Adriana Bernardo

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Adriana Bernardo (@adrianammbernardo) é jornalista, escritora e idealizadora do grupo feminino cristão “Amigas de Deus”. Professora de Teologia e Aconselhamento. Casada com Bene Bernardo, é mãe de Raphael, Aline e Guilherme, e avó de Raquel, Daniel e Júli

A divisão não é de Deus: Em 2026 não deixe ideologias sequestrarem sua casa

Em 2026, diante de um cenário eleitoral difícil, somos chamados a superar a polarização retomando os ensinamentos de Jesus.

Fonte: Guiame, Adriana BernardoAtualizado: terça-feira, 13 de janeiro de 2026 às 16:28
(Imagem ilustrativa gerada por IA)
(Imagem ilustrativa gerada por IA)

Vivemos tempos em que a polarização se infiltrou nas conversas, nas mesas de jantar, nos grupos de WhatsApp e até nos abraços. Palavras como "nós e eles", "esquerda e direita", "conservadores e progressistas", "comunistas e capitalistas" se tornaram muros onde antes havia pontes.

E o mais doloroso é perceber que esse muro atravessou o coração das famílias, separando irmãos, pais e filhos, primos, netos e avós. O que deveria ser espaço de acolhimento virou campo de batalha.

Entramos em 2026 com uma eleição considerada por especialistas uma das mais difíceis do Brasil. A polarização, já consolidada nos últimos anos, tende a se intensificar ainda mais, criando o cenário perfeito para rupturas emocionais, ideológicas e relacionais.

Por isso, este pode ser um tempo oportuno para repensarmos essa dinâmica de confronto, buscando superar a lógica do rompimento com uma reflexão bíblica que nos conduza à reconciliação e ao amor.

Mas divisão não vem de Deus.

Jesus afirmou que “todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto” (Mateus 12:25). O mesmo vale para lares, relacionamentos, igrejas e amizades.

Casa dividida não prospera. Família ferida não avança.

Quando a política ocupa o lugar do amor

Quantas mesas de Natal esvaziaram desde que o debate político virou campo de guerra?

Quantos parentes deixaram de se conhecer?

Quantos bebês nasceram – o que é uma bênção do Senhor – e mesmo assim não foram celebrados por todos, porque a ideologia falou mais alto que o sangue?

Há relatos de famílias que romperam laços, bloquearam-se em redes sociais, abandonaram grupos e cortaram contato. Não por adultério, violência ou injustiça… mas por opiniões diferentes.

Então perguntamos: vale a pena?

O Evangelho responde: não.

A Palavra diz que nada poderá nos separar do amor de Deus (Romanos 8:39). E se o amor de Deus não se separa de nós, por que nós permitiríamos que a política nos separasse uns dos outros?

O verdadeiro inimigo não é seu parente

Paulo nos lembra que “nossa luta não é contra carne e sangue” (Efésios 6:12).

O adversário das nossas almas – aquele que semeia desavença desde o Éden, inclusive entre familiares (Gênesis 4) – se alegra com irmãos brigando, pais e filhos afastados, casamentos esmorecendo. Ele usa ideologias, partidos e discursos inflamados para plantar discórdia onde Deus plantou amor.

Mas não precisamos cooperar com isso.

Podemos escolher um caminho melhor.

Dias atrás, soube de dois irmãos que romperam o relacionamento por política. Debateram, se atacaram nas redes, perderam-se. Mas um deles decidiu tomar a iniciativa: procurou o outro, pediu perdão, conversaram – e se reconciliaram.

Esse gesto, simples e cristão, vale mais que qualquer argumento.

Porque o amor cura onde a razão não alcança.

A família é projeto de Deus

Quando Deus criou a família, Ele a fez como porto seguro, lugar de crescimento, cura e sustentação emocional.

A família é a primeira igreja, a primeira escola, o primeiro abrigo.

É nela que aprendemos a perdoar, a ouvir, a acolher, a discordar sem destruir.

Por isso o inimigo tenta dividi-la – porque sabe que quando a família se fortalece, a sociedade é transformada.

Se sua casa foi ferida pela polarização, ainda há esperança.

Talvez o clima esteja pesado.

Talvez haja alguém afastado.

Talvez a última conversa tenha terminado com portas batendo e corações machucados.

Mas hoje você pode ser ponte, não muro.

Pode iniciar o diálogo, escrever uma mensagem, fazer uma visita, oferecer um abraço.

Não precisa concordar em tudo, afinal, o amor não exige simetria de opinião, exige maturidade de relacionamento.

O Reino pertence aos que têm coração de criança: simples, ensinável, pronto para amar.

E talvez seja isso que precisamos recuperar – menos rigidez, mais mansidão; menos disputa, mais perdão.

Que o Espírito Santo derrame cura e reconciliação sobre nossas casas.

Que entendamos que ideias passam, mas a família permanece.

Que guardemos estas verdades:

Somos da mesma mesa, antes de sermos do mesmo lado.

Somos da mesma família, antes de sermos do mesmo partido.

O amor é maior que qualquer opinião.

E que no final, que a bandeira erguida em nossos lares não tenha uma cor específica, conservadora ou progressista, mas a bandeira de Cristo, que nos chama à paz e à unidade.

 

Adriana Bernardo (@adrianammbernardo) é jornalista, escritora e idealizadora do grupo feminino cristão “Amigas de Deus”. Professora de Teologia e Aconselhamento. Casada com Bene Bernardo, é mãe de Raphael, Aline e Guilherme, e avó de Raquel, Daniel e Júlia.

* O conteúdo do texto acima é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: A Bíblia não é um cartão-postal

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