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A "nova unção" do patriarca Terra Nova

A "nova unção" do patriarca Terra Nova

Atualizado: Segunda-feira, 19 Julho de 2010 as 8:47

Recentemente foram postados várias notícias sobre a ''unção de patriarca'', concedida ao Apóstolo Rene Terra Nova pelo seu ministério em Manaus. Também faço parte de um ministério apostólico, e creio que tenho uma responsabilidade com a minha igreja, assim como com o movimento apostólico, de expressar minha opinião quanto ao ocorrido. Não concordo com esta unção, não acredito nela, e vejo que ela trará mais confusão sobre o mover apostólico em todo o Brasil. Uma vez que está se resgatando conceitos e valores que hoje já não dizem nada para o cristianismo e para Cristo.

Há algum tempo atrás um amigo me falou sobre o conceito do patriarcado que estava se levantando na América Central, inclusive observando o princípio do casamento poligâmico, principalmente em igrejas de cunho messiânico ou de práticas judaizantes.

Diante disso, sei que muitos se valerão do chavão evangélico: ''Não toque no ungido de Deus''. A frase ''Não toqueis nos meus ungidos'' (Sl 105.15) tem sido usada e abusada fora de seu contexto para os mais variados fins. Maus obreiros e falsos profetas se valem dela para ameaçar seus críticos; e até líderes evangélicos mal-orientados usam-na para defender certos ''ungidos''. Outros ainda a empregam para reforçar a idéia de que não cabe aos servos de Deus julgar ou criticar heresias e práticas antibíblicas. Será?

Quando examinamos o contexto da frase acima, vemos que ela está longe de ser uma regra geral. Quando Paulo andou na terra, havia muitos ''ungidos'' ou que aparentavam ter a unção de Deus (2 Co 11.1-15; Tt 1.1-16). E Paulo jamais se impressionou com a aparência deles (Cl 2.18,23). Por isso, afirmou: ''E, quanto àqueles que pareciam ser alguma coisa (quais tenham sido noutro tempo, não se me dá; Deus não aceita a aparência do homem), esses, digo, que pareciam ser alguma coisa, nada me comunicaram '' (Gl 2.6).

Aparência, popularidade, eloquência, títulos, status, anos de ministério... Nada disso denota que alguém esteja sob a unção de Deus e que está imune à contestação a luz da Palavra de Deus.

Muitos enganadores, ao serem questionados quanto às suas pregações e práticas antibíblicas, têm citado a frase em análise, além do episódio em que Davi não quis tocar no ''desviado'' rei Saul, que fora ungido pelo Senhor (1 Sm 24.1-6). Mas a atitude de Davi não denota que ele tenha aprovado as más obras daquele monarca.

Se alguém, à semelhança de Saul, foi um dia ungido por Deus, não cabe a nós matá-lo espiritualmente ou condená-lo ao Inferno. Entretanto, isso não significa que devamos silenciar ou concordar com todos os seus desvios do evangelho (Fp 1.16; Tt 1.10,11).

O próprio Jônatas reconheceu que seu pai turbara a terra; e, por essa razão, descumpriu, acertadamente, as suas ordens (1 Sm 14.24-29). O texto de Salmos 105.15 em nenhum sentido proíbe o juízo de valor, até porque o sentido de ''toqueis'' e ''maltrateis'' é exclusivamente quanto ao dano físico.

Infelizmente, muitos líderes, pregadores, cantores e crentes em geral, considerando-se ungidos ou profetas, escondem-se atrás do bordão em análise e cometem todo tipo de heresia, egocentrismo ou mesmo pecado. Devem recorrer a outro texto de máxima importância que diz: ''Não ultrapasseis o que está escrito'' (1 Co 4.6). Caso queiram aplicar a si mesmos a primeira frase, que cumpram antes a segunda. Patriarcado está longe de ser uma unção, mas apenas uma invenção como forma de promover um ''nível'' mais elevado de domínio. é necessário que a Igreja Evangélica deixe para trás as coisas de meninos, e se preocupem com as coisas de Deus. A Ele toda a Glória.

Bruno dos Santos   é Diretor do VidaSat Comunicações, Coordenador Geral da CIA (Coalizão das Igrejas Apostólicas) e pastor da Igreja Vida Nova em São Paulo. Escritor e Conferencista, é formado em Teologia com especializações em Novo Testamento e Liderança. Casado com Silvia Regina, é pai do Lucas, da Laís e da Ana Luiza  

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