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Bom é ser justo

Bom é ser justo

Atualizado: Terça-feira, 26 Outubro de 2010 as 11:51

"Ao contemplar minha vida, percebo que me alternava entre dois mundos no esforço de satisfazer duas necessidades humanas básicas: a de me sentir bem-sucedido e importante e a de pensar de mim como uma boa pessoa, alguém que merecia a aprovação de indivíduos igualmente bons (...) Nossa auto-imagem é como uma fotografia fora de foco, duas imagens levemente borradas em vez de uma única e nítida. Dedicamos grande parte da nossa vida e uma considerável quantidade de energia ao esforço de eliminar a lacuna existente entre os anseios da alma e as censuras da consciência, entre a necessidade com freqüência conflitante de termos certeza de que somos bons e a satisfação de ouvir que somos importantes. As pessoas que mais admiramos tendem a ser aquelas que nos dão a impressão de terem eliminado essa lacuna, de terem resolvido o conflito ".

Estas palavras são de Harold Kushner ["Que tipo de pessoa você quer ser?" Rio de Janeiro: Sextante, 2004], Rabino Laureado do Temple Israel, em Natick, Massachussets, USA, eleito em 1999 o Clérigo do Ano pela Religion in American Life, e autor de best-sellers como Quando coisas ruins acontecem às pessoas boas e Quando tudo não é o bastante. Em outras palavras, um sujeito bem-sucedido (evidentemente, estamos avaliando a situação através da lente de nossa sociedade de mercado, que valoriza os vencedores em termos de conquistas e posses). Seu encorajamento para que busquemos o caminho da bondade não é a palavra de um despeitado, que fracassou e se escondeu atrás da piedade.

A abordagem de Kushner nos coloca a todos diante do mesmo dilema: para ser bem sucedido nem sempre é possível ser bom, e vice-versa, isto é, a bondade pode nos custar degraus na escada do sucesso. Ficamos num impasse: ou escolhemos o sucesso e sacrificamos a consciência, ou seguimos a consciência, e então perderemos oportunidades, deixaremos de fechar negócios, seremos preteridos no avanço da carreira, passaremos por idealistas e ouviremos tantas vezes o famoso "por que não? deixa de ser bobo, todo mundo faz". Concordo que a coisa não precisa ser encarada assim tão radicalmente: ou isso ou aquilo. Mas você deve admitir que passa perto, afinal, a Bíblia deixa claro que "o mundo é controlado pelo espírito Mal" (1João 5.19), que naturalmente, a exemplo do que fez com Jesus, odeia e persegue todos os que escolhem viver piedosamente (João 15.18-25; Atos 14.21,22; 2Timóteo 2.12). Os bons são ovelhas no meio de lobos, e devem ser astutos como as serpentes, sem perder a simplicidade das pombas (Mateus 10.16).

A discussão a respeito de rotas alternativas para permanecermos no mundo sem nos deixarmos dominar pelo Mal e nos tornarmos igualmente malvados (João 17.15) é intensa e abrangente. Mas com certeza passa pelo conceito cristão de sucesso. Nesse caso, não precisamos escolher entre ser um sucesso e ser bom, pois no Cristianismo, ser um sucesso é ser bom.

Ed René Kivitz   é mestre em Ciências da Religião pela Universidade Metodista de São Paulo, escritor, conferencista e pastor da Igreja Batista de Água Branca, na Zona Oeste de São Paulo, tendo obras e pastorais publicados neste site:   www.ibab.com.br .

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