Teólogos afirmam que Jesus não nasceu no dia 25 dezembro

Texto dentro do contexto.

Fonte: Guiame, Cris BeloniAtualizado: quarta-feira, 12 de janeiro de 2022 18:58
Representação do nascimento de Jesus Cristo. (Foto: Pixabay/Jeff Jabobs)
Representação do nascimento de Jesus Cristo. (Foto: Pixabay/Jeff Jabobs)

Será que Jesus nasceu mesmo no dia 25 de dezembro, como muitos dizem? A data do nascimento de Jesus Cristo não foi registrada na Bíblia, mas é bem provável que não foi em dezembro, já que em Israel esse é um mês de inverno rigoroso.

A Bíblia narra que no episódio do Seu nascimento, havia pastores no campo cuidando das ovelhas, na madrugada. Veja:

“Havia pastores que estavam nos campos próximos e durante a noite tomavam conta dos seus rebanhos.” (Lucas 2.8)

Se fosse dezembro, a noite estaria tão fria que, certamente, todos os rebanhos estariam protegidos em alojamentos.

O clima em Israel é bem diferente do nosso e varia de temperado a tropical. Entre o fim de março e meados de novembro o tempo é quente e seco, então os rebanhos costumavam ficar ao ar livre.

Mas, a partir de dezembro começava o inverno chuvoso e as noites frias. Daí, os estudiosos concluem que Jesus não nasceu em dezembro.

Sobre a contagem do povo

Além disso, eles alertam para o fato de que o Imperador não exigiria que houvesse um censo que obrigasse as pessoas a viajarem em pleno inverno.

Alguns especialistas ainda se arriscam a calcular a data aproximada do nascimento de Jesus fazendo uma contagem regressiva a partir de sua morte. Eles dizem que Jesus nasceu entre setembro e outubro. Outros defendem que Jesus nasceu por volta de março e abril.

Seja como for, o dia 25 de dezembro ficou estabelecido como o dia da festa cristã. A maioria das igrejas do nosso tempo concorda com essa comemoração, embora alguns religiosos prefiram deixar a data passar em branco, alegando que ela tem ligação com o paganismo. Será que tem mesmo? 

 Imagem antiga do deus sol. (Foto: Wikimedia Commons)

Sobre as festas pagãs

Há rumores de que existia mesmo uma festa pagã no dia 25 de dezembro, que comemorava o nascimento do deus-sol. Essa festa se chamava Natalis Solis Invicti (nascimento do sol invencível).

Seria então um pecado comemorar o nascimento de Cristo nesse mesmo dia? A maioria dos cristãos acha que não, pois a Bíblia mesmo diz:

“Não vos lembreis das coisas passadas, nem considereis as antigas.” (Isaías 43.8)

Ou seja, “Esqueçam o que se foi; não vivam no passado.” Veja agora um resumo sobre as outras festas que aconteciam no final do ano, nos tempos antigos:

Saturnália

Era um festival da Roma Antiga em honra ao deus Saturno (divindade agrícola), que ocorria no dia 17 de dezembro de acordo com o calendário Juliano e que, mais tarde, se estendeu até o dia 23 de dezembro.

O feriado era celebrado com um sacrifício no Templo de Saturno, no Fórum Romano, onde era realizado um banquete público, com muitas variedades de comidas e bebidas, seguido de troca de presentes, diversões e um clima de “carnaval”, onde as normas sociais romanas eram quebradas por ocasião da festa — jogos eram permitidos e os escravos podiam comer nas mesas de seus senhores.

Representação atualizada da Saturnália. Carnaval do RJ, 2009. (Foto: Flickr/Mídia NInja)

Na comemoração, todos ficavam felizes por mais um ano de colheita, por isso se reuniam em igualdade, sem diferenças entre pobres e ricos, já que todos dependiam da agricultura como meio de subsistência.

Dizem que as casas eram decoradas com velas e folhagens. Nessa mesma época, os persas também faziam homenagens ao deus Mitra. Dizem que a festa acontecia entre os dias 24 e 25 de dezembro.

O deus-sol era representado por pessoas diferentes, conforme cada povo. É o que dizem por aí, e por não haver comprovação histórica, chamamos tudo isso de lenda.

Dizem também que em 273 d.C., o Imperador Aureliano oficializou o dia do nascimento do sol em 25 de dezembro e que a troca de presentes por quem celebrava essa data era feita através de pequenas estátuas de prata ou velas de cera que simbolizavam a luz na escuridão, já que o solstício de inverno indicava que a duração da noite seria a mais longa do ano.

Solstício de inverno

A palavra “solstício” vem do latim (sol + sistere) e quer dizer “sol que não se move”. Na verdade, a palavra se refere ao movimento aparente do sol. De um lado (hemisfério norte) é quando o sol, ao meio dia, alcança seu ponto mais baixo no céu e ocorre o dia mais curto e a noite mais longa do ano. Esse é o solstício de inverno.

Já o solstício de verão é o contrário, quando o sol fica mais alto, o dia é mais longo e a noite é mais curta. Astronomicamente, estamos falando da troca de uma estação.

 Representação do equinócio, instante em que o sol em sua órbita aparente cruza o equador celeste. (Foto: Pixabay)

Celebrações do solstício de inverno

Era o primeiro dia da estação mais fria do ano. De acordo com as lendas, o povo fazia de tudo para agradar aos deuses e pedir-lhes que o inverno fosse brando e que o sol retornasse ressuscitado na próxima estação.

Eles associavam tudo ao nascimento ou renascimento do sol. Simbolicamente eles enxergavam nisso a vitória da luz sobre a escuridão. Lembrando que para eles o “sol” era considerado um deus.

Para compreender os costumes daquela época, no próximo estudo vamos falar sobre o surgimento do calendário e a origem das festas de aniversário. Continue nos acompanhando por aqui!

Por Cris Beloni, jornalista cristã, pesquisadora e escritora. Lidera o movimento Bíblia Investigada e ajuda as pessoas no entendimento bíblico, na organização de ideias e na ativação de seus dons. Trabalha com missões transculturais, Igreja Perseguida, teorias científicas, escatologia e análise de textos bíblicos.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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