Em continuidade à primeira parte deste artigo, leia aqui, aprofundo agora os pontos essenciais que ampliam a discussão iniciada anteriormente.
Perseverança diante da demora
Outro aspecto marcante da oração pentecostal é a perseverança. A tradição pentecostal frequentemente incentiva o cristão a continuar orando mesmo quando a resposta esperada não acontece imediatamente.
Ao estudar a teologia lucana da oração, Dongsoo Kim chama atenção para a importância da oração persistente e para a necessidade de compreendê-la biblicamente. A perseverança não significa que o ser humano possa obrigar Deus a realizar sua vontade. Pelo contrário, continuar orando também significa permanecer dependente de Deus quando não compreendemos seus caminhos.
Essa compreensão é particularmente necessária em uma sociedade marcada pela busca de respostas rápidas. A oração cristã não pode ser transformada em uma técnica destinada a produzir resultados. Deus não é manipulado pela quantidade de palavras, pelo volume da voz ou pela intensidade emocional daquele que ora.
Na perspectiva pentecostal, podemos orar esperando cura, provisão, libertação e intervenção divina. Contudo, a oração também precisa deixar espaço para a soberania de Deus. Há momentos em que a resposta corresponde exatamente ao que pedimos; em outros, Deus concede força para atravessarmos aquilo que gostaríamos que fosse retirado de nosso caminho.
A oração perseverante, portanto, não é apenas aquela que espera uma resposta. É também aquela que permanece fiel enquanto espera.
A dimensão comunitária da oração
Embora exista uma importante dimensão pessoal, a oração pentecostal possui forte caráter comunitário. Basta observar a história das igrejas pentecostais para perceber a importância das reuniões de oração, das vigílias, dos círculos de oração e dos momentos de intercessão coletiva.
Quando a igreja ora reunida, a oração deixa de expressar somente as necessidades individuais e passa a representar a fé de uma comunidade. A igreja intercede pelos enfermos, pelas famílias, pela missão, pelos necessitados e pelos desafios enfrentados pela própria comunidade.
Félix-Jäger (2022), ao abordar a teologia da adoração pentecostal, ajuda a compreender como culto, experiência do Espírito e participação comunitária se relacionam. A espiritualidade pentecostal não acontece exclusivamente na interioridade do indivíduo. Ela também é experimentada no encontro com a comunidade reunida.
Nesse sentido, a oração fortalece os vínculos da igreja. Quando alguém não consegue mais encontrar palavras para orar, outros podem interceder por ele. Quando alguém está enfraquecido, a comunidade pode sustentá-lo em oração. Há, portanto, uma dimensão de solidariedade espiritual profundamente relacionada à prática da intercessão.
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Na próxima parte, vamos aprofundar outros aspectos da oração na espiritualidade pentecostal. Acompanhe “A oração na perspectiva pentecostal – Parte 3”, no dia 29/09, no Guiame.
Referências bibliográficas
ASSEMBLEIA DE DEUS. Declaração de fé das Assembleias de Deus. Rio de Janeiro: CPAD, 2017.
BUERTEY, Joseph Ignatius Teye. Revisiting Pentecostal Spiritualities with Reference to African Traditional Religious Practices and Pentecostal Theologies of Prayer in Ghana. Dissertation (PhD) — Stellenbosch University.
FÉLIX-JÄGER, Steven. Renewal Worship: A Theology of Pentecostal Doxology. Downers Grove, IL: IVP Academic, 2022.
KIM, Dongsoo. Lukan Pentecostal Theology of Prayer: Is Persistent Prayer Not Biblical? Asian Journal of Pentecostal Studies, v. 7, n. 2.
LAND, Steven J. Pentecostal Spirituality: A Passion for the Kingdom. Cleveland: CPT Press, 2010.
PERSPECTIVAS pentecostais e neopentecostais sobre a oração na contemporaneidade. Paralellus, 2025.
Ediudson Fontes (@ediudsonfontes) é pastor auxiliar da Assembleia de Deus Cidade Santa (RJ), teólogo, pós-graduado em Ciências da Religião e mestrando em Teologia Sistemático-Pastoral pela PUC-Rio. Escritor, professor de Teologia, casado com Caroline Fontes e pai de Calebe Fontes.
* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
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