Alerta! Os hackers invadiram as igrejas!

A oração não vai resolver aquilo que por negligência ou imaturidade você deu concessão.

Fonte: Guiame, Fernando MoreiraAtualizado: terça-feira, 23 de julho de 2024 às 17:51
(Foto: Unsplash/Andrew Neel)
(Foto: Unsplash/Andrew Neel)

Sede sóbrios, vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar. (1 Pedro 5:8)

Sim, hackers (criminosos digitais) podem invadir igrejas, outras organizações religiosas e membros. Os motivos podem incluir:

  • Intimidação avançada: O uso de Deepfakes para manipular, intimidar pastores e líderes com vídeos, imagens e áudios comprometedores, mas falsos.
  • Roubo de Dados Financeiros: Informações de doadores e contas bancárias.
  • Extorsão: Ransomware para extorquir dinheiro em troca de liberar dados.
  • Sabotagem ou Vandalismo: Interromper serviços ou difamar a organização.
  • Espionagem: Acessar informações privadas de membros da igreja.

Principais Ameaças Hackers:

1. Malware – é um termo genérico para software malicioso projetado para causar danos, roubar informações ou ganhar acesso não autorizado a sistemas. Inclui vírus, trojans, spyware e ransomware.

2. Phishing – envolve a tentativa de obter informações confidenciais (como senhas e números de cartão de crédito) se passando por uma pessoa, ou entidade confiável em comunicação digital.

3. Ataques Man-in-the-Middle (MitM) – um ataque MitM ocorre quando um hacker intercepta e possivelmente altera a comunicação entre duas partes sem que elas saibam.

4. Ataques de Engenharia Social – envolve manipular pessoas para que revelem informações confidenciais.

5. Exploits de Software – são programas ou códigos que aproveitam vulnerabilidades em software para ganhar acesso não autorizado ou causar danos.

6. Ataques de Força Bruta – hackers tentam adivinhar senhas usando tentativa e erro.

A Inteligência Artificial e a Extorsão Avançada

Deepfake é uma tecnologia baseada em inteligência artificial que permite criar vídeos ou áudios falsos, onde as pessoas parecem dizer ou fazer coisas que nunca realmente disseram ou fizeram. O nome "deepfake" é uma combinação de "deep learning" (aprendizado profundo, uma área da inteligência artificial) e "fake" (falso).

Utiliza algoritmos de aprendizado profundo, particularmente redes neurais, para analisar e aprender os padrões de voz, movimentos faciais e expressões de uma pessoa a partir de um grande conjunto de dados de vídeos e áudios reais. Depois de treinado, o modelo pode sintetizar novos conteúdos que parecem incrivelmente reais.

O uso de deepfakes para extorquir líderes religiosos é uma prática cada vez mais comum e preocupante. Alguns métodos e exemplos de como os deepfakes têm sido usados para esse propósito:

1. Criação de Vídeos Comprometedores

  • Descrição: Os extorsionistas criam vídeos falsos onde a vítima parece estar envolvida em atividades comprometedoras ou escandalosas, como atos criminosos, comportamentos imorais, ou cenas sexualmente explícitas. Eles podem utilizar vídeos e imagens postadas nas redes sociais para criar com a Inteligência Artificial deepfakes.
  • Exemplo: Um pastor pode receber um vídeo falso onde ele parece estar aceitando suborno ou traindo seu cônjuge. Os criminosos então ameaçam divulgar o vídeo a menos que a vítima pague um valor em dinheiro ou bitcoins.
  • Prevenção: Coloque sempre algo que cubra as câmeras. Não significa que evitará totalmente os problemas, pois o intruso pode gravar o som ambiente e utilizar isso para o fim malicioso. Cuidado ao entrar em chats de aconselhamento, jogos online, salas de bate-papo, sites de igrejas ou conteúdo suspeitos etc., o hacker pode invadir seu celular, tablete ou computador, ligar a câmera, e fazer filmagens suas no seu quarto, sala e escritório. A partir dessas imagens, fazer vídeos realistas, comprometedores para te chantagear e ameaçar a sua integridade.

Mas considerai isto: se o pai de família soubesse a que hora havia de vir o ladrão, vigiaria e não deixaria minar a sua casa. Estai vós também apercebidos... (Lucas 12:39-40):

2. Falsificação de Voz para Enganar Entes Queridos

  • Descrição: Utilizando deepfake de voz, os criminosos podem imitar a voz de uma pessoa próxima à vítima (como um familiar, líder) para pedir dinheiro ou informações sensíveis.
  • Exemplo: Um pastor pode receber uma chamada de voz falsa, supostamente de um membro da igreja, dizendo que foi sequestrado e exigindo um resgate.
  • Prevenção: Desligue e ligue para a pessoa em questão. Não se precipite em fazer nada, antes de falar com a pessoa ou buscar ajuda de profissionais.

Um homem não deve andar em um local perigoso, dizendo: 'Um milagre será feito por mim,' para que um milagre não seja feito por ele (Talmude, Shabat 32ª).

3. Manipulação de Imagem para Campanhas de Difamação

  • Descrição: Deepfakes podem ser usados para criar imagens ou vídeos falsos de figuras públicas ou pessoas em posições de poder, espalhando mentiras e desinformação com o objetivo de manchar suas reputações.
  • Exemplo: Um líder religioso pode ser falsamente retratado em um vídeo fazendo comentários racistas ou misóginos, o que pode ser usado para chantageá-lo com a ameaça de divulgação pública.

Uma pessoa deve sempre avaliar suas ações e inclinações e estar atento para que não caia em hábitos que levam ao pecado (Maimônides).

4. Ataques de Phishing Avançados

Phishing é uma técnica de engenharia social usada por cibercriminosos para enganar pessoas, fazendo-as revelar informações pessoais, como senhas e detalhes de cartão de crédito, ou para instalar malware em seus dispositivos. O termo "phishing" vem da palavra "fishing" (pesca), com a ideia de que os atacantes "pescam" vítimas com iscas.

Os atacantes enviam e-mails, mensagens de texto ou criam websites falsos que parecem legítimos e confiáveis. Esses conteúdos geralmente imitam comunicações de empresas conhecidas, bancos ou outras instituições respeitáveis, induzindo as vítimas a clicar em links maliciosos ou a fornecer informações confidenciais.

  • Descrição: Deepfakes podem ser combinados com técnicas de phishing para criar e-mails ou mensagens de vídeo que parecem ser de membros da igreja ou dos líderes, solicitando informações sensíveis ou transferências de dinheiro.
  • Exemplo: Um tesoureiro de uma igreja pode receber um e-mail com um vídeo de seu líder (na verdade um deepfake), solicitando que faça uma transferência urgente de fundos para uma conta específica.
  • Prevenção: Não abra e-mails ou mensagens de pessoas que não conhece. Sei que para um pastor ou líder, se torna complicado por pessoas novas estarem sempre aparecendo, mas de qualquer forma, não abra anexos ou qualquer coisa vindo de quem você não teve contato previamente.

Exemplos Reais de Uso de Deepfakes para Extorsão

  • Deepfake Pornográfico: Pastores e líderes têm sido alvos de deepfakes pornográficos. Os criminosos criam vídeos onde as vítimas parecem estar envolvidas em atos sexuais e depois exigem pagamento para não divulgá-los publicamente.
  • Sequestro Virtual: Em alguns casos, deepfakes de voz foram usados para simular sequestros, onde a vítima recebe uma chamada de voz de um ente querido em aparente perigo, exigindo um resgate imediato.

Como Proteger-se Contra Extorsão com Deepfakes

1. Educação e Conscientização

  • Estar ciente da existência e das capacidades dos deepfakes é o primeiro passo para se proteger. Educando-se e aos outros sobre como identificar deepfakes pode reduzir o impacto dessas fraudes.

2. Verificação de Fontes

  • Sempre verificar a autenticidade de mensagens e pedidos que pareçam suspeitos. Se receber um vídeo ou áudio de alguém conhecido com um pedido incomum, tente confirmar através de outro meio de comunicação.

3. Uso de Tecnologia de Detecção de Deepfakes

  • Ferramentas e softwares especializados estão sendo desenvolvidos para detectar deepfakes. Empresas e indivíduos podem investir nessas tecnologias para ajudar a identificar conteúdos falsificados.

4. Medidas de Segurança Digital

  • Manter boas práticas de segurança digital, como usar autenticação multifator, senhas fortes, e manter softwares e sistemas atualizados, pode ajudar a proteger contra ataques que utilizem deepfakes.

5. Consultoria Legal e de Segurança

  • Em caso de ser alvo de uma extorsão com deepfake, é aconselhável procurar ajuda de profissionais de segurança cibernética e consultoria legal para lidar com a situação de forma adequada.

6. Treinamento para os líderes e obreiros

  • Coloque na pauta de treinamentos da igreja, temas de segurança digital etc. O aprendizado e a prevenção é a melhor arma.

A oração não vai resolver aquilo que por negligência ou imaturidade você deu concessão.

A iniquidade digital é uma das armas do anticristo. O caráter deformado pelo pecado é capaz de fazer quaisquer coisas para ter vantagem própria. Não respeita mais o ser humano. Por causa do aumento da iniquidade, o amor de muitos esfriará, mas aquele que perseverar até o fim será salvo (Mateus 24:12-13). Por isto que Paulo orienta a Timóteo: Sabe, porém, isto: que nos últimos dias sobrevirão tempos trabalhosos. Porque haverá homens amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, Sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, Traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus, Tendo aparência de piedade, mas negando a eficácia dela. Destes afasta-te (II Timóteo 3:1-5).

O espírito do anticristo usará tudo disponível para matar, roubar e destruir (João 10:10), somente vigiando, orando e agindo (estudando, se capacitando e pedindo ajuda) poderemos minimizar os ataques do inimigo e vencer o dia mau. Abra os olhos, o inimigo está te observando, e como leão tentando te tragar (I Pedro 5:8). Maranata, ora vem Senhor Jesus!

 

Fernando Moreira (@prfernandomor) é pastor na Igreja Batista do Povo; Bacharel em Ciência da Computação e Teologia. Mestrado em Ciência da Computação e Doutorado em Teologia. É membro da Academia de Letras, Artes e Cultura do Brasil, associado do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), executivo de tecnologia, mentor de carreiras executivas, conselheiro administrativo, palestrante, conferencista e autor de oito livros.

* O conteúdo do texto acima é uma colaboração voluntária, de total responsabilidade do autor e não reflete necessariamente a opinião do Portal Guiame.

Leia o artigo anterior: O poder e o propósito da Diaconia

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