Deus nos fez de “modo especial e admirável”

Quando percebemos a ausência do afeto, além de um enorme vazio em nossa alma, experimentamos um grande impacto em nossa autoestima.

Fonte: Guiame, Darci LourençãoAtualizado: sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021 16:08
(Foto: OnePoint)
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O afeto é aquele sentimento que recebemos e reconhecemos desde o ventre da nossa mãe. Ouvimos as palavras que nos são dirigidas, o carinho do toque na barriga, as declarações de amor... O que fica subentendido em nossa mente é que esse sentimento continuará para sempre. Por isso, quando o afeto nos falta, seja em que fase for da vida, sofremos. Quando percebemos a ausência deste sentimento, além de um enorme vazio em nossa alma, também experimentamos um grande impacto em nossa autoestima. É como se deixássemos de ser aceitos. É como se houvesse um rompimento drástico, assim como acontece com o corte do cordão umbilical.

Essa experiência negativa nos faz duvidar que somos a mesma pessoa que um dia foi amada, ou se aquele afeto era real. Não conseguimos identificar com clareza o que acontece. Não estamos aqui falando de coisas racionais, mas de percepções em nossa mente, as quais sequer conseguimos reconhecer ou explicar. No entanto, elas estão lá e nos causam grande impacto negativo, que pode ser refletido em nossos relacionamentos interpessoais, em nossa autoaceitação – e até em nossa relação com Deus!

O mais preocupante é que, se não obtivermos ajuda profissional e mesmo espiritual com relação a isso, poderemos conviver com essas emoções por toda a nossa vida adulta! Imagine o impacto disso em nosso dia a dia, em nossa rede social (não as virtuais, mas aquelas com pessoas com quem convivemos no mundo real). Isso afetará todos os ambientes que frequentamos.

A Bíblia diz que Deus nos fez de “modo especial e admirável” (Salmos 139:14), mas essa verdade nos é desconhecida ou ignorada. Acreditamos apenas no que nossos sentimentos nos dizem, muito mais do que na verdade das Escrituras. Lançamos mão do amor de Deus para mendigarmos o afeto de quem só nos quer à medida que sejamos como ele espera ou enquanto temos algo a oferecer.

Então, em nossa mente, acreditamos que qualquer afeto só existirá se agradarmos o outro. Com isso, deixamos de ser quem poderíamos ser, para sermos quem as pessoas esperam que sejamos. Isso faz com que muitos indivíduos construam personalidades fakes já que eles mesmos não são aquilo que aparentam ou apresentam ser.

O duro é que, no afã de atender às expectativas alheias, podemos construir uma personalidade imaginária, com a qual deveremos conviver, e nem sempre ela nos será uma boa companhia. Então, fica a pergunta: Onde está a minha verdade? Quem eu sou? O que desejo de fato? Será que se eu manifestar minha verdadeira personalidade nunca serei amado? Assim, o medo e a insegurança dominam a nossa personalidade, nos fazem pessoas fracas e dependentes emocionalmente de alguém!

Esse comportamento faz um estrago tão grande em nós, porque cada vez mais ficaremos distantes de quem somos, para nos aproximar daquele que nos “moldou” segundo as suas expectativas.

Quantas vezes ouvimos alguém dizer: ‘Nossa, nunca pensei que você rejeitaria fazer o que te pedi.’ Sabe por que isso? Porque sempre nos relacionamos com as pessoas com alguma moeda de troca, que no nosso caso, é um pouco de afeto, uma migalha de aceitação.

Você consegue dimensionar como isso é prejudicial a você? Você percebe que há uma violação de sua essência, uma agressão à sua personalidade? Algo que pode te corromper e marcar você negativamente para o resto da vida.

Lembre-se que você é amado do Pai. Você é especial e admirável para Deus! Por isso, o amor Dele nunca vai te faltar: nem nos bons nem nos maus momentos.

Jesus te amou desde o ventre de sua mãe. Essa verdade ninguém pode mudar. E Ele continuou amando você em sua infância, e para sempre o Pai te amará!

Por Darci Lourenção, psicóloga, pastora, coach, escritora e conferencista. Foi Deã e Professora de Aconselhamento Cristão. Autora dos livros “Na intimidade há cura”, “A equação do amor” e “Viva sem compulsão”.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

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