
Adriana Bernardo (@adrianammbernardo) é jornalista, escritora e idealizadora do grupo feminino cristão “Amigas de Deus”. Professora de Teologia e Aconselhamento. Casada com Bene Bernardo, é mãe de Raphael, Aline e Guilherme, e avó de Raquel, Daniel e Júli

Vivemos tempos em que a polarização se infiltrou nas conversas, nas mesas de jantar, nos grupos de WhatsApp e até nos abraços. Palavras como "nós e eles", "esquerda e direita", "conservadores e progressistas", "comunistas e capitalistas" se tornaram muros onde antes havia pontes.
E o mais doloroso é perceber que esse muro atravessou o coração das famílias, separando irmãos, pais e filhos, primos, netos e avós. O que deveria ser espaço de acolhimento virou campo de batalha.
Entramos em 2026 com uma eleição considerada por especialistas uma das mais difíceis do Brasil. A polarização, já consolidada nos últimos anos, tende a se intensificar ainda mais, criando o cenário perfeito para rupturas emocionais, ideológicas e relacionais.
Por isso, este pode ser um tempo oportuno para repensarmos essa dinâmica de confronto, buscando superar a lógica do rompimento com uma reflexão bíblica que nos conduza à reconciliação e ao amor.
Mas divisão não vem de Deus.
Jesus afirmou que “todo reino dividido contra si mesmo ficará deserto” (Mateus 12:25). O mesmo vale para lares, relacionamentos, igrejas e amizades.
Casa dividida não prospera. Família ferida não avança.
Quando a política ocupa o lugar do amor
Quantas mesas de Natal esvaziaram desde que o debate político virou campo de guerra?
Quantos parentes deixaram de se conhecer?
Quantos bebês nasceram – o que é uma bênção do Senhor – e mesmo assim não foram celebrados por todos, porque a ideologia falou mais alto que o sangue?
Há relatos de famílias que romperam laços, bloquearam-se em redes sociais, abandonaram grupos e cortaram contato. Não por adultério, violência ou injustiça… mas por opiniões diferentes.
Então perguntamos: vale a pena?
O Evangelho responde: não.
A Palavra diz que nada poderá nos separar do amor de Deus (Romanos 8:39). E se o amor de Deus não se separa de nós, por que nós permitiríamos que a política nos separasse uns dos outros?
O verdadeiro inimigo não é seu parente
Paulo nos lembra que “nossa luta não é contra carne e sangue” (Efésios 6:12).
O adversário das nossas almas – aquele que semeia desavença desde o Éden, inclusive entre familiares (Gênesis 4) – se alegra com irmãos brigando, pais e filhos afastados, casamentos esmorecendo. Ele usa ideologias, partidos e discursos inflamados para plantar discórdia onde Deus plantou amor.
Mas não precisamos cooperar com isso.
Podemos escolher um caminho melhor.
Dias atrás, soube de dois irmãos que romperam o relacionamento por política. Debateram, se atacaram nas redes, perderam-se. Mas um deles decidiu tomar a iniciativa: procurou o outro, pediu perdão, conversaram – e se reconciliaram.
Esse gesto, simples e cristão, vale mais que qualquer argumento.
Porque o amor cura onde a razão não alcança.
A família é projeto de Deus
Quando Deus criou a família, Ele a fez como porto seguro, lugar de crescimento, cura e sustentação emocional.
A família é a primeira igreja, a primeira escola, o primeiro abrigo.
É nela que aprendemos a perdoar, a ouvir, a acolher, a discordar sem destruir.
Por isso o inimigo tenta dividi-la – porque sabe que quando a família se fortalece, a sociedade é transformada.
Se sua casa foi ferida pela polarização, ainda há esperança.
Talvez o clima esteja pesado.
Talvez haja alguém afastado.
Talvez a última conversa tenha terminado com portas batendo e corações machucados.
Mas hoje você pode ser ponte, não muro.
Pode iniciar o diálogo, escrever uma mensagem, fazer uma visita, oferecer um abraço.
Não precisa concordar em tudo, afinal, o amor não exige simetria de opinião, exige maturidade de relacionamento.
O Reino pertence aos que têm coração de criança: simples, ensinável, pronto para amar.
E talvez seja isso que precisamos recuperar – menos rigidez, mais mansidão; menos disputa, mais perdão.
Que o Espírito Santo derrame cura e reconciliação sobre nossas casas.
Que entendamos que ideias passam, mas a família permanece.
Que guardemos estas verdades:
Somos da mesma mesa, antes de sermos do mesmo lado.
Somos da mesma família, antes de sermos do mesmo partido.
O amor é maior que qualquer opinião.
E que no final, que a bandeira erguida em nossos lares não tenha uma cor específica, conservadora ou progressista, mas a bandeira de Cristo, que nos chama à paz e à unidade.
Adriana Bernardo (@adrianammbernardo) é jornalista, escritora e idealizadora do grupo feminino cristão “Amigas de Deus”. Professora de Teologia e Aconselhamento. Casada com Bene Bernardo, é mãe de Raphael, Aline e Guilherme, e avó de Raquel, Daniel e Júlia.
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