir ao Reino de Deus e levar a mensagem de salvação e esperança aos que estão em trevas e desesperança.
O seu trabalho deu fruto e deixou um legado, apesar das rejeições que as mulheres enfrentaram na Convenção Geral de 1983, em que o ministério feminino foi rejeitado por unanimidade, assim como na Convenção Geral de 2001, em Brasília, quando a maioria rejeitou a ordenação de mulheres.
Ela morreu em 11 de abril de 1970, aos 53 anos. Deixou dois templos, um salão e algumas casas alugadas, onde eram dirigidos trabalhos de pregação do evangelho. Ely Evangelista Ferreira incluiu-a no livro Galeria dos Pastores da Assembleia de Deus, publicado em 1971.
Que hoje sejamos inspiradas a seguir com fé e dedicação o nosso chamado, crendo cada vez mais em Cristo e na salvação que recebemos. Que não caminhemos dominadas pelo temor, mas confiantes no amor, na graça e na fidelidade de Deus.
*Colportora: Mulher que se dedica à divulgação e distribuição de literatura, especialmente cristã, com o propósito de incentivar a leitura, compartilhar os ensinamentos bíblicos e contribuir para a evangelização por meio dos livros.
Fonte:
ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2024
Caroline Fontes é Bacharel em Teologia, com pós-graduação em Ciência da Religião; formada em Pedagogia pela UERJ e pós-graduada em Neuropsicopedagogia pela FAMEESP. Reside no Rio de Janeiro, é casada com o Pr. Ediudson Fontes e mãe de Calebe Fontes. É mestranda em Ciências da Religião na UMESP e idealizadora do projeto Enraizadas em Cristo — clube de leitura e devocional.
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