Sergio Renato de Mello

Sergio Renato de Mello

Sergio Renato de Mello é defensor público de Santa Catarina, membro da Igreja Universal do Reino de Deus, colunista Instituto Burke Conservador, autor de obras jurídicas e filosóficas.

Só Elon Musk e o Rei Salomão

Riqueza e pobreza, sucesso e fama, jamais devem ser critérios éticos de quem acertou ou errou na vida.

Fonte: Guiame, Sergio Renato de MelloAtualizado: quarta-feira, 1 de julho de 2026 às 17:47
Elon Musk e o Rei Salomão. (Foto: Wikipedia)
Elon Musk e o Rei Salomão. (Foto: Wikipedia)

A deputada federal Erika Hilton, do PSOL-SP, criticou nas redes sociais a enorme fortuna do trilionário Elon Musk. No X, a parlamentar afirmou que a concentração de riqueza em uma pessoa reflete o atual modelo econômico e relacionou a fortuna do empresário à desigualdade global. Erika disse que Musk tem um “patrimônio capaz de acabar com a fome, a sede e as doenças no mundo”. Na mesma crítica, zombou ao afirmar que o egoísmo para isso seria tão grande que “nem a cura da calvície Elon Musk financiou”.

Retomamos a busca por significados para entender o que políticos esquerdistas dizem nas redes sociais, demonstrando aversão ao que simboliza um mundo aristocrático (família, Deus, pátria, dinheiro, tradição etc.) e se dedicando a eliminar essa realidade.

A referida deputada está se referindo a realidades que podem ser colocadas em xeque por nossa consciência de certo e errado, de justo e de injusto. Moral refere-se ao conjunto de princípios que orientam o comportamento correto, enquanto imoral diz respeito a ações que violam essas normas éticas.

A boca fala o que tem na alma. Defensores da ideologia e de uma mentalidade ou espírito anticapitalista falam mais com um coração ressentido do que com a língua afiada. Políticos de esquerda demonizam a riqueza e consideram a pobreza como medida de igualdade, enquanto usam bolsas de grife, iPhone e ternos caros.

Moralidade é a habilidade de aceitar normas sociais para o bem comum. Amoral é quem desconsidera critérios morais, afirmando estar além do bem e do mal. Nietzsche é um desses filósofos. Karl Marx queria eliminar os valores espirituais da civilização ocidental e substituí-los pelo trabalho como única medida de valor universal.

A esquerda lamenta que uma única pessoa tenha trilhões enquanto muitos passam fome ou morrem de desnutrição, mas acumular patrimônio não é imoral, como acreditam os defensores da fé numa igualdade anticristã. O Rei Salomão foi o homem mais rico do mundo e, com a aprovação de Deus, possuía ouro e prata como ninguém.

Riqueza e pobreza, sucesso e fama, jamais devem ser critérios éticos de quem acertou ou errou na vida. Ainda que assim seja, ser rico não é imoral, inaceitável, injusto para as demais pessoas que, embora tenham até tentado, não conseguiram ser. Max Weber destacou isso em seu clássico “A ética protestante e o espírito do capitalismo”.

Embora imperfeitos, Elon Musk e outros ricos agem de acordo com o que é certo. Empregam pessoas, sustentam famílias, ocupam mentes, dignificam indivíduos e promovem a ciência. E não é de graça. Pagam altos impostos, impulsionam a economia e movimentam capital, gastam neurônios, tempo e energia pensando em si mesmos e refletindo em bem-estar coletivo. Enfim, mantêm a condição humana neste mundo. Apresentam uma amostra de um lugar de abundância, onde há carnes para quem gosta e para aqueles que não desejam legumes, refletindo a pregação da ideologia anticapitalista. Assim, não é a quantidade de dinheiro ou bens que torna alguém moral ou imoral. O que decide isso é se seu trabalho é lícito ou ilícito, aceitável ou não, se ele dá vida à mão invisível do mercado, que age com a providência divina para garantir que tudo dê certo para todos.

É essencial recusar tentativas marxistas, teóricas ou práticas para moralizar a essência humana. Essa visão mostra que o marxismo busca analisar criticamente questões sociais e econômicas, sem se preocupar com um aprimoramento moral da humanidade. As abordagens marxistas não buscam a moralização da condição humana. É o canto da sereia. As falas desses políticos em público carecem de uma base que respeite normas morais. Essa falta de base indica um desvio das diretrizes éticas que deveriam guiar ações e discursos pelo bem comum. Elas afirmam estar lutando pela igualdade. Elas se empenham na causa, sem poupar esforços, embora não compreendam totalmente a igualdade que apoiam. Essa situação mostra a ausência de limites morais humanos.

Alega-se que o trabalhador brasileiro se esforça demais sem a devida recompensa, enquanto os ricos se beneficiam da exploração, deixando os empregados temerosos de perder o emprego. A votação da jornada 6x1 está confirmada. Seu argumento é a alienação marxista, em que os ricos desfrutam da riqueza enquanto os pobres não têm tempo nem para levar a família na pracinha.

Karl Marx ou outros esquerdistas materialistas não possuem moral para comentar sistemas de moralidade ou implantar ética. Sua teoria econômica transitou da economia para a filosofia ao buscar um sentido unificado para a luta de classes (materialismo dialético), sendo puramente material e combatendo o espírito. Ao querer eliminar a religião e os valores ocidentais, sustentava que as ações humanas, não as ideias, impulsionaram a vida. A consequência hoje é que os discordantes são considerados ideólogos por estes ideólogos. Marx e Nietzsche oferecem uma ética amoral; o filósofo alemão é conhecido por afirmar que “Deus está morto”, enquanto Marx se destaca por promover o materialismo em vez do espiritualismo, priorizando o trabalho em relação ao valor intrínseco dos bens. Sejamos sinceros, parece que ele conseguiu.

 

Sergio Renato de Mello é defensor público de Santa Catarina, membro da Igreja Universal do Reino de Deus, autor de obras jurídicas e filosóficas, e dos seguintes livros: Fenomenologia de Jornal, O que não está na mídia está no mundo e Voltaram de Siracusa.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia no artigo anterior: Henry Borel e feminismo revolucionário

Contribua mensalmente
com o GUIA-ME.

Somos um meio de comunicação cristão. Trabalhamos para informar com clareza e exatidão, sustentados por apuração responsável, revisão criteriosa e compromisso editorial.

Não atuamos como influenciadores de opinião, mas como jornalistas comprometidos com a verdade e os princípios de uma cosmovisão cristã.

Torne-se um apoiador
Siga-nos

Mais do Guiame

Davi o Filme

O Guiame utiliza cookies e outras tecnologias semelhantes para melhorar a sua experiência acordo com a nossa Politica de privacidade e, ao continuar navegando você concorda com essas condições