Uma nova pesquisa do Instituto Whitestone, do Reino Unido, mostra que mais da metade da população do país (52%) teme que o afastamento das raízes cristãs prejudique as futuras gerações.
A enquete, divulgada no início de março, destaca diferenças de opiniões de acordo com faixa etária e preferência política, em meio a debates sobre qual é a identidade nacional.
Encomendado pela organização da cidade de Oxford que promove o "Reavivamento Cristão", o levantamento ouviu 2 mil adultos em fevereiro de 2026. Os principais resultados foram:
- 52% acreditam que continuar se afastando das raízes cristãs da Grã-Bretanha será prejudicial para as futuras gerações
- 58% veem o cristianismo como positivo tanto moralmente quando na prática
- 60% acreditam que o país perdeu o senso comum de certo e errado
- 39% dizem que vivem em país cristão
- 50% dizem que é um país laico (sem religião).
A Whitestone afirma que isso demonstra que o cristianismo ainda mantém significativa influência nos debates sobre identidade nacional.
No entanto, seis em cada dez (60%) dos entrevistados acreditam que a Grã-Bretanha perdeu qualquer padrão social de certo e errado, enquanto apenas 11% pensam que o país atualmente possui valores morais “comuns” e não religiosos.
A pesquisa sugere que o público deseja que o cristianismo mantenha um papel central no futuro do país, que a cada ano vê diminuir o número de igrejas cristãs (católicas e evangélicas) e aumentar o número de mesquitas muçulmanas. Segundo a National Churches Trust, mais de 3.500 templos cristãos fecharam as portas na última década.
Diferentes perspectivas
Os resultados foram divulgados em meio a um debate público acirrado sobre o papel do cristianismo no futuro da Grã-Bretanha, revelando divisões nítidas de opinião conforme idade, afiliação política e sexo.
Eleitores conservadores são os mais pessimistas (78% veem perda moral, 63% não tem certeza do que é identidade nacional). Dizem estar preocupados com as “raízes cristãs” que formou o país e céticos quanto a mudanças no curto prazo
Os que se identificam como “moderados”, nem de esquerda nem de direita, afirmam ser resistentes à influência religiosa, temendo imposição de valores. Mesmo assim, 41% apoiam um "pacto social" cristão para unir a sociedade.
O índice de jovens que afirmam estarem “abertos à perspectiva cristã” surpreende, contrariando o declínio de atividade religiosa da geração anterior. Entrevistados entre 18 a 24 anos se mostraram surpreendentemente receptivas à orientação moral derivada dos valores cristãos.
O pesquisador Andrew Hawkins, diretor executivo da Whitestone, declarou:
“À medida que o debate sobre o futuro do país se intensifica, a pesquisa aponta para um desafio central para a política, as igrejas e as instituições cívicas: é possível uma renovação moral por meio da responsabilidade exemplificada na prática ou a questão moral continuará sendo canalizada para a polarização e políticas de identidade?”
Outras pesquisas recentes, como "Quiet Revival", da Bible Society indicam abertura maior para o cristianismo entre os jovens de 18 a 24 anos. Um estudo da British Social Attitudes, de 2024, mostrou que a frequência mensal às igrejas britânicas caiu, na média, de 12% para 9%.
Hawkins afirma que a enquete da Whitestone mostra valorização da herança cristã deve encorajar os cristãos a falar com mais confiança sobre sua fé. Para ele, princípios como igualdade social, proteção aos mais vulneráveis e liberdade de consciência são valores cristãos que molda a vida no país, influenciando a criação e manutenção de hospitais, escolas e universidades.
Jarbas Aragão é pastor, jornalista e tradutor. Mestre em teologia, foi missionário da Jocum e da Junta de Missões Mundiais da CBB, além de professor do seminário Batista. Colabora com diferentes mídias no Brasil, nos Estados Unidos e em Israel.
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