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O divórcio é errado?- Quem disse???

O divórcio é errado?- Quem disse???

Atualizado: Quarta-feira, 30 Setembro de 2009 as 12

Será que a igreja faz "vistas grossas" diante da avalanche de divórcios e casamentos desfeitos dentro dela? Como pensar bíblicamente sobre este assunto?

O divórcio é errado? Vejamos o que nos diz as Escrituras: "Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem" (Mt 19.6). O raciocínio aqui é claro! A perguntas está incorreta. A afirmação é esta: "Um relacionamento permanente, contínuo e sem igual é sempre certo!"

Noutras palavras, as Escrituras estão interessadas na permanência do casamento. A regra é conservar em andamento um relacionamento de amor, sem igual, custe o que custar, posto que não importe na perpetuação de um mal, ou de um bem menor ao invés de um bem maior.

A questão, portanto, não é "o divórcio é errado?" (a separação) mas, sim, de se realmente ainda "há um casamento?" (uma união) de duas pessoas. Ou seja, naturalmente, o homem não deve dividir o que Deus uniu; a pergunta é: Deus uniu este casal?

Se Deus não o uniu num amor sem igual e permanente, então pode ser igualmente errado procurar unir aquilo que Deus não uniu. A referência de Jesus à fornicação ou à incastidade como motivo para separação é um exemplo típico.

Se um parceiro rompeu o relacionamento conjugal sem igual, ao juntar-se sexualmente a outra pessoa, logo, tanto a permanência quanto a qualidade sem igual do vínculo foram quebradas. Em semelhante caso, onde não há possibilidade de restaurar e perpetuar um relacionamento com relevância permanente, a separação é o melhor a ser feito.

Em 1 Coríntios 7 parece que Paulo está desenvolvendo ainda mais os fundamentos legítimos para terminar um casamento, ao incluir a indisposição do cônjuge descrente de continuar em andamento o contrato depois do outro ter-se tornado cristão. "Mas, se o descrente quiser apartar-se, que se aparte; em tais casos não fica sujeito à servidão, nem o irmão, nem a irmã (aos seus votos de casamento)" (v. 15).

Se esta for a interpretação correta da passagem, logo, Paulo está apoiando a consideração de que Deus está primariamente interessado em tornar permanentes aqueles relacionamentos onde há uma disposição ou consentimento entre os parceiros. Naturalmente, isto não quer dizer que a mera incompatibilidade é um motivo para o divórcio.

O amor exige um esforço para vencer as diferenças. Mas se não pode haver uma união sem igual e permanente, não há razão para forçar um impersonalismo permanente. Deus está interessado em juntar as duas pessoas de modo permanente num relacionamento pessoal. Se isto não for possível entre as pessoas A e B, então podemos tomar por certo que separá-las será mais útil para mais pessoas (inclusive os filhos) do que solidificar este mau relacionamento.

Sob quais responsabilidades superiores, pois, são justificados o divórcio ou a separação? Para mim em pelo menos três situações distintas.

(1) Quando Deus nunca os juntou num relacionamento de amor sem igual desde o início, e quando não há esperança de que ocorrerá no futuro (Mt 19:6).

(2) Quando o relacionamento sem igual é irreparavelmente quebrado pela infidelidade ou violência doméstica grave. (Mt 19:9).

(3) Quando um dos parceiros "morre"; quando existe uma separação física permanente. Esta pode ser uma morte física real ou seu equivalente. (pessoas em estado vegetativo, etc).

Estas não são exceções à permanência do casamento, porque um casamento permanente depende de haver duas pessoas dispostas a continuar este relacionamento sem igual. Quando não existe mais a disposição clara para compartilhar a vida juntos, o divórcio nunca é errado!

Pr. Bruno dos Santos   é português, 35 anos, teólogo e professor nas áreas de Novo Testamento e Teologia Sistemática. Escritor e Conferencista nas áreas de liderança e vida cristã. Exerce sua atividade pastoral na Missão Apostólica Ebenézer, na Cidade de São Paulo, e é casado com Silvia Regina, tem três filhos: Lucas, Laís e Ana Luiza.

Blog Bruno dos Santos www.prbruno.blogspot.com Portal Cruzada Missionária Continental Brasil www.cmc.org.br

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