Henry Borel e feminismo revolucionário

Caso Henry Borel reacende discussões sobre feminismo radical, estrutura familiar e decisões da Justiça.

Fonte: Guiame, Sergio Renato de MelloAtualizado: quinta-feira, 11 de junho de 2026 às 17:45
Henry Borel foi morto, aos quatro anos, após espancamento no apartamento em que morava com a mãe e o padrasto, no Rio de Janeiro. (Fonte: Reprodução vídeo YouTube via Agência Senado)
Henry Borel foi morto, aos quatro anos, após espancamento no apartamento em que morava com a mãe e o padrasto, no Rio de Janeiro. (Fonte: Reprodução vídeo YouTube via Agência Senado)

A fenomenologia de Husserl foca no que aparece, não na essência, destacando o bizarro para evidenciar que o que vemos é o que acreditamos ser.

Não conheço o caso da morte do menino Henry Borel. Só conheço o fenômeno. Isso é suficiente para eu avaliar o que ocorre.

Crentes acreditam que o conflito entre Adão e Eva pode ter gerado culpa. A essência dessa tragédia é o sofrimento. A condenação dos homens é trabalhar para viver; para as mulheres, é a dor do parto.

Somos herdeiros deste casal, que não nos deixou dinheiro, apenas dor, para a alegria de Karl Marx. O legado é a revelação atemporal do que é uma verdadeira família, que também enfrenta conflitos.

A família é a base da sociedade e do Estado. É preciso combatê-la, pregam o pensamento e o movimento feminista radical.

Se a família é patriarcal e o feminismo tornou isso negativo, por que não estimular ainda mais conflitos, fazendo com que as opiniões variem entre pessoas que se conhecem dentro e fora de casa? O Supremo Tribunal Federal vai decidir se a Lei Maria da Penha se aplica a relações fora do lar.

Não é isso que ocorre?

A rainha Jezabel, da Bíblia, influenciava bastante o rei Acabe, seu marido. A dinâmica de poder mostrava como Jezabel controlava e influenciava as decisões do rei.

Marta e Maria eram opostas. Jesus visitou as irmãs de Lázaro. A primeira se concentrava no fogão (materialismo) enquanto Maria ouvia Cristo (espiritual).

Da Bíblia à literatura científica...

Simone Beauvoir viu a mulher como o Segundo Sexo; Judith Butler afirmou que o sexo não é biológico; Ivan Jablonca discutiu a história da virilidade e de homens justos; Virgínia Woolf escreveu romances que defendiam a superioridade feminina; Karl Marx considerou o casamento um contrato para reprodução, exploração do proletariado e herança.

Como evitar uma tentação assim? Como não sonhar em obter uma coroa na imortalidade científica? Para quem "espírito" remete apenas ao intelecto, sem o sopro vital que acompanha os nomes, como desejava Montesquieu em O espírito das leis, é um grande presente.

Virgínia Woolf cometeu suicídio em 1941. Simone de Beauvoir defendia casamentos livres. Estes são os mestres de nossos predecessores.

Achávamos que era só literatura para entretenimento. Era para doutrinar. Esses livros de prateleira de supermercado ou de livrarias de aeroporto visavam mais do que apenas reduzir a ansiedade de esperar na fila.

A Lei Maria da Penha foi estabelecida para enfrentar a violência doméstica e proteger a mulher. A lei é clara e visa combater a violência doméstica, especialmente contra maridos agressivos.

O marido não está sozinho. Providenciaram cúmplices para ele. É disputa entre primas, sogras e noras, e entre mães e filhas. Há uma contaminação por misoginia interiorizada, como a ideia de que "mulher não gosta de mulher".

Não pensem que é apenas violência. Chesterton se referiu à maioria dos casos como "tremendas trivialidades", que devem ser vistas de fora, aguardando a solução em paz, coisas que logo se dissipam após a raiva.

A ciência se preocupou em pensar e refletir sobre tudo com cuidado. Isso pode ser chamado de várias formas: burocracia, ambição, patrimonialismo, capitalismo, alienação, fetiche da mercadoria, entre outros.

É apenas mais um episódio da transferência de culpa. Culpar a mãe, a sociedade, a discriminação de gênero, a misoginia ou o diabo?

Os "ismos" afetam a alma social.

Durante o julgamento do assassinato de Henry Borel, a mãe obteve perdão judicial. Mencionou-se a influência da misoginia e do patriarcado para que ela fosse perdoada judicialmente, evitando a pena de quarenta e quatro anos que o pai recebeu.

A juíza justificou o perdão citando a “perseguição” e o “massacre” que Monique sofreu por causa da cultura patriarcal e da misoginia nos últimos cinco anos, destacando sua atuação como mãe e seu status de ré primária.

A juíza afirmou que decidiu de forma técnica. Decidir parcial ou totalmente com base no patriarcado não anula a decisão ideológica. A ideologia infiltrou a ciência jurídica, tornando indistinguível o jurídico da ideologia. Pior ainda, eles são técnicos e os outros, ideólogos.

Não podemos esquecer da decisão do STJ, que afirmou que em lares “patriarcais” há sempre um marido machão.

Aqui está o fenômeno. É a fenomenologia da coisa que nunca aparece, exceto por seus nomes.

Não julgo a mãe, pois não temos elementos suficientes para isso. Não tenho dúvidas de que sofreu perseguição na mídia e pessoalmente, já que a cruel morte de uma criança provoca ódio implacável contra os envolvidos.

O que se destaca é o que já sabemos. O feminismo radical usa termos como "misoginia" para afirmar que a discriminação contra as mulheres se origina apenas em sua condição de mulheres. Defendo que essa forma de pensar desmerece a luta pelas mulheres.

Para combater a violência doméstica, é necessário mais do que ler livros ou entender a lei. Necessita-se de jejum e oração.

 

Sergio Renato de Mello é defensor público de Santa Catarina, membro da Igreja Universal do Reino de Deus, autor de obras jurídicas e filosóficas, e dos seguintes livros: Fenomenologia de Jornal, O que não está na mídia está no mundo e Voltaram de Siracusa.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: Sobre o caso da juíza Mariana, o problema não está na linguagem

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