
Sergio Renato de Mello, defensor público de Santa Catarina, colunista do Jornal da Cidade Online e Instituto Burke Conservador, autor de obras jurídicas, cristão membro da Igreja Universal do Reino de Deus.

Quem se entrega de corpo, alma e espírito a um emprego público frequentemente acaba sendo devorado por ele, especialmente se alimentar o sonho de progredir numa carreira judiciária que, com a chave dos direitos humanos nas mãos, decide mais do que é legal ou ilegal, constitucional ou inconstitucional, impondo o justo e o injusto, o moral e o imoral.
Como se sabe do assunto público do momento, Jorge Messias, o candidato a ministro do Supremo Tribunal Federal preferido do presidente Lula, foi rejeitado por uma maioria de quarenta e dois senadores. Na dúvida sobre o que realmente pensa Jorge Messias e como agiria na cadeira mais poderosa da política brasileira de hoje, tiveram a coragem e a ousadia de mostrar como se faz política de verdade e de enfrentar tudo e todos, dizendo-lhe não.
O advogado público precisa dançar conforme a música do chefe? Consegue separar líder, partido, desejos do líder, interesses da instituição pública e a corrente política, separando o mundo da administração do universo da política? Deve!
Só que haja personalidade para isso!
Eu mesmo, sem pensar duas vezes, recusei pedir ao juiz a interrupção da gestação com a justificativa de manter minha consciência intacta. Não precisei prestar contas depois, obviamente, por ter exercido um direito que a Constituição me assegura.
Cargos não devem servir de régua de vida, mandamento do verdadeiro Messias.
Se Jorge Messias, o candidato, tinha algum plano traçado na cabeça desde o início quando ocupava cargos inferiores, ele acabou sucumbindo agora, num momento em que o Brasil anda não muito bem politicamente.
Maniqueísmo total! Sindicar mérito e requisitos constitucionais para o STF é como acalmar ânimos e desespero em meio a uma tempestade ou jogar mais lenha numa fogueira política já acirrada de nós contra eles, já que politicamente tudo se resume no Brasil a dois critérios implícitos: amigo ou inimigo.
A vontade de crescer e de ascender na carreira (na modernidade, quem não a tem que atire a primeira pedra!), a sede de poder do sistema socialista, são coroas corruptíveis. Esta a lição.
Lição para Jorge Messias? Talvez. Aula para todos nós? Não necessariamente. O cenário político brasileiro é cíclico: vai e volta. Flávio Dino, comunista assumido, não foi nomeado e hoje está lá, dando canetadas a torto e a direito?
De fato, nesse toma lá dá cá e observando a esquerda e Messias, ele aparece na hora errada e no lugar errado; para a direita, no lugar certo e no momento certo. Para o regime/sistema de "tudo que está aí", nada de novidade.
Para muitos críticos, foi imperdoável:
I) pedir prisão a manifestantes, os tais "golpistas”; gritar “golpe!” já em si é uma revelação e tanto;
II) hesitar sobre quando começa a vida humana no parecer sobre aborto;
III) inventar um órgão que vigie o que se fala e pensa na rede;
IV) misturar gestão administrativa com coisas que não têm nada a ver com isso.
Um determinado senador que sabatinou Messias foi certeiro na argumentação, mas errou o alvo na hora de concluir. Para o sabatinador, Messias teria personalidade suficiente para dizer não quando precisasse ser contra o regime/sistema político-socialista que reina em absoluto ou agiria como uma peça num tabuleiro de xadrez onde cada movimento é feito entre amigos e inimigos? A conclusão do sabatinador: confiou em Messias. Eu agiria com a mesma cautela dos quarenta e dois senadores que votaram não!
Sergio Renato de Mello é defensor público de Santa Catarina, membro da Igreja Universal do Reino de Deus e autor de obras jurídicas e dos seguintes livros: Fenomenologia de Jornal, O que não está na mídia está no mundo e Voltaram de Siracusa.
* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.
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