Caroline Fontes

Caroline Fontes

Ela é do Rio, bacharel em Teologia com pós- Ciência da Religião, formada em Pedagogia – UERJ, pós-graduação em Neuropsicopedagogia – FAMEESP. Igreja Assembleia de Deus.

Série Mulher Cristã: As mulheres pentecostais no Brasil – O legado das pioneiras – Parte 1

Presença feminina marcou a história das Assembleias de Deus desde a fundação, com atuação decisiva em oração, evangelização e dons espirituais.

Fonte: Guiame, Caroline FontesAtualizado: quarta-feira, 1 de julho de 2026 às 17:28
Frida Vingren, missionária sueca pioneira das Assembleias de Deus. (Foto: Wikipedia)
Frida Vingren, missionária sueca pioneira das Assembleias de Deus. (Foto: Wikipedia)

As Assembleias de Deus no Brasil completaram, no dia 18 de junho, 118 anos. Uma igreja centenária, fundada pelos missionários suecos Daniel Berg e Gunnar Vingren, que chegaram a Belém (PA) em 19 de novembro de 1910, batizados no Espírito Santo, procedentes dos Estados Unidos.

Sabemos que a pregação pentecostal trazida pelos missionários suecos se espalhou pelos estados brasileiros, e as Assembleias de Deus experimentaram um grande crescimento. Mas qual foi a participação feminina no movimento pentecostal brasileiro?

De fato, as mulheres sempre estiveram presentes desde a fundação das Assembleias de Deus, atuando em diversas frentes: oração, evangelização, uso dos dons espirituais, pregação, ensino bíblico e, sobretudo, na Escola Dominical. Também marcaram presença na área de música e louvor, em missões, na obra social, na União Feminina e até mesmo como dirigentes de igrejas.

Segundo Israel Araújo, a missionária Frida Vingren dirigia o jornal Som Alegre. Além disso, foi a primeira mulher missionária enviada pela Igreja Filadélfia, de Estocolmo, ao Brasil. Chegou solteira a Belém (PA) em 1917.

A obra da missionária Frida Vingren foi uma das mais profundas da história das Assembleias de Deus, afirma Isael Araújo. Autora de hinos da Harpa Cristã, ela também foi a única mulher, até hoje, a escrever comentários para as revistas de Escola Dominical das Assembleias de Deus. Ainda hoje, nas Lições Bíblicas vinculadas à Convenção Geral das Assembleias de Deus, nenhuma mulher assina como comentarista, mesmo havendo teólogas, bacharéis em Teologia e pedagogas plenamente capacitadas, nenhuma delas figura como comentarista oficial dessas revistas.

Frida também foi uma colaboradora ativa do jornal Mensageiro da Paz, escrevendo artigos, poesias edificantes e atuando na edição do periódico em seus primeiros anos. Mesmo aqueles que criticavam sua forte presença no jornal reconheciam sua capacidade. Seu marido a incentivava – não por nepotismo, mas porque Frida era notoriamente talentosa. Havia consenso de que ela era vocacionada para a obra de Deus e uma das missionárias evangélicas mais preparadas que já pisaram em solo brasileiro (Araújo, 2024, p. 492).

Além de editora do jornal, Frida destacava-se em diversas áreas da obra. Era extremamente atuante. Quando Gunnar Vingren se ausentava por causa de suas frequentes enfermidades, era ela quem dirigia os cultos na Assembleia de Deus em São Cristóvão. Ao mesmo tempo em que trabalhava na formação de novos obreiros, por meio do jornal e das lições bíblicas, Frida também demonstrava verdadeira devoção à evangelização.

Os cultos ao ar livre realizados no Largo da Lapa, na Praça da Bandeira, na Praça Onze e na Estação Central, no Rio de Janeiro, também eram dirigidos por Frida. Era comum, ainda, que ela ministrasse estudos bíblicos (Araújo, 2024, p. 493).

No cinquentenário das Assembleias de Deus no Brasil, o pastor Paulo Leivas Macalão escreveu um relato sobre o início da obra pentecostal no Rio de Janeiro, registrado por Ivan Vingren no Diário do Pioneiro Gunnar Vingren:

“Realizei o primeiro culto ao ar livre no Campo de Santana. Nenhuma alma se converteu. A irmã Frida tomou a frente dos cultos ao ar livre. Faziam-se cultos na Praça da Bandeira, Estação Central, Praça Onze e Largo da Lapa. Dessa forma, muitas pessoas ouviram a Palavra de Deus. Abrimos trabalho também na Casa de Correção.”

Frida Vingren, missionária sueca pentecostal, foi uma mulher inteligente, de vocação expressiva e convicta. Esposa, mãe, ajudadora e incentivadora do ministério de seu marido, dedicou-se profundamente à obra. Apesar do exemplo, da competência e da entrega, acabou silenciada na igreja que tanto amou.

 

Referências

ARAÚJO, Isael de. Dicionário do Movimento Pentecostal. Rio de Janeiro: CPAD, 2024.

ARAÚJO, Isael de. Frida Vingren: uma biografia da mulher de Deus, esposa de Gunnar Vingren, pioneira da Assembleia de Deus no Brasil. Rio de Janeiro: CPAD, 2014.

VINGREN, Ivar (org.). Diário do Pioneiro: Gunnar Vingren. Rio de Janeiro: CPAD, 2010.

 

Caroline Fontes é Bacharel em Teologia, com pós-graduação em Ciência da Religião; formada em Pedagogia pela UERJ e pós-graduada em Neuropsicopedagogia pela FAMEESP. Reside no Rio de Janeiro, é casada com o Pr. Ediudson Fontes e mãe de Calebe Fontes. É mestranda em Ciências da Religião na UMESP e idealizadora do projeto Enraizadas em Cristo — clube de leitura e devocional.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Série Mulher Cristã: Agnes Ozman e o legado feminino no pentecostalismo – Parte 2

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