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Setembro Amarelo: meu testemunho de fé em Jesus

Quero compartilhar sobre uma experiência pessoal a respeito do tema, e como a fé em Jesus me fez refletir.

fonte: Guiame, Darci Lourenção

Atualizado: Quinta-feira, 19 Setembro de 2019 as 4:43

(Foto: Getty)
(Foto: Getty)

A realidade está aí. O problema existe. O suicídio não é uma questão nova, de hoje. Não é um tema isolado. Muitas situações estão envolvidas nesse terrível ato. Infelizmente, hoje mais e mais temos ouvido notícias de pessoas que cometeram suicídio, a ponto desse tipo de ato já ter se tornado uma questão de saúde pública. O crescimento do suicídio atualmente tem, inclusive, assustado a Organização Mundial de Saúde (OMS).

Isso nos faz entender a urgência de conversarmos sobre o tema, trazendo informações, tanto em termos psicológicos e emocionais como espirituais. No entanto, as conversas não devem se restringir a este mês de setembro, quando campanhas e campanhas são feitas, mas devemos nos atentar para esse problema ao longo do ano, prestando atenção ao nosso redor, no comportamento e na vida daqueles que fazem parte da nossa convivência.

Quero aproveitar para compartilhar sobre uma experiência pessoal a respeito do tema, e como a fé em Jesus me fez refletir em sentimentos que transbordaram o meu coração.

Há muitos anos, mais ou menos na época da minha formatura, que em 2019 faz 40 anos, já à frente do ministério eu visitava e acompanhava pessoas e famílias sofrendo por diversos tipos de problemas pessoais, emocionais e espirituais. Por diversas vezes, voltei para casa com o peso da dor do outro, que ficou órfão, pelo fato de o pai ter matado a sua mãe e se suicidado; da tentativa de suicídio de um pai família, que deixava a esposa sem entender o porquê e os filhos com medo de que o pai pudesse voltar a tentar o suicídio de novo. Enfim, por muitas vezes, alguns pensamentos intrusivos vinham à minha mente e eu recebia aquela sugestão, sentia a possibilidade de que eu pudesse vir a ser uma das próximas vítimas.

Aquilo foi muito angustiante. Não era literatura, era algo ocorrendo no meu mundo interno. Eu meditava nos dardos inflamados do diabo lançados em minha mente. Eu orava, repreendia no nome de Jesus. Veja, esses dardos funcionam como sementes lançadas no solo da nossa mente, ocorre que quando recebemos e nutrimos esses dardos (ideias, pensamentos) eles germinarão e a colheita ocorrerá, se essa semente maligna não for danificada, destruída.

Jesus disse ‘vigie para que não entre em tentação, o espírito está pronto, a carne é fraca’. Não é difícil plantar, é difícil exterminar as ervas daninhas. Foi nesse período, quando estava focada em minhas forças emocionais e espirituais para exterminar as ervas daninhas (pensamentos intrusivos), que conversando com outra psicóloga amiga, no meio de uma conversa, ela disse é muito diferente pensar em morrer e ter um pensamento fixo, determinante de ir ao encontro da morte, em querer morrer de fato.

Ufa! Que alívio. Eu não queria morrer, estava apenas diante de um sentimento de impotência. De um lado a impotência e do outro a esperança abraçando a fé. Deus existe e irá me ajudar, pensei.

Esse é o caminho e saída para a impotência, para o desejo de fugir. Há dois reinos: um é o império das trevas, que quer sempre levar o homem a encontrar mais cedo possível a morte, ou o roubo, ou a destruição. O príncipe desse império veio para executar esse plano. E o outro reino. Como é que e quem reina nele? Quando falamos em suicídio sempre há uma só pessoa envolvida nesse ato. Diferente da chacina. No suicídio, uma pessoa que tenta contra a própria vida, só vai acabar com ela mesma. No entanto, na chacina uma pessoa pode matar oito, 10, 15...

No entanto, no suicídio há de um lado o suicida e do outro lado a família. A família que ‘sobra’ do suicídio nunca mais é a mesma. Ela se desagrega. É por isso que é chamada de ‘família sobrevivente’.

A culpa que fica com a família é muito grande; chamamos o processo de luto da família sobrevivente de uma ‘anomalia emocional’, sentimentos a serem elaborados no luto.

Muitos casos e suicídios são evitados pelo fato de a pessoa com ideia suicida ter com quem pensar. Com quem conversar. Jesus um dia disse aos seus discípulos que eles não precisavam ir procurar alimento para a multidão, sendo tarde. ‘Vocês mesmos deem de alimento a eles’, disse.

É importante nesse momento, quando nós pensamos no suicida, pensarmos que 10 pessoas que estão com a ideia de se suicidar, nove podem ser livradas se tiver quem as ouça. Se elas forem acolhidas. O suicídio acaba sendo um grito de socorro. A família deve estar prestando atenção no comportamento desse jovem, do adulto, da pessoa da terceira idade... o comportamento, se tem sinais de depressão, de desânimo, de abandono dos sonhos; se essa pessoa começa a se tornar depressiva, introspectiva.

A família deve fazer aquilo que Jesus disse aos discípulos “deem vós mesmos de comer”. Abram seus braços, e acolha a pessoa que, na sua família, que no seu meio social, que até mesmo na sua igreja, possa estar mostrando que suas forças estão se esvaindo, que não tem força para lutar contra as mares da vida e entenda que, apenas o seu ouvir em amor, vai ajudá-la a encontrar a esperança que poderá ser abraçada pela fé e encontrar em Jesus o novo caminho, o novo tempo.

Salmo 19.6 diz que a lei do Senhor é perfeita e restaura a alma. E restaurar no hebraico significa ‘dar um novo brilho, um novo começo’. Você não precisa necessariamente ser amigo de um suicida, você necessariamente não precisa ser uma família sobrevivente, reconheça que você pode abrir o teu coração, os teus olhos, os teus braços, os teus ouvidos e abraçar essa pessoa e dizer a ela ‘vem comigo porque há um caminho que é mais forte do que a morte e esse caminho é Jesus, e Ele nos leva aos braços de amor do Pai’.

Pense nisso!

Não se esqueça de que o Pai ama você!

Por Darci Lourenção, psicóloga, pastora, coaching, escritora e conferencista. Foi Deã e Professora de Aconselhamento Cristão. Autora dos livros “Na intimidade há cura”, “A equação do amor” e “Viva sem compulsão”.

* O conteúdo do texto acima é de colaboração voluntária, seu teor é de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

 

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