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O príncipe virou um sapo

O príncipe virou um sapo

Atualizado: Quinta-feira, 26 Janeiro de 2012 as 12:20

Era noite. O vento sussurrava e balançava as árvores que pareciam dançar com ele. Ao meu redor dezenas de amigos e amigas, todos em pares tentando me fazer companhia. Eu, apenas eu, estava sozinho. Hoje seria diferente, cansei de esperar de braços cruzados, talvez Deus queira me abençoar e eu não estou fazendo a minha parte. Vou à luta.

Entre uma conversa e outra de repente nossos olhares se cruzam. Os amigos logo notam e fazem questão de nos apresentar. Será que é ela? Já estou cantando internamente a música da Ludmila Ferber: “Chegou a minha vez, chegou a minha hora. É tempo de Colher, é tempo de vitória.” Alelóoiaaa!

Começamos a conversar. Chamei-a pra tomar um sorvete. Ela estava linda, confesso que não prestei muita a atenção no bate-papo porque suas roupas delineavam bem seu corpo e eu fiquei como dizer: “Encantado” se é que você me entende!

Marcamos outro dia. Desta vez também coloquei uma camiseta que mostrasse bem meus músculos, afinal, não posso perder a minha benção.

Encontramos-nos. Estava uma noite linda, fazia um pouco de calor e fomos caminhar um pouco. Tirei a blusa pra ficar mais à vontade. Notei que ela gostou. No meio do nosso papo descobri que ela é desviada da igreja. Olha que benção! Deus me mandou aqui pra trazer ela de volta pra igreja. Meu namoro poderá render frutos pro evangelho. Deus está no meio, tenho certeza!

Antes de nos despedirmos nesta especial noite, rolou nosso primeiro beijo. Sinos tocaram, pássaros cantaram, me senti como numa cena te novela. Foi mágico! Demos um tchau e fomos para nossas casas.

O namoro continuou, agora ficávamos mais nos beijando do que conversando. Tínhamos muita química. Mas com o passar dos dias e devido ao trabalho dela, só podíamos nos encontrar no domingo à noite, e como eu também estava evangelizando, não tinha problema nenhum faltar ao culto, não é mesmo?!

Quando percebi, já fazia meses que não ia à igreja. Na realidade já fazia meses que não fazia muita coisa, ela era muito ciumenta, qualquer coisa era motivo para brigas. Eu achava que seria só uma fase, afinal nosso namoro já estava tendo alguns contatos mais fortes que somente beijos e eu jamais teria esse tipo de contato se não quisesse casar com ela, mas agora começava a me questionar: “Será que é de Deus mesmo?”

Os dias se passaram e minha vida virou um inferno. Tive de abrir mão até dos amigos. Sentia muitas saudades dela e quando estávamos perto só brigávamos. Enfim chegou a um momento que não agüentei mais e terminei o namoro. Ela gritou, esperneou e antes de sair me deu um tapa na cara. Eu não sabia mais o que fazer. Até pra pedir ajuda estava difícil. Tornei-me um estranho para os meus amigos e até vergonha de voltar para a igreja eu tinha.

Queridões, essa é uma história fictícia, mas tenho certeza que qualquer semelhança não é mera coincidência. Temos a tendência de querer tomar as rédeas de nossas vidas, termos o controle de tudo e sempre justificar nosso erro. Se todas as coisas têm um tempo certo, quem decide esse tempo não sou eu, mas sim àquele que criou o tempo: DEUS!

Meninos e meninas, cuidado com a sedução. Só se coloca na vitrine aquilo que está à venda. Seu corpo é templo do Espírito Santo e não uma fruta de feira que todos passam a mão pra saber se vai levar ou não.

Entenda, não existe isso de namoro missionário! Não caia nesta cilada.

E por fim um último conselho: Se você já está namorando, não se isole do mundo. Tenha amigos, participe das atividades da igreja, porque independente se o namoro resultar em casamento ou não, se você estiver isolado será extremamente difícil manter seu elo social. E você vive numa sociedade.

Que o Senhor tenha misericórdia de nós nos dando sabedoria para esperar o tempo certo e mais paciência ainda quando ao achar a pessoa certa para não atropelar etapas.

Na paz d’Aquele que quer participar do nosso namoro e transformar sapos em príncipes e não príncipes em sapos.

Por Felipe Heiderich

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