Os últimos dos Moicanos

Os últimos dos Moicanos

Fonte: Atualizado: sábado, 29 de março de 2014 03:26

Quando me formei no seminário há alguns anos atrás estava pronto para trabalhar ministerialmente com jovens. O meu sonho ia se tornar realidade, jovens trabalhando com e para outros jovens. Animar grupos de jovens nas igrejas, restaurar ministérios voltados aos jovens.

Afinal de contas, cresci ouvindo nomes de movimentos como Jovens da Verdade, Mocidade para Cristo, Aliança Bíblica Universitária, Jovens em Cristo, entre outras.

Mas qual foi a minha decepção, olhei para um lado e para o outro e vi que restaram poucos com esta visão. Senti que eu tinha nascido uma geração depois da que deveria realmente nascer.

O que aconteceu com os líderes de jovens da minha geração? Ou melhor, o que aconteceu com os jovens da minha geração? Refiro-me aqueles que nasceram entre 1973 a 1983.

Tinha percebido que restaram poucos ministério de jovens, muitos tinham sido absorvidos pela classe de adultos, outros eram grandes adolescentes com vinte e poucos anos e, outros tinham ido embora da igreja mesmo.

Certa vez, perguntei para um psicólogo qual era o maior problema que ele ouvia em seu consultório sobre a minha geração. Ele me respondeu sem hesitar: uma geração egoísta e infantil.

Explicou-me que a maioria das mulheres jovens que vão conversar com ele reclama de homens que não sabem se querem casar, comprar um carro ou um videogame. E mulheres que não concordam de seus namorados ou maridos exercerem um ministério voluntário na igreja, alegando que eles precisam se preocupar mais com o futuro financeiro dos dois.

Essas palavras bateram forte em mim, afinal de contas ele estava falando da minha geração, de mim também.

Realmente restam poucos líderes dessa geração, os últimos dos Moicanos.

Acredito que o problema é ainda pior, com o desaparecimento de minha geração e uma geração anterior ter se firmado como adultos líderes na igreja e uma outra geração mais populosa e forte chegando logo depois, a partir de 1985. Houve uma ruptura no elo de gerações.

Essa lacuna entre adultos e adolescentes gera divisões na igreja, pois não está havendo comunicação entre um e outro, já que quem faz isso é sempre a geração que está no meio das duas. Estamos vendo cada vez mais igrejas voltadas a uma programação só para adolescentes e outras igrejas voltadas só para os adultos.

Terrível ruptura no corpo de Cristo.

Choro por minha geração egoísta e infantil, por não haver mais quase ninguém que faz parte dela, nos acampamentos ou movimentos interdenominacionais, mas sempre me alegro muito quando vejo jovens, homens e mulheres entre 25 e 35 anos, que abriram mão de sua vida e se entregaram nas mãos de Deus e estão fazendo a diferença. Pois vocês são os últimos dos Moicanos!

Marcos Botelho é pós-graduado em Teologia Urbana, Missionário do Jovens da Verdade, SEPAL. Professor da FLAM - Faculdade Latino Americana de Missões e responsável pelo Terra dos Palhaços Brasil

www.marcosbotelho.com.br

www.jvnaestrada.com

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