No último sábado (2), a pastora Helena Raquel alertou mulheres vítimas de violência doméstica para denunciarem seus agressores. A declaração, feita durante uma ministração no 41º Congresso dos Gideões 2026, em Camboriú, Santa Catarina, viralizou nas redes sociais e gerou amplo debate sobre a violência doméstica e o papel da Igreja no combate a esses casos.
Com base na passagem bíblica de Juízes 19, que narra a violência contra uma mulher, Helena refletiu que, para “evitar escândalos”, a Igreja ainda desencoraja vítimas a denunciarem seus agressores.
Destacando o versículo 30, que diz: “Todos os que viram isso disseram: ― Nunca se viu nem se fez uma coisa dessa desde o dia em que os israelitas saíram do Egito. Pensem! Reflitam! Digam o que se deve fazer!”, a pastora declarou:
“A maior parte das pessoas que são vítimas, em igrejas evangélicas, de violência doméstica ou de violência sexual, são orientadas a não denunciar o culpado, para evitar”.
Com 47 anos, nascida em um lar cristão, ela observou que costumava ouvir cristãos encorajando quem sofre esse tipo de violência: “Ora para Jesus salvar”.
Ver essa foto no Instagram
Nesse momento, a pastora se dirigiu a essas mulheres e afirmou: “Para de orar por ele hoje. Deus me trouxe aqui para usar os minutos que pregadores no Brasil gostariam de usar para salvar tua vida da morte”.
E continuou: “Comece a orar por você, a partir de agora. Você precisa ter coragem para sair e fazer a denúncia em uma delegacia de apoio à mulher ou qualquer outra. Você precisa, com urgência, ligar para alguém de confiança e buscar um lugar seguro. Por último, não acredite no pedido de desculpas, porque quem agride, mata; saia daí”.
‘O silêncio nunca foi a vontade de Deus’
Na ocasião, a pastora também orientou os pais das vítimas: “Pai, mãe, ele não é ungido! Eu sei que falaram para você assim: ‘Ai daquele que toca nos ungidos’. Eu sei que falaram para você, e eu também li e acredito piamente, porque acredito 100% na Bíblia: ‘Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas’. Mas você tem que entender que pedófilo não é ungido. Pedófilo é criminoso; pedófilo não é ungido. Pai e mãe, levantem dessa igreja, vão fazer uma denúncia agora. Não permaneça num território onde a palavra do seu filho seja contestada, levando-o a futuros traumas”.
Por fim, ela destacou: “Não existe capacidade de se encontrar, na mesma figura, um pastor e um abusador; ou é pastor, ou é abusador. Saia daí agora”.
Em seu perfil no Instagram, a pastora deu continuidade à mensagem e refletiu sobre o papel das igrejas.
“Existe algo que a igreja não pode mais fazer: se omitir. Não existe unção que justifique abuso. Não existe chamado que autorize agressão. Se agride, não representa Deus. Ungido não é abusador. Ungido não é agressor”, disse Helena.
“A verdade precisa ser dita com clareza: se é pastor, se é obreiro, se é membro, mas fere, oprime e violenta, isso não é autoridade espiritual. Isso é pecado, e pecado não se protege, se confronta. Se você está vivendo ou presenciando isso, não se cale. O silêncio nunca foi a vontade de Deus. A igreja precisa voltar a ser lugar de cura, não de medo. E, onde há verdade, há libertação”, acrescentou.
Ao reforçar a importância da denúncia, a pastora disponibilizou os números de canais de atendimento para mulheres vítimas de violência.
O Disque 100 recebe denúncias de violações de direitos humanos e atua no combate ao abuso infantil, enquanto o Ligue 180 é a Central de Atendimento à Mulher, com escuta e orientação especializada.
‘A proteção de nossas irmãs’
Após a repercussão nas redes sociais, a senadora Damares Alves elogiou a postura da pastora e destacou a importância da coragem ao abordar o tema “em um dos maiores eventos evangélicos anuais do país”.
“Eu vivi para assistir este vídeo. Imaginem como estou chorando de alegria. Obrigada pastora Helena Raquel por sua coragem. Sei de seu compromisso com a proteção de nossas irmãs”, disse Damares.
A senadora aproveitou a oportunidade e compartilhou dados sobre a violência no meio evangélico, citando uma pesquisa que revela que mais de 42% das mulheres evangélicas entrevistadas já sofreram algum tipo de violência doméstica.
Por fim, ela incentivou o compartilhamento da pesquisa como forma de conscientização: “Nos ajudem a salvar uma mulher”.
Assista a pregação completa:
